O Solista

Steve Lopez (Robert Downey Jr.) é um jornalista solitário que passa dias e noites em busca de histórias e personagens capazes de preencher sua coluna do Los Angeles Times. O músico Nathaniel Anthony Ayers Jr. (Jamie Foxx) é um ex-aluno da escola de arte Julliard, que tem esquizofrenia e vive nas ruas, longe dos grandes concertos que mereciam contar com seu talento. Inesperadamente, esses dois seres abandonados por Deus se encontram. Aí você já pensa: O Solista (The Soloist, 2009), dirigido por Joe Wright, de filmes elegantes como Orgulho e Preconceito e Desejo e Reparação, é o novo Rain Man? Ou trata-se do novo Uma Mente Brilhante? Bom, a verdade é: Nem uma coisa, nem outra.
Joe Wright sabe fazer um filme romântico de época como poucos nos dias de hoje. Sabe tirar o melhor da literatura de monstros como Ian McEwan e Jane Austen sem deixar sua obra cinematográfica arrastada, com cara de livro filmado. Agora, será que eu devo acreditar que Joe Wright não tem o direito de contar uma história com gente usando calça jeans? Será que ele precisa SEMPRE da ajuda de sua musa Keira Knightley, que não está em O Solista?
Baseado no livro do próprio Steve Lopez, O Solista é um relato das experiências do jornalista, que, ao encontrar o músico Nathaniel Anthony Ayers Jr., fez as pazes com ele mesmo. Desta vez, Joe Wright não soube traduzir um livro em forma de filme.
Voltando à teoria Rain Man, não há como negar que O Solista foi feito para emocionar. Mas é incrível como este filme não faz nem os emos derrubarem uma única lágrima. É claro que ninguém aqui quer um filme de emoção apelativa e safada, mas Joe Wright teve a chance de construir um drama grandioso apoiado na amizade entre dois homens perdidos, que ganham uma segunda chance na vida. O fato é que O Solista tinha tudo para ser um filme inesquecível, mas não é. E não é sobre essa amizade. O Solista não é sobre coisa alguma. É zero.

Se o livro de Steve Lopez quer falar de um monte de coisas, isso não quer dizer que um filme de duas horas também precisa seguir pelo mesmo caminho. Além da amizade entre o músico e o jornalista, Joe Wright quer abraçar o mundo e falar: a) da situação precária dos sem-teto em Los Angeles, b) da doença de Nathaniel, c) da crise atual do jornalismo, d) da paixão de Nathaniel pela música, e) da decadente vida social de Lopez. Como se não bastasse, o diretor ainda recorre ao quase sempre preguiçoso flashback para explicar o passado de Nathaniel. Afinal, do que o diretor quer falar em O Solista?
Sua intenção é abordar tudo isso, claro, mas O Solista é um samba do crioulo doido em matéria de cinema. A decepção está na lembrança de Joe Wright como um diretor talentoso – preste atenção na cena meio Fantasia, clássico de Walt Disney, em que Nathaniel “vê” a música tocada por uma orquestra. É linda, mas se perde nas várias vertentes da trama administrada de forma confusa pelo diretor e mal costurada pela roteirista Susannah Grant, de Erin Brockovich.
Resta ao filme a atuação digna de Robert Downey Jr., que consegue ser superior ao vencedor do Oscar Jamie Foxx, que tem um papel muito mais… digamos… sedutor aos olhos da Academia. Mas Foxx está surpreendentemente mal. Acho que ele não viu Trovão Tropical, que traz o sábio conselho de seu colega de cena: “Never go full retard.”
O Solista (The Soloist, 2009)
Direção: Joe Wright
Roteiro: Susannah Grant (Baseado no livro de Steve Lopez)
Elenco: Robert Downey Jr., Jamie Foxx, Catherine Keener, Tom Hollander, Lisa Gay Hamilton, Stephen Root, Nelsan Ellis e Justin Martin
HOLLYWOODIANO viu o filme na 33ª Mostra Internacional de Cinema, em São Paulo



Perfeito


É o samba crioulo doido mesmo? Pelo visto o Wright vai ficar rotulado como o cara que só sabe fazer dramas de época com a Keira Knightley.
O trailer desse filme deixa a sensação de “puta filme do caralho”.
E que inveja hein, também queria acompanhar in loco a Mostra. Hmpf!
o/
Uma pena que o filme não superou as expectativas, mas acho que não irei resistir e dar uma chance, mas com as expectativas moderadas…
P.S.: Uma perguntinha: a trilha sonora ficou boa no filme ou não fez diferença? Acho da trilha do Dario Marianelli para o filme não a melhor dele, mas boa.
Beijos!
É, pelo jeito, parece que Joe Wright não deveria sair do terreno dos filmes de época…. Mesmo assim, por gostar do diretor, quero ver “O Solista”.
Beijos!
BRUNO
Viva Keira Knightley! Abs!
MARCUS
Infelizmente, o trabalho não me deixou ver todos os filmes que eu gostaria… Abs!
MAYARA
A trilha é bacana, mas no filme é… ok. Sou um cara que nota bastante a música nos filmes. No entanto, não saí com ela na cabeça… Bjs!
KAMILA
Não foi dessa vez, mas tomara que ele acerte na próxima investida fora dos filmes de época. Bjs!
Que pena que esse filme ficou na filmografia de um ótimo diredor que já fez obra maravilhosas de época. Enfim, ainda não assitir, mas eu odeio Jamie Foxx com todas minhas forças e não sei bem o porquê.
Que tristeza. Estava apostando tanto nos talentos envolvidos…
meu vc é um idiota, nao sabe de nada sobre muuusica , muuuito menso do objritvo do filme ser feito se liga