A Princesa e o Sapo

De Branca de Neve a Mulan, as princesas Disney jamais envelheceram ou sairam de moda. Porém, o estúdio deu um tempo nas animações do “gênero” quando percebeu que muita gente já estava cansada de muita cantoria sem noção e inspiração. Além disso, Hollywood estava obcecada em descobrir até onde poderia chegar com a computação gráfica. Pensando no futuro do cinema e entendendo que o público em geral não gosta de fórmulas, mas de bons filmes, as últimas princesas pouco inspiradas da Disney deram lugar aos heróis da Pixar.
De 1998 a 2009, tempo que separa a princesa Mulan da princesa Tiana, muitas águas rolaram na indústria e a Pixar ficou com o controle criativo da Disney. E, hoje, saber que o mago John Lasseter (cabeça do estúdio de Toy Story e Procurando Nemo) está à frente de A Princesa e o Sapo (The Princess and the Frog, 2009), dá uma sensação de alívio ao público que procura pelo bom cinema de entretenimento, afinal os gênios da Pixar jamais deixaram o deslumbramento pelo avanço da tecnologia ofuscar os bons roteiros.
Se a Disney queria voltar ao estilo clássico das animações que fizeram a fama do estúdio do pai do Mickey, isso nunca seria motivo de preocupação com Lasseter & Cia. comandando o projeto. E como a garotada aprovou o filme Encantada, da própria Disney, estava mais do que na hora de retornar ao “gênero”.
Felizmente, Tiana, a personagem, é fantástica, e se o filme não se iguala às melhores produções de princesas do estúdio, pelo menos marca um bom recomeço para uma nova geração entrar no clima que encantou seus pais e avós.
Mas, não tenha medo, A Princesa e o Sapo é divertido e encantador para os adultos que cresceram acompanhando a magia Disney. Em sua primeira meia hora, o filme tem a qualidade de Branca de Neve e os Sete Anões, A Bela e a Fera e O Rei Leão*, mas depois da parte em que Tiana beija o sapo, o longa fica no patamar de A Pequena Sereia e Aladdin*. O que quer dizer que é bem melhor que Tarzan*, Mulan e Pocahontas. Nada mal, não é?
Acho que a Disney acertou ao juntar o melhor de dois mundos: a narrativa clássica de seus filmes de princesa, com uma pitada de ousadia nas canções, que podem não agradar a todos. Ao fugir um pouquinho da fórmula tradicional de canções melosas, a Disney confiou no ótimo Randy Newman para bricar com ritmos locais, como o estúdio fez em O Rei Leão. Em A Princesa e o Sapo, o cenário é Nova Orleans, que aliás é a casa de Randy Newman. Assim, o compositor pôde brincar com a empolgante mistura de sons da região, que passam pelo blues, jazz e o gospel. E as canções são quase todas ótimas, longe das músicas soníferas de Pocahontas, e jamais atrapalham a narrativa. Pelo contrário, ajudam a contar a história na melhor montagem que se pode ter em imagem, música e som.
Eu disse que o filme cai um pouquinho a partir da cena em que Tiana (voz de Anika Noni Rose) beija o príncipe Naveen (voz do brasileiro Bruno Campos) – em sua versão sapo -, mas não é nada muito preocupante quando lembramos que se trata de uma retomada nostálgica da Disney. Só acho que a primeira meia hora arma um interessante cenário social marcado pelo conflito entre classes sociais completamente distintas. Mas, logo logo sabemos que estamos diante de mais uma animação estilo Disney, sem grandes provocações.
E você pode até pensar, de início, que os diretores John Musker e Ron Clements (os mesmos de A Pequena Sereia e Aladdin) estão ousando, como Shrek, da rival Dreamworks fez. Digo isso porque A Princesa e o Sapo começa com o fim da história clássica dos irmãos Grimm e a vira do avesso. Mas se você pensa que A Princesa e o Sapo vai terminar como Shrek, lembre-se que estamos falando do retorno da Disney aos seus tempos de Branca de Neve, Cinderela, A Bela Adormecida etc. Enfim, você sabe como tudo isso vai terminar. E sua filha vai adorar, afinal a magia que você sentiu há alguns anos estará estampada no rostinho da pequena cinéfila.
* Sei que “Tarzan”, “Aladdin” e “O Rei Leão” não estão focados em princesas, mas elas estão lá, de algum modo, ao lado de seus reis ou príncipes.
A Princesa e o Sapo (The Princess and the Frog, 2009)
Direção: John Musker e Ron Clements
Roteiro: Ron Clements, Rob Edwards e John Musker
Com as vozes de Anika Noni Rose, Bruno Campos, Keith David, Jenifer Lewis, Jim Cummings, Michael-Leon Wooley
Crítica: A Princesa e o SapoDesenho apresenta nova princesa e marca a volta da Disney à animação clássicaA Disney se tornou o que é hoje muito em razão do trinômio princesas, príncipes encantados e bruxas malvadas. Desde Branca de Neve e os Sete Anões, em 1937, as animações criadas nos estúdios do Mickey embalaram as matinês de crianças de todas as idades. Mas com o avanço da computação gráfica, esses contos de fadas deram lugar a universos diferentes, com histórias estreladas por brinquedos, insetos, carros, monstros, peixes e até robôs. Porém, pergunte a qualquer menina se as princesas são coisa do passado e ela certamente responderá que não. E é seguindo a tradição que teve como última herdeira Mulan, em 1998, que o estúdio apresenta agora a sua nona princesa, Tiana. Mas não se engane pelo título A Princesa e o Sapo (The Princess and the Frog, 2009). Diferente dos contos dos irmãos Grimm, aqui a história não acaba quando Tiana deixa de lado o nojo que é beijar um anfíbio gosmento e tasca uma bitoca no bicho. Esse é apenas o início da aventura, quando ela também se vê transformada em um pequeno e esverdeado ser saltador comedor de mosquitos. O motivo da transformação é que ela não é uma princesa. A história se passa em Nova Orleans, terra do jazz, da comida creole e do Mardi Gras, um carnaval que em nada lembra o nosso. Tiana (vozes de Anika Noni Rose / Kacau Gomes) é a filha de uma habilidosa costureira e um pai sonhador, que quer um dia abrir seu próprio restaurante. Para ele, a comida une as pessoas. O sapo é o príncipe Naveen (Bruno Campos / Rodrigo Lombardi), um playboy que só queria saber de curtir a vida, não dava valor ao que tinha e por isso é expulso de seu palácio e está na maior dureza. Mas não perde a pose. Quando encontra o Dr. Facilier (Keith David / Sergio Fontoura), Naveen não percebe que está sendo trapaceado e em questão de segundos toma a forma do anfíbio, enquanto seu roliço serviçal assume seu corpo e inicia o plano de enganar Charlotte (Jennifer Cody / Iara Riça), a filhinha mimada do maior ricaço da cidade, e garantir o seu futuro. Toda a apresentação dos personagens e seus sonhos segue a cartilha das clássicas animações Disney, com cantorias e danças. Mas como estamos em Nova Orleans, os ritmos empregados são o jazz, o blues, o gospel e o zydeco, que é quase um country. É nessa deliciosa mistura de estilos que os dois sapos encontram no pântano o crocodilo trompetista Louis (homenagem mais do que óbvia a Louis Armstrong, com vozes de Michael-Leon Wooley / Mauro Ramos), o vaga-lume apaixonado Ray (Jim Cummings / Márcio Simões) e partem em busca da Mama Odie (Jenifer Lewis / Selma Lopes), a maior entendedora de vodus e feitiçarias da região, e única chance dos dois voltarem a ser humanos. Apesar de continuar usando princesas, príncipes e bruxas (no caso, mestre vodu), A Princesa e o Sapo não aposta mais no velho amor à primeira vista. No início, Tiana e Naveen não se entendem. Depois de passar toda a sua vida trabalhando sem tempo para se divertir, a workaholic Tiana quer voltar logo a ser humana e realizar o sonho de seu pai. Já o bon-vivant Naveen só pensa em reassumir sua forma normal para conseguir se casar com Charlotte. O resto da história, você que já assistiu a uma comédia romância, sabe como vai se desenrolar. Mas mesmo apostando em fórmulas testadas e comprovadas, a animação dirigida por John Musker e Ron Clements (A Pequena Sereia, Alladin) vai te fazer rir (bastante), emocionar (muito) e sair do cinema feliz (pra caramba). É uma alegria nostálgica por ver que a Disney da sua infância continua criando clássicos e que gênios criativos como o do produtor John Lasseter estão sendo usados para trazer novas maneiras de contar as histórias. Benvinda, Tiana. Benvinda de volta, Disney Classic Animation. Saiba onde o filme está passando
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Perfeito


Parece ser tradicional em muitos aspectos mesmo, mas talvez seja algo positivo, especialmente quando se há uma inversão de valores em muitos longas destinados ao pequenos.
Sim, Vinicius! Isso mesmo! Abs!
Achei um filme super leve que volta à antiga forma da Disney (animações clássicas nunca deveriam sair ‘de moda’)É claro que não chega a ser melhor que as antigas, mas se destaca, talvez, por se ter um estilo que sempre remeterá a nossas infâncias de pequenos cinéfilos
Exatamente, Luis! É isso mesmo! Abs!
Será um prazer ver a Disney voltando ao gênero de desenhos que marcaram minha infância. Estou curiosa pelo filme.
Beijos!
Achei muito massa o filme, a historia um pouco com tempero brasileiro, acho que isso se deve pela protagonista ser negra. A festa de Carnaval, com uma linda homenagem ao filme da pequena Sereia com o Deus Poseidon esculpido, a floresta, os animais que habitam lembra muito algumas florestas do Brasil, a própria personagem Mama Odie lembrando as bahianas..No fim, existe todo o encantamento da disney, e fazendo mais uma homenagem a todas as outras princesas e do Bambi.através dos animais.
No site da wikipedia diz que e o ator Bruno Campos, porém se voce perceber a voz e do ator Rodrigo Lombardi, se voce digitar o nome do Rodrigo no google fazendo um link com esse filme voce verá.