novembro 19th, 2009

This is It

Michael_The Best

A morte de Michael Jackson em 25 de junho foi a grande notícia de 2009. Alguns meses antes, o rei do pop se preparava para uma mega turnê, que marcaria seu retorno aos palcos. O diretor do espetáculo, Kenny Ortega (e também de High School Musical), que estava lá somente para garantir que tudo saísse exatamente como Michael queria, editou as imagens registradas durante os ensaios para homenagear o astro, que deixou seus fãs de uma hora pra outra com uma sensação incurável de perda. Sabendo disso, não há outra forma de ver o documentário This is It (2009), além de uma oportunidade para os fãs se despedirem do ídolo.

Agora, um aviso: Se você não gosta de Michael Jackson, passe longe de This is It. Pagar pra reclamar da cara do astro ou lembrar das acusações em torno de seu nome é pura idiotice, afinal será tortura encarar a abertura que mostra os bailarinos escolhidos para o show chorando por causa do sonho realizado de dançar ao lado do ídolo. É um momento de emoção pura e verdadeira que prepara os fãs para a entrada triunfante de Michael cantando Wanna Be Startin’ Somethin’.

Cada música vem acompanhada de imagens editadas de três ou quatro ensaios diferentes. Entre uma canção e outra, temos depoimentos de membros da equipe do espetáculo – todos com muita admiração e respeito por Michael. Alguns momentos são mágicos, como a versão intimista do rei do pop para a bela Human Nature e a performance de The Way You Make Me Feel, como ele imaginou desde sua composição. Ao longo de quase duas horas, Michael canta, dança e mostra, pelo menos ali, no palco grudado nas poltronas do cinema, que não estava doente.

Sua figura emblemática, de brilho fácil e natural, faz esquecer em poucos minutos a abertura emocionante (com os depoimentos dos bailarinos), capaz de levar os fãs às lágrimas por causa da lembrança da morte de Michael. Basta o astro cantar e dançar a primeira música para você ficar com os olhos e ouvidos grudados na tela, como se estivesse sentado no melhor lugar de um show privado.

Como documentário, This is It poderia ser melhor. Acho que o próprio Michael, extremamente perfeccionista, não aprovaria o resultado final visto nos cinemas. Para começar, Michael pode ser acusado de várias coisas, mas nos palcos, ele foi inigualável. Como vemos em This is It, ele conhece cada som, cada edição, cada movimento de suas músicas. Enquanto cineastas nasceram dos videoclipes, Michael propôs o inverso: Levou dietores consagrados como Martin Scorsese para os videoclipes. Digo tudo isso porque ele tinha um olhar clínico para a arte – seja na música ou no cinema. Em This is It, ele pode elogiar o diretor Kenny Ortega, mas acredito que teria exigido um documentário mais competente, capaz de aproveitar muito mais as cenas de bastidores e deixar as canções menos conhecidas na sala de edição. Enfim, Michael encontraria o ritmo perfeito e jamais deixaria o público olhar para o relógio da metade para o final.

Mas cobrar de This is It algo além de nada mais, nada menos do que um adeus a um dos maiores artistas que a indústria musical já conheceu, seria muita chatice de nossa parte cinéfila, sedenta por um grande filme. This is It, certamente, seria um show épico, inesquecível. É isso que importa. Imagine que notícia teria dado este espetáculo. “A volta de Michael Jackson aos palcos…” Mas, infelizmente, nunca saberemos.

This is It (This is It, 2009)
Direção: Kenny Ortega

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