Os sonhos de Spike Jonze

Bem antes de surpreender público, crítica e indústria com a criatividade insana de Quero ser John Malkovich (1999) e Adaptação (2002), o diretor Spike Jonze era nome conhecido entre os conhecedores de cultura pop. É só lembrar dos videoclipes mais originais e estranhos exibidos pela MTV, durante os anos 90 e a década seguinte.
São de Spike Jonze vídeos como Buddy Holly, do Weezer, Sabotage, do Beastie Boys, Weapon of Choice e Praise You, do Fatboy Slim, It’s Oh So Quiet, da Björk, e Y Control, do Yeah Yeah Yeahs. Só para citar alguns. Abastados visualmente, os vídeos marcaram época com ideias ousadas que fugiam do tradicional, explorando situações que só podem acontecer em sonhos.
No cinema desde 1999, quando lançou Quero ser John Malkovich, que lhe rendeu uma indicação ao Oscar de Melhor Diretor, Jonze, aos poucos, vai imprimindo o estilo visual e surpreendente de seus videoclipes nos filmes. Talvez esteja começando a fazer isso, somente agora, com seu novo trabalho nas telas, Onde Vivem os Monstros, que parece um filme saído de um sonho. Não há como ignorar tal sensação.
Esse delírio onírico, de certa forma, esteve presente tanto em Malkovich quanto em Adaptação, de 2002. Mas, naquela época, Jonze parecia preocupado em provar que era capaz de contar uma história com mais de três minutos e sem a ajuda de uma gravação de sucesso de grandes bandas e outros astros da música. Ainda assim, os dois longas traziam uma necessidade natural do homem em sonhar, viver outras vidas, antecipando, mesmo que sem querer (ou não), os anos que estavam por vir, com grande parte da humanidade mergulhada na internet, explorando a comunicação com o próximo de formas nunca antes testadas, ainda que sob outras identidades. É a essência de Quero ser John Malkovich, que na época, gerou discussões em torno do desejo coletivo de alcançar a celebridade, nem que fosse por alguns minutos. Mas penso que Jonze já estava seguindo sua intuição onírica. Com a colaboração, claro, de seu amigo roteirista Charlie Kaufman, que vê a arte exatamente como Jonze.
Em Adaptação, seu segundo longa, Jonze não ficou entre os diretores favoritos da Academia, mas Charlie Kaufman emplacou outra indicação por mais um roteiro criativo e genial. Nicolas Cage e Meryl Streep também foram lembrados no Oscar, mas foi Chris Cooper que levou a estatueta para casa como o melhor ator coadjuvante. Mais uma vez, Jonze entregou um filme capaz de fundir a cuca de qualquer um. Digamos que Adaptação é basicamente sobre roteiros, paixões, decepções e crises de identidade. Sobretudo, como a soma de tudo isso monta a estrutura do script mais criativo e surpreendente de todos: a nossa própria vida.
Agora, em Onde Vivem os Monstros, que demorou uma eternidade para ficar pronto (e estrear no Brasil), chegou a hora de saber como fica Spike Jonze sem os roteiros de Charlie Kaufman. Sem Jonze, Kaufman ganhou o Oscar de Melhor Roteiro Original, em 2005, por Brilho Eterno de uma Mente Sem Lembranças, dirigido pelo francês Michel Gondry. Mas ao estrear como cineasta em Sinédoque, Nova Iorque, Kaufman se enrolou todo em seu próprio roteiro. Talvez, coitado, ele apenas precise de um “tradutor” para suas loucuras criativas, como Jonze ou Gondry. Mas e quanto ao diretor de Onde Vivem os Monstros? Como ele se sai (no cinema) sem o seu amigo?
Algumas curiosidades sobre Spike Jonze
- Lance Acord é o responsável pela fotografia de seus três filmes: Quero ser John Malkovich, Adaptação e Onde Vivem os Monstros.
- É amigo pessoal do diretor David Fincher (Seven, Clube da Luta, O Curioso Caso de Benjamin Button), que como ele também veio dos videoclipes.
- Também é amigo do diretor Michel Gondry, outro nome que veio dos videoclipes. Jonze pensava em dirigir Human Nature, logo após o sucesso de Quero ser John Malkovich, mas desistiu e indicou Gondry. Foi uma atitude que ajudou a tornar o nome do colega mais conhecido em Hollywood.
- De 1999 a 2003, Spike Jonze foi casado com a atriz e diretora Sofia Coppola, de As Virgens Suicidas, Encontros e Desencontros e Maria Antonieta. Ei, pelo menos, ele teve Francis Ford Coppola como sogro.
- Ex-namorada do cineasta, Karen O., a vocalista e líder do Yeah Yeah Yeahs, banda de hits como Maps, Y Control e Zero, é a responsável pela trilha sonora hipnotizante de Onde Vivem os Monstros.
- Atuou ao lado de George Clooney e Ice Cube no ótimo (e subestimado) Três Reis, de David O. Russell, lançado nos cinemas em 1999, o mesmo ano de Quero ser John Malkovich.



Perfeito


eu gosto dos outros 2 do jonze mas esse novo… sei não, viu? só que eu ainda preciso dar uma pensada pra ver exatamente até onde eu não gostei pois tem coisas bacanas também.
Quero muito ver este filme. Está sendo bem elogiado!
Beijos!
Eu simplesmente adorei “Where The Things Wild Are”, acho que é, sem sombra de dúvida, o melhor filme de Jonze – lembrando que curti “Being John Malcovich” mas detestei “Adaptation”.
Abs!
Além dos vídeos dirigidos pelo Jonze, gostei muito de seus filmes anteriores e para mim “Onde Vivem os Monstros” é tão bom quanto. Só discordo tremendamente quanto ao Kaufman…
BRUNO
Ainda estou avaliando o resultado final de ONDE VIVEM OS MONSTROS… Ainda não sei bem o que dizer… Abs!
KAMILA
Não estreou aí? Bjs!
WEINER
Acho que o melhor é JOHN MALKOVICH, mas ainda estou digerindo ONDE VIVEM OS MONSTROS… Abs!
VINICIUS
Sei que não concorda sobre o Kaufman. Mas lembre-se que me refiro a SINÉDOQUE. Ok? Não aos outros filmes. Abs!
Jonze realizou ao menos uma obra-prima. Ele deve muito à Charlie Kaufman.
E também discordo sobre o que escrevreu sobre Kaufman, “Sinédoque, Nova York” é um dos filmes mais bonitos que já vi. Uma ode ao ser humano e à arte.
Jonze realmente tem ótimos filmes em seu currículo.
Vou vê ‘Onde Vivem os Monstros’ amanhã, e espero também uma linda obra.
WALLY
É porque gosto muito de OITO E MEIO. E o Kaufman teve a cara de pau de dizer que nunca viu o filme do Fellini em uma das entrevistas durante a divulgação de SINÉDOQUE. Abs!
LUIS
Depois vc me conta… Abs!
Otavio, bacana esse post sobre o Jonze, ele é um diretor realmente admirável. Eu gostei bastante de Onde Vivem os Monstros, mas não posso engar que o Kaufman fez falta pro Jonze ali.
Abraço.