Coco Antes de Chanel

Coco Antes de Chanel (Coco Avant Chanel, 2009) tem cara de filme chato de James Ivory com todos os prós e contras de um filme chato de James Ivory. Com uma diferença: A diretora Anne Fontaine, que assina o longa sobre o período anterior ao império da moda criado pela estilista francesa, não tem o talento do cineasta responsável por Retorno a Howards End e Vestígios do Dia para analisar o confronto de classes, a ruína da aristocracia e os conflitos de uma sociedade dominada por antigos valores tentando abraçar a modernidade.
E olha que Anne Fontaine tinha uma personagem nas mãos de encher a tela. Mas preferiu se concentrar numa história romântica e trágica, que justifica a transformação de uma mulher humilde em um ser de coração frio, totalmente voltado para um trabalho que revolucionou a moda e encorajou o sexo feminino a romper paradigmas em um mundo dominado por homens. Ironicamente, mulheres de todos os cantos foram inspiradas pelas criações das peças de uma artista, que teve o coração partido. No filme, o sucesso profissional de Coco Chanel teria sido sua grande vingança contra os homens que tentaram convencê-la de algo em que ela não acreditava desde criança: que o amor existe e é possível.
A intenção da diretora é boa. O filme parece épico, grandioso, mas não é. Coco Antes de Chanel, como diz o título, não é tão concentrado assim na mulher comum antes do mito. O filme foi feito para ser uma bela, empolgante e, claro, triste história de amor. Mas é neste ponto que a diretora derrapa. E feio.
Por um motivo muito claro: O triângulo formado por Gabrielle (a Coco Antes de Chanel interpretada por Audrey Tautou), o milionário chato – com jeito de Jar Jar Binks – Étienne Balsan (Benoît Poelvoorde) e seu amigo Arthur “Boy” Capel (Alessandro Nivola) é tão enfadonho, que chega a ser muito mais interessante acompanhar as investidas amorosas de José Mayer bancando o Richard Gere brasileiro na novela das oito.
Talvez se Anne Fontaine tivesse dado menos atenção aos romances de Gabrielle e se concentrasse mais nos detalhes que fizeram de Coco Chanel a mulher que todos conhecem… Talvez se a diretora se apoiasse numa linguagem mais cinematográfica, diferente da cara de adaptação arrastada de livro… Bom, como o “se” não joga, Coco Antes de Chanel é uma espécie de desastre romântico escrito por um Sidney Sheldon subdesenvolvido.
É mais ou menos como se O Aviador, de Martin Scorsese, falasse dos amores de Howard Hughes pelas grandes estrelas de Hollywood e deixasse de lado seus lampejos de gênio e, claro, sua loucura.
Resta ao filme de Anne Fontaine a bela direção de arte e os figurinos caprichados. Mas isso você já esperava de um filme sobre Coco Chanel. Resta também a boa atuação da sempre competente e graciosa Audrey Tautou, que se não é extraordinária, até que dá conta do recado – seria injustiça jogar o filme em suas costas.
Não posso me esquecer do principal ponto a favor que é a linda trilha composta por Alexandre Desplat. Mas qualidades técnicas não salvam um filme, certo? Ou então Transformers: A Vingança dos Derrotados teria sido um dos melhores filmes do ano.
Coco Antes de Chanel (Coco Avant Chanel, 2009)
Direção: Anne Fontaine
Roteiro: Anne Fontaine e Camille Fontaine (Baseado no livro L’Irrégulière ou Mon Tinéraire Chanel, de Edmonde Charles-Roux)
Elenco: Audrey Tautou, Benoît Poelvoorde, Alessandro Nivola, Marie Gillain, Emmanuelle Devos e Régis Royer



Perfeito


Hollywoodiano is back! Protestei no Twitter um dia desses por atualizações. haha
Sobre o filme, enxerguei de outra forma em relação a abordagem. Pra mim a Fontaine privilegiou a mulher ao mito, e isso me agradou.
Abs!
Eu estava de férias, Bruno! Fiquei um pouquinho longe da internet… Mas voltei! E obrigado!!!!
Abs!
Ainda não assistir, mas pelos defeitos que você observou acho que o filme ‘Coco Chanel’ estrelado por Shirley MacLaine esse ano, mas lançado direto para TV é superior a esse. Desde a interpretação maravilhosa até a direção de Christian Duguay espetacular.
Enfim, quando eu assitir esse eu vou compará-lo.
Estava na expectativa que mais pessoas comentassem o filme. Quando vi sua atualização, vim logo aqui.
Sobre a película, eu enxergo de uma maneira diferente. Acho que a maior qualidade do longa, que é um filme biográfico, é não cair no lugar comum de mostrar o personagem como alguém extraordinário, que só falta ter poderes mágicos. Não há um momento de revelação instântanea da genialidade de Coco Chanel no longa, pelo contrário, nós somos convidados a junto com a protagonista, passo a passo, ir descobrindo as influências e características da estilista, que estão diretamente ligadas ao dia-a-dia das pessoas comuns.
Está longe de ser um filme arrebatador e empolgante, mas é belo e tem um quê de artesanal, onde cada momento é precisamente construído e essencialmente delicado, suave e belo. Eu recomendo!
Abraço.
LUIS
Se tem a Shirley MacLaine só pode ser superior… Abs!
SANTIAGO
É, achei muito chato… Mas entendo as razões que fizeram você gostar do filme e respeito. Abs!
Tô doido pra ver!
Mesmo com os comentários nada favoráveis que ando lendo, quero conferir este filme porque adoro cinebiografias!
Beijos!
CASSIANO
Acho que você vai gostar. Abs!
KAMILA
Eu acho que você vai gostar mais do que eu… E não conheço tanto sobre Coco Chanel assim… E não foi o filme que me ensinou. Bjs!
Ummm… eu não estava à espera de algo muito bom, mas seus comentários me desanimaram mais. Veremos.
Discordo da crítica e gostei bastante do filme.
Muito se falou da atuação”fria”de Audrey,mas achei ela perfeita no papel,encontrando o tom certo entre a amargura e a doçura.Espero vê-la nas indicações de premios que estão chegando.
Enfim,recomendo a todos.
Belo filme.
Tenho curiosidade em torno do filme por causa da Audrey e de como a bela trilha de Alexandre Desplat ficou dentro do filme.
Beijos!