Avatar
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Em 1977, o primeiro Star Wars mudou o modo de fazer cinema. Para o bem ou para o mal, a aventura estelar de George Lucas foi um marco de narrativa e, principalmente, tecnologia, merchandising e mitologia cinematográfica, fazendo a indústria passar por uma transição que abalou a visão de todos os envolvidos e apaixonados pela sétima arte do lado de lá e de cá da tela. Em 2009, Avatar (Avatar, 2009) é instituído como um marco semelhante.
A aventura estelar de James Cameron evolui a narrativa, mostrando que o 3-D é uma ferramenta para mudar a percepção e, consequentemente, a linguagem. Mais: O filme joga a tecnologia digital em outro patamar, ao criar uma câmera virtual, que reproduz personagens e o mundo fantástico imaginado pelo cineasta numa simples olhada na lente. Sem falar que Cameron ignora a onda das adaptações de quadrinhos, séries, desenhos, além de remakes e prequels, para apostar numa história original, que ninguém leu ou sabe como vai terminar. Produtos licenciados? Bom, isso não tem tanta importância para o público, mas certamente sustenta a indústria. E acho que ainda veremos muitos bonequinhos azuis nas prateleiras das lojas de brinquedos pelos próximos anos.
Para começo de conversa, Avatar significa alívio e entusiasmo para aqueles que buscam (bom) escapismo numa sala de cinema. Bastou James Cameron fazer o filme mais rentável da História para que pudesse tocar o projeto que bem entendesse, sem o venenoso controle de Hollywood, que antes de ver Avatar nas telas, certamente gostaria de ter o cineasta rodando qualquer filme baseado em HQ, só para estampar no pôster a isca “do mesmo diretor de Titanic“.
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Para fazer justiça ao filme revolucionário de Cameron, eu teria de escrever sobre Avatar até amanhã, mas levantarei somente as questões que merecem ser percebidas e respeitadas por todos os cinéfilos. Além de ser muito mais divertido que qualquer blockbuster lançado em 2009, Avatar é uma conquista cinematográfica em termos visuais. E não é nada gratuito neste quesito. Pelo contrário, tudo é muito orgânico no filme de Cameron, como se pudéssemos tocar qualquer coisa ou sentir o cheiro de tudo o que se passa na tela.
Aliado à imaginação de um novo mundo, novos personagens e novas realidades, Cameron sabe que não poderia fazer da mitologia de Avatar o seu playground pessoal, como fizeram os irmãos Wachowski, em Matrix. O segredo é básico, remete aos primóridos da sétima arte: A história precisa ser compreendida por todos. Cada um pode ter sua própria visão, claro, mas a mensagem precisa ser assimilada pela plateia. Agora, pegue tudo isso e aceite o convite de Cameron para entrar completamente no filme com um 3D jamais oferecido pelo cinema. Sem exageros, é como se estivéssemos dentro da tela.
Nunca houve uma experiência 3D como Avatar. Para os leigos, basta prestar um pouquinho de atenção na profundidade alcançada pelas lentes de Cameron em cada frame. Lembra quando Orson Welles mostrou que era possível explorar um campo visual maior e com mais profundidade de foco, em Cidadão Kane? Pois é. Agora, temos isso com o 3D. Não se trata apenas de uma nova forma de pôr a trama em cena. Com esta tecnologia, preenchendo toda a tela, Cameron destaca a própria narrativa.
A compreensão das cenas acontece conforme o espectador trabalha sua percepção, sendo obrigado a interpretar, na imagem produzida na tela, a tradução dramática da cena. Cameron coloca o espectador em um novo lugar, convidando-o a participar do processo de criação de Avatar. E o diretor facilita tudo ao fazer o espectador viajar e compreender um mundo inteiramente novo pelos olhos de seu protagonista, o marine Jake Sully (Sam Worthington), incapacitado em uma cadeira de rodas, que se redescobre no corpo de seu avatar – não vou explicar mais nada da trama, afinal não quero atrapalhar a sua experiência.
Só vou dizer que Cameron obviamente se inspira nos livros de Tolkien (O Senhor dos Anéis, O Hobbit, etc) e em Star Wars, de George Lucas, que por sua vez seguiu os mandamentos do filósofo Joseph Campbell dentro do campo da mitologia apresentada ao espectador/leitor por um homem comum, que vê sua vida virada de cabeça pra baixo ao entrar em um novo mundo, dominado por uma gigantesca luta entre o bem e o mal, onde terá papel fundamental no desfecho da guerra.
Além disso, Cameron aposta em tramas consagradas, como Pequeno Grande Homem, Lawrence da Arábia e Dança com Lobos para garantir a emoção de qualquer um que tenha coração ou daqueles que são apaixonados pela história do cinema. É, Avatar prova que James Cameron não é somente um estudioso da tecnologia explorada e desenvolvida por Meliès, Kubrick, Lucas, Spielberg e Peter Jackson, que como todos esses mágicos, põe a mão na massa. Cameron é um amante da evolução dos filmes em todos as categorias – pegando os melhores roteiros originais já feitos e condensando-os na tela em nome de uma completa imersão 100% visceral e emocional.
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Além de se inspirar em tudo o que já foi feito de bom até aqui pelo cinema, Cameron enche seu filme de temas atuais. Um deles está no título. Quem é que não passa horas na internet com novas identidades, compartilhando experiências em chats, fóruns? E quanto aos games? No filme, há uma constante sensação de conflito entre o “velho” e o “novo”, o “certo” e o “errado”.
Cameron não esquece das devastações da fauna e da flora no planeta, com suas discussões climáticas, que viraram o milênio como uma das maiores preocupações da humanidade. Em Avatar, também percebemos uma pá de cal no caixão da Era Bush, na auto-crítica americana à conquista pela força e violência, desde o massacre dos índios feito pelos exércitos ianques e os mocinhos cowboys.
De certa forma, Avatar é um western, com todas os seus significados reais, que muitos filmes esquecem, assim como os livros de História. Traduz os problemas e as manias do momento e mostra uma luz no fim do túnel, fazendo com que todos lembrem dos valores básicos da vida, que nos trouxeram até aqui.
Feito na hora certa, unindo o útil ao agradável, Avatar não deixa de ser também um triunfo de James Cameron como diretor contador de histórias, afinal nada funcionaria se a trama não emocionasse e capturasse a plateia por rápidas duas horas e quarenta e poucos minutos.
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No momento, Avatar é “apenas” um filme completo e perfeito em todos os sentidos. A equipe inteira de James Cameron está de parabéns. Mas, claro, posso estar delirando, já que o filme terminou e fiquei cinco minutos mudo, quase sem piscar. Não lembro mais quando me senti assim antes numa sala de cinema. Enfim, o tempo vai dizer se estou certo ou errado. Mas acho que testemunhamos um novo passo na história da sétima arte. Para o bem ou para o mal.
Os olhos que se abrem no início de Avatar representam a plateia acompanhando um momento de transição do cinema. Na cena final, quando os nossos “novos olhos” se abrem, todos nós, junto com James Cameron, começamos a imaginar o futuro. Por tudo isso, boa sorte com seu próximo projeto, Cameron. Você vai precisar.
Avatar (Avatar, 2009)
Direção: James Cameron
Roteiro: James Cameron
Elenco: Sam Worthington, Zoe Saldana, Stephen Lang, Sigourney Weaver, Michelle Rodriguez e Giovanni Ribisi



Perfeito


Tudo que eu tinha a dizer sobre a maravilha do Cameron escrevi no Blog, mas dá para acrescentar o texto da cinética, que diz que “em alguns anos Avatar será tão canônico quanto foram O Cantor de Jazz para o som, e O Mágico de Oz para o uso da cor”.
O filme do ano!
“Os olhos que se abrem no início de Avatar representam a plateia acompanhando um momento de transição do cinema. Na cena final, quando os nossos “novos olhos” se abrem, todos nós, junto com James Cameron, começamos a imaginar o futuro.” Acho que não há melhor definição para o filme, realmente é algo transformador e só imagino como Cameron poderá superar isso.
acho que você num vai concordar nadinha com minha opnião sobre AVATAR, otavio.
gostei da experiência visual, mas de resto, como STAR WARS, não me agradou.
É um bom filme, diria até ótimo no quesito visual, mas não é essa revolução toda não. A trama é banal em alguns momentos e não se sustenta tão bem no aspecto mitológico como o Senhor dos Anéis, que para mim é hours concours. O 3-D é uma moda, que na minha opinião vai passar logo se não evoluir mais, pois nem todos filmes são no nível de Avatar. Assisti o filme nas 3 versões: Imax, 3-D e normal. Imax foi a versão que mais me encantou, funcionando muito bem. Outro ponto negativo do 3-D é muita gente reclamando de desconforto e dor de cabeça (o que não é o meu caso) mas se torna algo preocupante e que deve ser observado caso queira durar mais que 3 verões. Abs!
Uau! Parabéns pelo texto completíssimo, Otavio. Não me resta nada além de dizer que você foi perfeito!!!
Beijos!
Que texto, em grande? Disse tudo. Parabéns.
Acho também que ‘Avatar’ é um grande divisor de águas comparando essa nova tecnologia do 3d com tudo que o cinema já nos mostrou que pode fazer. Avatar chegou para ser a grande ficção da década.
Particularmente apenas mais um do Cameron, uma experiência visual muito boa, – roteiro a parte bem fraco!
FABIO
Verdade! Aliás, o som e a cor… são linguagens ou mudanças de percepção? E quanto ao 3-D? Abs!
VINICIUS
Muito obrigado pelas palavras! Abs!
BRUNO
Eu respeito tua opinião! É assim mesmo! O que seria do azul se todos gostassem do amarelo, não? Ou algo assim… Abs!
DENIS
Bom verão pra você! Abs!
LUIS GALVÃO
Muito obrigado! Abs!
CLEBER
Eu já acho que o roteiro é muito bom para um filme de gênero, que traz muito da história do cinema nele. Mas, claro, respeito tua opinião! Abs!
KAMILA
Muito obrigado! E fiquei surpreso por você ter gostado do filme… Isso porque eu acompanhava seus comentários, que não eram nada animadores antes da estreia… hehe… Mas você sempre teve bom gosto! Bjs!
Eu tenho problemas com filmes sem “humanos”, mas vou ter q ver esse.
Hahahaha, estou curioso pra saber tua opinião sobre este filme, Cassiano. Depois volte aqui pra contar. Ok? Abs!
Vi o filme, achei os efeitos especiais de primeira,mas gante, q/é isso? A história não é lá tão original, c/ um herói(sempre do sexo masculino), um cientista bonzinho q/ morre no final(oh,contei o fim do enredo,difícil de adivinhar!), uma mocinha entre 2 pretendentes. Pelo amor de Deus! mais criatividade lord Cameron! Concordo c/ um internauta acima:Senhor dos anéis é imbatível.
RAQUEL
Bom, eu concordo que “O SENHOR DOS ANÉIS” é superior. Mas só nisso. Hehe… E seja bem-vinda ao blog. Volte mais vezes! Bjs!
Caro Otávio, obrigada pelo convite:mais uma vez estou no blog. Voltando a Avatar, o enredo foi bom, mas sua previsibilidade, como tantos outros filmes, comprometeu tal produção. Eu fiz uma previsão do que aconteceria no desfecho do filme, e acertei 80%, como tenho certeza q/ milhares de pessoas acertaram também!
Avatar é uma maravilha!
Consegue atingir o público de todas as idades. Ontem assisti pela 3ª vez em 3D e vi o filme ao lado de 2 crianças com cerca de 9 anos cada. Foi muito interessante vê-las supondo algumas coisas sobre a história (muitas coisas elas só foram entender no decorrer do filme) e principalmente elas tentando pegar algumas coisas que surgiam na projeção 3D na nossa frente (detalhe para as sementes da árvore das almas).
E melhor ainda foi ouvir as muitas palmas após o filme, numa sala lotada mesmo após as 4 semanas que o filme está em exibição.
Um feito notável, não adianta ser indiferente!
Avatar for the WIN!
RAQUEL
Eu vejo os filmes de outra forma… Não tento adivinhar o final, embora talvez eu fosse capaz de acertar o que aconteceria no fim de AVATAR. Entende? Acho que a proposta, pra mim, não é imaginar o que vira a seguir, mas entrar de cabeça no filme. Bjs!
IRADILSON
Que experiência bacana, Iradilson! Fico feliz! Criança é tudo de bom! E também torço por AVATAR nos prêmios e sua longevidade na história do cinema. Tomara que encante ainda mais essa geração (e as próximas que estão por vir). Abs!
Otávio, eu também não tento advinhar finais, mas muitos filmes são previsíveis sim, não tem como ficar indiferente a previsões.Gosto de produções q/ nos peguem de surpresa em todos os sentidos(efeitos especiais, enredos, canções, interpretações,etc.)e Cameron nesse filme pecou pela previsibilidade. Quer um exemplo de diretor que proporciona surpresas:Tarantino. Gostem ou não de seus filmes, ele sempre dirige algo inusitado do princípio ao fim.Bom não vou ficar tentando te convencer sobre nossos pontos de vista opostos de produções, já percebi q/ vc é um cinéfilo de respeito. Abraços.
RAQUEL
Respeito sua posição sobre AVATAR. Só não concordo. Cada filme é um caso diferente. E adoro Quentin Tarantino… Bjs!
Assisti Avatar hoje, e o considero melhor filme que eu já assisti em toda a minha vida. Até hoje, eu tinha uma visão completamente diferente, pensava que era um filme só para mostrar os efeitos especiais. Mas estava TREMENDAMENTE enganado. Emocionante, lindo, ótimo, eletrizante, chocante, perfeito.