2012

Não se assuste com as três estrelas dadas a 2012 (2012, 2009), mais um disaster movie do diretor que, talvez por estar cansado de destruir cidades inteiras (Nova York que o diga) por várias vezes em diversos filmes, resolveu acabar de vez com o mundo como o conhecemos. Quem acompanha o blog sabe o quanto pego no pé de Roland Emmerich, o responsável por bombas como Godzilla e 10.000 AC, e diversões escapistas que ofendem o cérebro, como Independence Day e O Dia Depois de Amanhã.
Quem já viu todas essas presepadas no cinema, sabe muito bem que Emmerich é ligadão em efeitos visuais que enchem a tela para varrer pessoas, monumentos erguidos pela humanidade e cenários naturais do mapa. Também sabe que Emmerich é o cineasta alemão mais apaixonado pelos EUA que existe, principalmente por suas leis e força bélica – enquanto Michael Bay, outro arquiteto picareta da destruição, é fetichista neste quesito, Emmerich é movido à paixão mesmo.
Em 2012, você vê (mais uma vez) tudo o que Emmerich acha que aprendeu do (bom) cinemão americano. Só que desta vez, há um “porém”: O roteiro é bem construído em termos de narrativa. Isso não impede, claro, que os roteiristas Emmerich e Harald Kloser encham o filme de frases e diálogos horrorosos (”Sabe quantas vezes alguém admitiu um erro na Casa Branca? Zero!”, “A África está no topo do mundo” etc), mas a história é muito bem desenvolvida. E admita: Você paga para ver um filme desses procurando “apenas” uma boa diversão, certo? Com 15 , 20 minutos de projeção, somos apresentados (de forma rápida e eficiente) aos problemas que podem acabar com o mundo como o conhecemos. Ao mesmo tempo, conhecemos os personagens principais e entramos em suas rotinas. E pronto. Quando o espetáculo da destruição começa, nós já estamos fisgados. Não sabemos se torcemos por John Cusack e sua família ou se seguramos o queixo em queda livre no chão do cinema. Ponto para Roland Emmerich, que sempre tentou fazer um filme divertido. É como se ele estivesse treinando em Independence Day, Godzilla e todas as outras presepadas de sua autoria para chegar até aqui.

Quando vem a cena em que tudo em volta começa a desmoronar (não tem jeito, você saberá qual é a sequência que estou falando), Emmerich oferece um dos momentos mais assustadores do cinema, desde que os efeitos digitais alcançaram a perfeição. E só não ganhará o Oscar da categoria se Avatar, de James Cameron, for mesmo essa maravilha toda.
É claro que conta a favor do filme o fato de muita gente acreditar que o mundo sofrerá um arrastão desses em 2012. Mas tirar os méritos de Emmerich como contador de histórias seria implicância demais de minha parte. Com um roteiro que prepara o espectador para toda a diversão e tensão que o filme proporciona, Emmerich sabia que não bastava apostar nos efeitos especiais. Ele ainda acertou na escalação do elenco, que leva tudo muito a sério – John Cusack, Woody Harrelson, Amanda Peet, Chiwetel Ejiofor, Danny Glover, Thandie Newton, Oliver Platt, todos ótimos -, e torna muito mais fácil a tarefa de conduzir e convencer o público, que carrega o “medo” de viver pra ver a concretização da profecia maia.
E quando lá pelas tantas o filme sossega nas cenas de destruição, somos obrigados a acompanhar os sobreviventes fazendo de tudo para manter viva a esperança de que, um dia, a raça humana se reerguerá. Se nessa altura do filme, você não estiver dando a mínima para John Cusack, que não cansa de ouvir “Papai, papai, onde está você?” ou “Papai, papai, eu te amo!” ou os famosos “Nãaaaaaaaaaaaooooooo!”, cara, desvie seus olhos da tela e perceba as reações das outras pessoas na sala. Pois é. O filme é um sucesso. Lógico que, em matéria de qualidade, tivemos filmes superiores como Star Trek e Up, mas 2012 é, sem dúvida, a pipoca mais bem paga do ano. É pra isso que serve.
2012 (2012, 2009)
Direção: Roland Emmerich
Roteiro: Roland Emmerich e Harald Kloser
Elenco: John Cusack, Chiwetel Ejiofor, Oliver Platt, Amanda Peet, Thandie Newton, Woody Harrelson, Zlatko Buric, Danny Glover e Thomas McCarthy



Perfeito


Impossível. Não dá pra digerir esse filme. Achei super chato e loooongo demais pra nada. Achei muita cena desnecessária. Mas poderia sair uma coisa bem interessante daí… Pena q não funcionou para mim. Abraço!
Vou ver hoje … baixei em R5 por que tenho amor ao meu dinheiro … ver filme de Emmerich no cinema … NO!
Wish me luck!
“2012 é, sem dúvida, a pipoca mais bem paga do ano” Bem, eu não poderia esperar mais do que isso. Claro que o filme pode me irritar (o último do diretor foi uma bomba), mas parece divertido.
Eu acho que você encarou o filme da maneira certa. Eu gostei bastante de “2012″. Acho que é uma obra competente para aquilo que quer cumprir: entreter e oferecer show de efeitos.
Beijos!
Assino em baixo.
pra mim não serviu nem como diversão acéfala, devia ter ficado em casa revendo TREK.
abs!
Parece ser mesmo, e pelo menos um bom pipoca. Fiquei curiosa agora…
Beijos!
Pois bem, acho que “2012″ é um filme com muito potencial – talvez se torne mesmo o melhor blockbuster de 2009. Mas como a graça é unicamente ver monumentos indo abaixo, provavelmente vou gostar um pouco menos.
Abs!
Enfim alguém concorda com alguns pontos que eu defendo. Ninguém em sã consciência vai ao cinema ver 2012 buscando algo que não seja cenas de destruição e os melhores efeitos especiais que 260 milhões podem comprar. Eu publiquei no jornal uma comparação parecida com a sua: escrevi que 2012 é o melhor custo-benefício do ano. Você paga pra ver destruição e cenas espetaculares, e ganha isso. Quem quiser roteiro sem clichês, ausência de coinscidências mirabolantes, grandes nuances interpretativas e um momento na história do cinema deve ter um parafuso a menos se acha que esse filme foi feito pra isso.
Foi feito pra divertir e destruir o mundo. Faz isso exatamente como prometeu. Minha nota também é três, pra desespero dos puristas que buscam enxergar pêlo em ovo. Há um abismo entre fazer uma diversão como essa e um épico pretensioso com 10.000 a.C
Aqui ele acertou a mão
Abraço
É isso aí mesmo. Concordo.