A quem pertence Sherlock Holmes?

É o velho caso do “não comi e não gostei”. Mesmo antes da estreia no Brasil, que acontece nesta sexta-feira, dia 8 de janeiro, muita gente anda reclamando da “reinvenção” de Sherlock Holmes no novo filme de Guy Ritchie, com Robert Downey Jr. no papel principal. Há, porém, um detalhe importantíssimo que deve ser levado em conta: Esse Sherlock Holmes, que também tem Jude Law como Watson, saiu de uma série de HQs de Lionel Wigram, que obviamente se inspirou nos contos de Sir Arthur Conan Doyle. Enfim, não é o Holmes que você conhece.
Confesso que não gosto das reinvenções radicais de Hollywood para personagens clássicos. Como James Bond, por exemplo. Até hoje eu não consigo entender o 007 brucutu, estilo Jason Bourne, de Daniel Craig. Desculpe-me, mas aquilo é tudo, menos Bond. Pode ser bom, legal, divertido, mas não é Bond. Há uma descaracterização violenta do mito. Mas compreendo que é bom para a indústria, que consegue assim capturar a atenção da massa. Por outro lado, acredito na visão, na interpretação do diretor.
Para ficar claro: Respeito muito mais os casos de Star Trek e Batman, que conseguiram chegar ao terceiro milênio, de cara nova, com novo fôlego, respeitando as origens ou a imagem coletiva dos heróis e suas aventuras, que por sua vez saíram da mente de seus autores Gene Roddenberry e Bob Kane, respectivamente. Ainda assim, seus diretores, J.J. Abrams e Christopher Nolan, mesmo respeitando os mitos, deixaram suas marcas evidentes. São suas interpretações dos personagens e seus universos, mas jamais esquecem aqueles que vão pagar pra ver: o público.
O caso de Sherlock Holmes merece cuidado semelhante. É um ícone que vai muito além dos contos de Sir Arthur Conan Doyle. Por isso mesmo, virou domínio público. Em Londres, vários cantos remetem a Holmes. Vemos um pouco (ou muito) do detetive em pubs, teatros e hotéis. Aliás, ele “morou” na 221B Baker Street, rua que entrou para a eternidade graças às suas aventuras. Lá dentro, podemos até ver seus velhos pertences. E é neste ponto que reside o erro no agressivo pé atrás generalizado em relação ao filme de Guy Ritchie.
Ora, Holmes nunca teve uma versão definitiva para o cinema. Foram várias “leituras”, passando por atores como Basil Rathbone, Peter Cushing e há até mesmo a sátira com Gene Wilder como o “irmão mais esperto de Sherlock Holmes”. Mas jamais houve um filme definitivo, que imortalizasse sua imagem na tela grande.
Para começo de conversa, você conhece as histórias de Conan Doyle? Sabia que o clássico cachimbo de Holmes, que vem agora à sua mente, não foi descrito assim pelo autor? Sabia que o Holmes da literatura não era lá muito social? E que também era violonista e praticava esgrima e boxe? Tudo isso está no longa de Guy Ritchie.
No filme O Enigma da Pirâmide (Young Sherlock Holmes, 1985), uma aventura inocente e maravilhosa produzida por Steven Spielberg e dirigida por Barry Levinson, Holmes tinha aulas de esgrima. No de Guy Ritchie, o Holmes de Robert Downey Jr. luta boxe. Aliás, O Enigma da Pirâmide (FOTO) imaginava o encontro de Holmes e Watson, ainda estudantes, em sua primeira grande aventura, que… jamais foi escrita por Conan Doyle. Então, por que Guy Ritchie não pode imaginar seus próprio detetive? E qual seria a pergunta correta para aqueles que ainda não viram o novo filme? Bom, talvez: “Será que eu conseguirei reconhecer alguma coisa do MEU Sherlock Holmes neste filme?”
Mas caso o personagem se perca por completo, e vire um Jason Bourne, como Bond fez, então prepare o tomate. O melhor é ver para depois criticar. Ou elogiar. A mente do público precisa ficar “aberta”. Não vejo problema algum se um diretor decide modernizar uma história clássica e seus personagens, desde que mantenha a identidade de seus protagonistas. Nossos heróis devem continuar os de sempre, com algumas leves mudanças em seus hábitos, claro, afinal estamos no terceiro milênio. E não temos mais os olhos da Londres onde nasceu Sherlock Holmes.
Obs: O Sherlock Holmes das telas preferido do blog é “O Enigma da Pirâmide”. Que Sir Arthur Conan Doyle não me ouça. E descanse em paz.



Perfeito

Eu não entendo esses fãs fanáticos que não aceitam mudanças nos materiais originais. Eu acho que, se forem para o bem, as mudanças são bem vindas e este filme, em particular, tem sido bem elogiado por isso!
Além do que não imagino Guy Ritchie fazendo um filme tradicional demais. Esses fãs já deveriam estar esperando por isso!
Beijos!
“Até hoje eu não consigo entender o 007 brucutu, estilo Jason Bourne, de Daniel Craig. Desculpe-me, mas aquilo é tudo, menos Bond. Pode ser bom, legal, divertido, mas não é Bond. Há uma descaracterização violenta do mito.” Já me crucificaram por dizer algo muito parecido com isso.
Na verdade seu texto é tudo o que penso sobre as adaptações e “inovações” que, vira e mexe, o cinema (cof… hollywood…cof) adora fazer com personagens que já deram (ou dão) certo. Mas passo a discordar no momento em que você tenta defender a evidente agressividade de um persongem que (assim como o próprio Bond) impressionava pela serenidade e o ar imponente (cheio de razão). Estou, sim, com um pé atrás com o filme do Ritchie, apesar de gostar do estilo do diretor. Quer dizer que não vou me divertir? Não. Posso até adorar o filme. Mas nem por isso me satisfaz ver um personagem que tem uma das personalidades mais intrigantes da história da literatura inglesa (pra mim mundial) sofrer “mudanças” em prol do público.
Porque Holmes era um eterno curioso, ele sabia de “tudo que é útil para o porão (como ele considerava sua mente)” e fazia questão que todos soubessem disso, usaria de todos os artifícios possíveis, mas sem nunca perder aquela arrogância classuda que às vezes nos fazia odiá-lo por saber tanto.
No trailer eu percebi a arrogância reciclada de um ator que, por mais que eu considere do caralho, adora um papel de bon vivant e vai encenar esse de novo.
Independente de não ter tido sua grande estréia no cinema (o auge pra mim também é O Enigma da Pirâmide) acho que o Holmes introspectivo, soberbo e obsecado por enigmas daria um cinema bem mais interessante.
tô botando fé nesse filme. só de ter o Downey e a MacAdams já merece uma olhada.
Acho que todo fã sabe que uma adaptação para as telas requer um cuidado redrobado em qualquer aspecto. Seja recriar personagens imortais ou inserir novas tramas, o mais importante é entrar junto com o diretor e embarcar nas novas ‘faces’ do ídolo. Não é porque um filme é adaptado que seu livro preferido vai deixar de ser como você sempre imaginou, não é mesmo? Talvez falte exatamente um pouco disso na mente de todos.
Não vi “O Enigma da Pirâmide” e não sou uma conhecedora de “Sherlock Holmes”, mas não senti muita confiança no trailer do filme de Guy Ritchie, por que, para mim o Holmes dos livros não tem o “jeito” de um Jack Sparrow da vida… Vejo este pela dupla Robert & Jude.
Beijos!
Confesso que sou bem favorável a essas mudanças promovidas por filmes recentes. É necessário se adaptar ao público atual, de outra forma não haveria necessidade alguma de retornar essas histórias ao cinema.
Sou fã de Sherlock e não acho que eu vá gostar muito do filme.
Talvez eu assita, vamos ver…..
Mas tá me parecendo com o que fizeram com Constantine: pegaram um dos mais interessantes e carísmáticos personagen das HQs em todos os tempos e fizeram um lixo de filme mudando totalmente a personalidade do personagem…Esse Sherlock parece caminhar por aí, ou seja, só vai gosta quem nunca leu os livros (assom como o Constantine – não conheço um fã das HQs que tenha gostado daquilo).
Sobre o James não concordo, não acho que os filmes novos mudaram o personagem…a essência dele tá fortemente presente…realmente só vejo vejo mais realismo nos filmes novos e tirando um bond um pouquinho mais violento nada mais que sim..e estou ansioso pelo próximo…
Mayara…o Enigma da Pirâmide é 10 e ainda termina com um dos principais vilões das histórias do Sherlock…
KAMILA
Vamos ver no que isso vai dar. Só acho que as críticas ou os elogios devem aparecer somente depois da estreia de um filme. Bjs!
LUCIANO
Eu não defendo as mudanças radicais. Eu defendo é a permanência de um mito contextualizado em cada época. O processo de modernização deve existir, mas as raízes jamais devem ser esquecidas. Abs!
BRUNO
Boa dupla, né? Aliás, trio. Afinal o Jude Law também ótimo ator. Abs!
LUIS
Cada um tem sua própria visão do personagem. Agora, é a visão do Guy Ritchie. Resta saber se o filme é bom ou não. Abs!
MAYARA
Puxa, você não viu “O ENIGMA DA PIRÂMIDE”? Tente achar esse DVD o quanto antes. Tente, inclusive, ver este filme antes do novo “SHERLOCK HOLMES”. Bjs!
VINICIUS
Não acho que exista uma regra. Por exemplo, Indiana Jones voltou para o quarto filme como o Indiana Jones que nós conhecemos. Agora, se algum diretor, um dia, resolver reinventar o Indy, que seja com respeito, adaptando-o aos novos tempos, mas sem esquecer suas origens. Abs!
Ah Otávio tenho a obra completa do Sherlock e faltou vc dizer que ele era chegado num pozinho branco que hoje causa tantos problemas rsrsrs
ROBSON
Não concordamos sobre o 007 de Daniel Craig, hehe… Acho que principalmente “QUANTUM OF SOLACE” é um Jason Bourne com “talento” para conquistar a mulher que quiser, com um bom gosto para se vestir e beber. Abs!
ROBSON
Pois é… será que o pozinho está no filme de Guy Ritchie?
House MD é o troço que mais me lembra Holmes na atualidade, aliás é uma das principais influências do seriado.
Concordo contigo: sabendo renovar os personagens, porque não?
Forte abraço!
Pois é, Marcus. Precisamos olhar o lado bom das coisas, né? Abs!
Qdo vi o trailer do novo Sherlock Holmes fiquei com a impressão de ver um filme do Ritchie – só que com mais grana. Parece uma sobreposição de forças (do personagem e do diretor).Sempre concebi Holmes mais cool do que aparece no trailer – mas talvez pq meu “padrão de qualidade” tb seja O Enigma da Pirâmide.
P.S.: Lembra que Ritchie trabalhou com o Sherlock Holmes jovem, ou melhor, o ator Nicholas Rowe em “Jogos, Trapaças e Dois Canos Fumegantes”?
WELLINGTON
Rapaz, não lembro de Nicholas Rowe em “JOGOS, TRAPAÇAS E DOIS CANOS FUMEGANTES”… Obrigado por isso! Acho que vou rever o filme agora!
Aliás, fico feliz que muitos de vocês tenham visto e gostado de “O ENIGMA DA PIRÂMIDE”.
Abs!
As pessoas têm medo de mudanças. Particularmente fico um pouco irritado com isso, pois é tão simples compreender que o cinema e a literatura são mídias tão distintas. O cinema precisa se sustentar sozinho e inserir uma nova roupagem aos personagens. Isso é tão normal.
Vi ontem, vou escrever em breve, mas é tudo o que se esperava: a adaptação dos quadrinhos apresenta uma reinvenção do personagem para os público do séxulO XXI, principalmente aquele afeito a cenas de ação espetaculares balizadas pelo CGI e piadas de efeito no meio da narrativa. Feito para vender, embalado com um papel clássico, mas com gosto de brigadeiro de festa.
Aliás, a primeira metade do filme é um sonífero, ele tem problemas de ritmo e consegue conquistar o público porque cresce no final. Você sabe: a última impress´~ao é a que fica;. Se o segundo filme sair, e ter mesmo Pitt como Moriarty, as coisas podem melhorar.
Há uma brincadeira do Ritchie com o teor homossexual dos dois – ele brinca com isso deixando claro o ciúme do Holmes de que Watson deixe as aventuras de lado – mas o principal defeito do filme é uma trama fraca e ainda assim mal estruturada. Pior: o legal das aventuras é você DESVENDAR o caso junto com Holmes, como acontecia na literatura. Aqui, as poucas pistas em 1 ou 2s de imagem só servem para a montagem em estilo acelerado das conclusões do detetive lá no final. A gente se sente meio que deixado de lado. Em vez de desvendar junto, a gente só assiste ele desvendar e diz “então tá”.
Não vou dizer que não gostei. Serviu para reerguer a carreira do Ritchie, mas prefiro rever O Enigma da Pirâmide.
O Enigma da Pirâmide é o melhor filme de Holes já feito e ponto final. Quando fizerem melhor eu digo mas até agora…..
E Fábio, é literatura nas HQs rsrsrs
PEDRO
Concordo! Cinema e literatura são duas linguegans completamentes diferentes. Abs!
FABIO
Já li teu texto! Ficou ótimo! Concordo bastante contigo, mas acho que me diverti um pouco mais que você. Abs!
ROBSON
Viva “O Enigma da Pirâmide”, que ainda é o melhor filme sobre Sherlock Holmes! Abs!