dezembro 5th, 2009

2012

Apertem os cintos, o piloto sumiu
Não se assuste com as três estrelas dadas a 2012 (2012, 2009), mais um disaster movie do diretor que, talvez por estar cansado de destruir cidades inteiras (Nova York que o diga) por várias vezes em diversos filmes, resolveu acabar de vez com o mundo como o conhecemos. Quem acompanha o blog sabe o quanto pego no pé de Roland Emmerich, o responsável por bombas como Godzilla e 10.000 AC, e diversões escapistas que ofendem o cérebro, como Independence Day e O Dia Depois de Amanhã.

Quem já viu todas essas presepadas no cinema, sabe muito bem que Emmerich é ligadão em efeitos visuais que enchem a tela para varrer pessoas, monumentos erguidos pela humanidade e cenários naturais do  mapa. Também sabe que Emmerich é o cineasta alemão mais apaixonado pelos EUA que existe, principalmente por suas leis e força bélica – enquanto Michael Bay, outro arquiteto picareta da destruição, é fetichista neste quesito, Emmerich é movido à paixão mesmo.

Em 2012, você vê (mais uma vez) tudo o que Emmerich acha que aprendeu do (bom) cinemão americano. Só que desta vez, há um “porém”: O roteiro é bem construído em termos de narrativa. Isso não impede, claro, que os roteiristas Emmerich e Harald Kloser encham o filme de frases e diálogos horrorosos (”Sabe quantas vezes alguém admitiu um erro na Casa Branca? Zero!”, “A África está no topo do mundo” etc), mas a história é muito bem desenvolvida. E admita: Você paga para ver um filme desses procurando “apenas” uma boa diversão, certo? Com 15 , 20 minutos de projeção, somos apresentados (de forma rápida e eficiente) aos problemas que podem acabar com o mundo como o conhecemos. Ao mesmo tempo, conhecemos os personagens principais e entramos em suas rotinas. E pronto. Quando o espetáculo da destruição começa, nós já estamos fisgados. Não sabemos se torcemos por John Cusack e sua família  ou se seguramos o queixo em queda livre no chão do cinema. Ponto para Roland Emmerich, que sempre tentou fazer um filme divertido. É como se ele estivesse treinando em Independence Day, Godzilla e todas as outras presepadas de sua autoria para chegar até aqui.

Paisagem Titanic

Quando vem a cena em que tudo em volta começa a desmoronar (não tem jeito, você saberá qual é a sequência que estou falando), Emmerich oferece um dos momentos mais assustadores do cinema, desde que os efeitos digitais alcançaram a perfeição. E só não ganhará o Oscar da categoria se Avatar, de James Cameron, for mesmo essa maravilha toda.

É claro que conta a favor do filme o fato de muita gente acreditar que o mundo sofrerá um arrastão desses em 2012. Mas tirar os méritos de Emmerich como contador de histórias seria implicância demais de minha parte. Com um roteiro que prepara o espectador para toda a diversão e tensão que o filme proporciona, Emmerich sabia que não bastava apostar nos efeitos especiais. Ele ainda acertou na escalação do elenco, que leva tudo muito a sério – John Cusack, Woody Harrelson, Amanda Peet, Chiwetel Ejiofor, Danny Glover, Thandie Newton, Oliver Platt, todos ótimos -, e torna muito mais fácil  a tarefa de conduzir e convencer o público, que carrega o “medo” de viver pra ver a concretização da profecia maia.

E quando lá pelas tantas o filme sossega nas cenas de destruição, somos obrigados a acompanhar os sobreviventes fazendo de tudo para manter viva a esperança de que, um dia, a raça humana se reerguerá. Se nessa altura do filme, você não estiver dando a mínima para John Cusack, que não cansa de ouvir “Papai, papai, onde está você?” ou “Papai, papai, eu te amo!” ou os famosos “Nãaaaaaaaaaaaooooooo!”, cara, desvie seus olhos da tela e perceba as reações das outras pessoas na sala. Pois é. O filme é um sucesso.  Lógico que, em matéria de qualidade, tivemos filmes superiores como Star Trek e Up, mas 2012 é, sem dúvida, a pipoca mais bem paga do ano. É pra isso que serve.

2012 (2012, 2009)
Direção: Roland Emmerich
Roteiro: Roland Emmerich e Harald Kloser
Elenco:
John Cusack, Chiwetel Ejiofor, Oliver Platt, Amanda Peet, Thandie Newton, Woody Harrelson, Zlatko Buric, Danny Glover e Thomas McCarthy

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