Amor sem Escalas

À noite, quando todos nós voltamos para casa e as estrelas já estão brilhando no céu, aquela que mais pisca é, na verdade, a asa do avião onde está Ryan Bingham (George Clooney). Mas não se preocupe com ele, que aceita muito bem sua condição solitária, embora ele conte isso de outro modo: Como passa grande parte de sua vida em aviões e aeroportos, Bingham garante que está rodeado de pessoas o tempo inteiro. Mas só um homem frio, sem vínculos emocionais com pessoas ou, muito menos, bens materiais seria um mestre no que faz para ganhar o pão de cada dia: Demitir funcionários de grandes empresas, já que seus chefes não tem a coragem necessária para fazer este trabalho sujo. Amor sem Escalas (Up in the Air, 2009) é a história deste homem, que jamais seria lembrado se passasse por nossas vidas. É a história de um homem que qualquer um classificaria como desprezível ou insensível à primeira vista. E que seria difícil de encontrar até mesmo no escritório de sua firma, já que ele, teoricamente, não tem um escritório. Ele está em todos os lugares e, ao mesmo tempo, em lugar nenhum.
Amor sem Escalas é um filme sobre e para o nosso tempo: Desemprego, indiferença, alienação, relacionamentos à distância, ausência de compromisso, crise econômica, insensibilidade, excessos e vícios que nos distanciam da realidade marcam o universo de Ryan Bingham. Tanto tempo neste ramo fez com que ele desenvolvesse técnicas especiais para acalmar a situação do mais novo desempregado do mercado: Após dar a notícia ruim, Bingham tenta mostrar à “vítima” que há uma luz no fim do túnel. Não que ele se importe. É apenas parte do negócio. E ele é o melhor no que faz.
Ainda assim, precisa provar ao próprio chefe (Jason Bateman) que seu estilo ainda é o mais eficiente, já que uma novata ambiciosa, Natalie Keener (Anna Kendrick), mostra ao patrão que a empresa precisa se modernizar, demitindo funcionários em videoconferências – isso tiraria o último elo com a humanidade deste trabalho, porém, do ponto de vista da empresa, menos viagens pelo país significam gastos reduzidos. Bingham, no entanto, ganha uma chance de provar que o melhor modo de fazer isso é olho no olho do funcionário. Mas é obrigado a levar a jovem Natalie com ele para ensiná-la a fazer o “trabalho de verdade”.

Se seu chefe ficar convencido com o sistema defendido por Natalie, Bingham não sentiria falta exatamente de seu trabalho. É o modo de vida nômade que ele lamentaria deixar para trás. Mas poderia recomeçar, como qualquer outra pessoa que ele demite. É neste ponto que entra a verdadeira intenção do diretor Jason Reitman, de Obrigado por Fumar e Juno: Estudar o lado humano de Ryan Bingham; saber se ele já teve um coração ou se ainda terá um.
E são as mulheres que fazem Bingham ter uma chance de… tentar uma segunda chance: Em suas viagens, ele costuma encontrar, mesmo que por acaso, a misteriosa Alex (Vera Farmiga), que parece uma versão masculina de Ryan Bingham. Há também a presença de Natalie, que pode ser o Ryan Bingham do futuro. Além disso, ele precisa dar atenção às duas irmãs, que quase não vê.
Aos poucos, na companhia de todas essas mulheres, Ryan Bingham começa a ver o outro lado da moeda. De certa forma, Amor sem Escalas segue os passos de Jerry Maguire, filmaço de Cameron Crowe sobre um homem de negócios, que (re)descobre sua condição humana.

Amor sem Escalas é o segundo filme de Jason Reitman sobre a humanização de um sujeito tomado até o pescoço por um trabalho incomum. O outro é Obrigado por Fumar, com Aaron Eckhart. Será que veremos uma trilogia sobre o tema?
As duas produções seriam muito difíceis para as massas sem um cara como Jason Reitman, que pode ter a coragem de um diretor indie, mas que faz filmes para o grande público. Amor sem Escalas é o melhor exemplo de como se pode equilibrar perfeitamente drama e comédia, com respeito aos temas e problemas atuais, como foi o caso de Jerry Maguire em outra época.
Tudo muito bem traduzido para a plateia, graças a um George Clooney mais expressivo e humano; a uma sensual e enigmática Vera Farmiga, que jamais dá brechas ao espectador sobre seu “verdadeiro eu”, e uma Anna Kendrick pronta para explodir como a jovem profissional impetuosa dos dias de hoje, que só deixa a máscara cair após algumas doses de uísque. Os três entregam as melhores performances de suas carreiras.
Se Ryan Bingham terá ou não o mesmo destino feliz de Jerry Maguire, aí é melhor você conferir o filme. Mas isso tanto faz. O que o diretor Jason Reitman quer é que cada um de nós pare um pouco, neste mundo estressante, dominado por informações, e reflita sobre o que (ou quem) vale a pena nesta vida, que é muito curta. Se você já está condenado e não tem saída, pelo menos, procure o melhor final feliz possível: Prove a si próprio que tentou. E que continuará tentando. A exemplo da conclusão de Um Grande Garoto, outro filmão com Hugh Grant, “nenhum homem é uma ilha”.
Amor sem Escalas (Up in the Air, 2009)
Direção: Jason Reitman
Roteiro: Jason Reitman e Sheldon Turner (Baseado no livro de Walter Kim)
Elenco: George Clooney, Vera Farmiga, Anna Kendrick, Jason Bateman, Amy Morton, Melanie Lynskey, Danny McBride, Zach Galifianakis e J.K. Simmons



Perfeito


Belíssima crítica!
Assino embaixo em tudo!
Filme maduro e coeso e extremamente voltado para os temas atuais da socieadade americana.
Eu também gostei tanto quanto você. Acho que Farmiga chega até ser melhor que os outros dois parceiros. É um filme de época e ao mesmo tempo um filme que discute valores universais (isso é super clichê, né?), ele tem uma elegância que como você disse depois que três doses de uísque fica a vontade e mostra virtudes nos detalhes. Acho a montagem maravilhosa e o roteiro até legal, mas não merecedor daquele Globo de Ouro em cima de Bastardos – rsr
Gostei de Amor sem Escalas mas no final o ritmo cai, a trilha sonora fica muito auto-explicativa e algumas soluções para humanizar Bingham não me convenceram. Ah, e Farmiga rocks! Abs!
Parece ser irresistível.
GUSTAVO
Muito obrigado! Abs!
LUIS
Bom, em relação a BASTARDOS, fico com o filme do Tarantino. O roteiro também. Abs!
DENIS
Não concordo, mas respeito sua opinião. Abs!
WALLY
É sim. Sem dúvida alguma. Abs!
Gostei de “Amor sem Escalas”, acho que com o tempo o filme talvez fique melhor. Tem uma mensagem reflexiva muito interessante. Acho só que algumas soluções pro roteiro poderiam ter sido melhores, como o próprio final, por exemplo.
Ainda assim é um bom filme, bem sóbrio. Mas longe do burburinho todo capaz de fazê-lo ganhar o Oscar.
Gostei da sua comparação com Jerry Maguire, esse sim, filmão. hehe
Abs Otávio!
É, acho que esse é mesmo o primeiro grande filme do ano e parece já ter conquistado alguns blogueiros. Eu gostei muito, não ficaria chateado se ganhasse o Oscar, se bem que isso não é muito provável agora.
de fato, o primeiro grande filme do ano.
tb acho q não tem muita chance de oscars não. mas vamos ver o que acontece.
excelente texto!
Gostei do que escreveu Otávio, mas vamos as comuns discordâncias:
Gostei da Vera no filme, mas não acho que ela não deu brechas para sabermos o “verdadeiro eu” dela, tanto que eu matei antes dele ir procura-la. Mas talvez a culpa não seja da atriz, e sim do roteiro previsivel.
Não acho que o Reitman conseguiu incutir no espectador uma analise para cada um pensar em sua vida.
Ele atirou pra tudo quanto é lado. Alias, como ele adora fazer, ele fala do problema da jovem (Kendrick) que começa a trabalhar e já tem q “mostrar a q veio”.
Ele fala do problema das demissões, de apostarmos tudo num emprego qdo sem mais nem menos, somos demitidos.
Ele fala do problema das relações vazias, consumismo. Nossa, dá até dor de cabeça!
Ele acaba não se concentrando num problema e propondo uma discussão.
VICTOR
Parece que muitos acham o final convencional. Mas Reitman só flerta com o tradicional, entregando um final em aberto, que pode significar algo para mim e outra coisa completamente diferente pra você. Só não sei se o filme vai envelhecer com o tempo. Mas esse é o problema de vários “filmes contemporâneos”, ou como digo: “filmes calça jeans”. Abs!
VINICIUS
Acho que só vai ficar com o Oscar de Melhor Roteiro Adaptado. Mas é um belo filme. Abs!
BRUNO
Muito obrigado! Abs!
CASSIANO
Veja minhas respostas abaixo (em caixa alta):
Gostei do que escreveu Otávio, mas vamos as comuns discordâncias:
“MUITO OBRIGADO!”
Gostei da Vera no filme, mas não acho que ela não deu brechas para sabermos o “verdadeiro eu” dela, tanto que eu matei antes dele ir procura-la. Mas talvez a culpa não seja da atriz, e sim do roteiro previsivel.
“BOM, ACHO QUE ELA ESTÁ ÓTIMA. E ESSE NEGÓCIO DE ROTEIRO PREVISÍVEL É DISCUTÍVEL, PORQUE DENTRO DE SEU GÊNERO, O FILME NÃO É NEM UM POUCO CONVENCIONAL. PELO CONTRÁRIO, REITMAN PEGA VÁRIOS CAMINHOS, MAS O QUE ELE QUER É DISCUTIR O HOMEM (RYAN BINGHAM) E NÃO TODOS OS PROBLEMAS DO MUNDO QUE ESTÃO EM VOLTA DELE. ACHO QUE O ROTEIRO TEM UMA BELA ESTRUTURA, ALÉM DE ÓTIMOS DIÁLOGOS.”
Não acho que o Reitman conseguiu incutir no espectador uma analise para cada um pensar em sua vida.
“AH, EU PENSEI SIM. DE CERTA FORMA, TENHO UM POUCO (OU TALVEZ MUITO) DE RYAN BINGHAM. TALVEZ SEJA EU MESMO ESCREVENDO ISSO NO TEXTO, SEI LÁ… MAS ACHO QUE A PERSONALIDADE DO PROTAGONISTA MOSTRA MUITO DOS INDIVÍDUOS DOS TEMPOS MODERNOS”
Ele atirou pra tudo quanto é lado. Alias, como ele adora fazer, ele fala do problema da jovem (Kendrick) que começa a trabalhar e já tem q “mostrar a q veio”
“BOM, EU TRABALHO (OU JÁ TRABALHEI) COM MUITA GENTE COMO A PERSONAGEM DE ANNA KENDRICK. E É ASSIM QUE COSTUMA FUNCIONAR…”
Ele fala do problema das demissões, de apostarmos tudo num emprego qdo sem mais nem menos, somos demitidos.
“É… MAS É ASSIM QUE A VIDA É… INFELIZMENTE… E ACHO QUE O RYAN BINGHAM TEM ESSE JEITÃO PARA SE ACOSTUMAR A ESTA PROFISSÃO DESUMANA. ELE SACRIFICA SUA PRÓPRIA HUMANIDADE PARA DAR CERTO NESTE EMPREGO.”
Ele fala do problema das relações vazias, consumismo. Nossa, dá até dor de cabeça!
“É A NOSSA ÉPOCA…”
Ele acaba não se concentrando num problema e propondo uma discussão.
“ENTÃO, EU ACHO QUE NÃO HÁ PROBLEMA EM ABRIR VÁRIAS DISCUSSÕES. SÃO CAMINHOS QUE O PROTAGONISTA PERCORRE PARA SITUAR A PLATEIA NO UNIVERSO DELE. E EM SEU DRAMA. O QUE INTERESSA É A ANÁLISE DA PERSONAGEM DE RYAN BINGHAM. NÃO TUDO O QUE FOI LEVANTADO. MAS É O QUE EU ACHO, NÉ…”
Abs!
Gostei de Amor sem escalas, valeu a pena assistir pq tem uma história real, contemporânea e atuações fascinantes com Clooney e a jovem Kendrick.
Nem li o texto todo, porque vejo esta semana. E passo aqui depois para ter uma opinião concreta.
Beijos!
RAQUEL
Disse tudo! E o elenco está maravilhoso mesmo. Para mim, é o primeiro belo filme do ano. Bjs!
MAYARA
Volte sim. Quero saber tua opinião. Bjs!
Como prometido, fui assistir pensando que iria gostar, mas não imaginava que iria gostar bastante. Jason Reitman amadureceu-se com este trabalho. Se com “Juno” vimos uma história com uma temática voltada para a narrativa moderna e um clima meio indie, com “Amor sem Escalas” mostra uma história muito humana e, dai que interliga com o filme anterior do diretor, apesar das premissas diferentes. George Clooney caiu como uma luva para o papel e gostei bastante da Anna Kendrick, me identifiquei muito com a personagem dela no filme. E, mostra, como certas decisões podem mudar a vida de alguém num certo momento de nossas vidas, independente do que.
Beijos!
Exatamente, Mayara! Vc pegou o espírito!
Bjs!
Estava na dúvida, vim consultá-los. Decidi ver.
Obrigada.
VERA
Veja sem medo de ser feliz! Bjs!
Estou fazendo um trabalho científico sobre o filme “Amor sem escalas” comparado ao livro “Vida líquida” de Zygmunt Bauman. Vim aqui pra saber quais são as visões que o filme criou na cabeça de pessoas diferentes. Algo mais a acrescentar? Gostei do filme, é a nossa realidade hoje. Onde fica a individualidade de cada ser humano se ele é robotizado, manipulado e alienado pela sociedade atual?
O filme nos faz parar para pensar no quão valiosa é a vida e que temos que tomar atitudes para não desvalorizá-la.
Agradeçida!!
Parabéns pelas opiniões!
VANESSA
Desculpe-me… acho que vi seu comentário tarde demais. Espero que tenha dado tudo certo com seu trabalho. Bjs!
Bom, estou curiosa para ver o filme, um amigo indicou… Não sou a mais amante do cinema, mas tenho minhas curiosidades… Venho falar o que achei do filme…
Assisti o filme ” Amor sem escalas” para suprir algumas aulas na faculdade, e pensei que iria ser um porre.Engano meu o filme é ótimo concordo plenamente com a critica, trabalha assuntos atuais e é aquele tipo de filme que não nos cansamos de ver, por isso ja assisti mais de 5 vezes!!!
deixo aqui uma indicação de filme de quem gosta de assistir filmes relacionados so mundo dos negocios:
” Oque você faria ”
Sinopse
Sete executivos disputam uma única vaga em uma empresa. Eles chegam para o teste de seleção no mesmo dia em que Madri é movimentada devido a marchas de protesto contra a globalização e a política monetária do FMI, que realiza sua reunião no mesmo prédio em que estão. Logo os candidatos são informados que serão submetidos a uma seleção diferente, chamada de Método Grönhom. Nele o grupo é deixado a sós em uma sala, sendo promovidos vários testes via computador que têm por objetivo analisar a interação entre eles. De início todos acreditam ter total controle sobre seu comportamento e emoções, mas os jogos os colocam em situações-limite que, aliado ao fato de saberem estar sendo observados, os colocam em um nível de tensão insuportável..
agora so assistindo para saber como será o desfecho!!
filme de Marcelo Piñeyro
beijos!!
adorei o filme muito legal o papel da Alex (Vera Farmiga), ficou perfeito caiu certinho nela e o do george clooney tambem ficou muito lega!!
eu sempre vejo e revejo!!
bjss