janeiro 12th, 2010

Sempre ao seu Lado

Hachi 2
Deus do Céu, Sempre ao Seu Lado (Hachiko – A Dog’s Story, 2009) é um dos filmes mais tristes que já vi em toda a minha vida!  É uma daquelas sessões em que macho dá vexame e a mulherada acaba com todos os lenços da caixinha. Mas fique tranquilo, pois não estou entregando o final. Sei que filme de cachorro costuma sacrificar o animal em seu último ato, tudo em nome das lágrimas. Só que não é bem isso. Seus olhos ficarão cheios d’água lá pela metade do filme. E vão ficar vermelhos até a última cena.

Ok, isso quer dizer que o filme é bom? NÃO! Será que Sempre ao Seu Lado não caberia num curta-metragem? Sinceramente, é um conto que se vende sozinho para quem tem um mínimo de coração. A trama é capaz de emocionar como longa-metragem, curta, historinha pra dormir ou até mesmo em conversa de bar. Mas não. Lasse Hallström precisa de uma hora e meia para contá-la. Só que, no cinema, poderia terminar com cerca de quarenta minutos de filme. O resto poderia ser explicado naqueles famosos textos que encerram 80% dos longas. E, mesmo assim, eles estão lá, no final de Sempre ao Seu Lado. Então, por que Hallström estende seu filme exageradamente só para demonstrar a passagem de tempo, que justifca o sofrimento do protagonista? Claro, ele quer ver você, espectador, sair com a cara inchada de tanto chorar do cinema.

Hachi 1

Sempre ao seu Lado bem que poderia receber o mesmo título de um dos maiores sucessos do diretor: Minha Vida de Cachorro. Não teria feito a menor diferença. Trata-se da versão americana da produção japonesa Hachiko Monogatari, que por sua vez baseou-se em uma fantástica história real, que ganhou muita importância no Japão como significado de amor, amizade e lealdade. Tudo isso em apenas um cachorro chamado Hachiko, da raça Akita. Hoje, o cão tem até uma estátua em sua homenagem. Veja o filme e você entenderá o motivo de tanta adoração em torno de Hachiko. E a versão americana com Richard Gere, como o dono de “Hachi”, é fiel aos acontecimentos. Mas, claro, carrega em emoções mais compreensíveis para quem vive no lado ocidental do mundo.

Lasse Hallström é um ótimo contador de histórias. Consegue, geralmente, contornar temas difíceis para a massa (e a Academia) com emoções encontradas no dia-a-dia de cada um de nós. Há coisas bonitas em Sempre ao seu Lado, sem dúvida, como o personagem de Richard Gere parecendo um menino de 10 anos ao lado de Hachi, com a admiração da própria esposa (Joan Allen), além da lealdade incondicional entre o cão e seu dono, assim como as metáforas sobre o pouco tempo que temos para valorizar os grandes momentos da vida. Mas Hallström exagerou.

Talvez pudesse ter preenchido seu filme com mais cenas e diálogos capazes de desenvolver as relações familiares entre Gere e sua esposa, assim como a filha do casal, para depois, finalmente partir para a dolorosa conclusão do filme, em poucos minutos para explicar a passagem de tempo e a sensação de perda, bem como a valorização da amizade. É lindo, sobretudo triste. Faz chorar mais do que cebola cortada. Tem um cachorro sensacional, uma bela trilha composta por Jan A. P. Kaczmarek e uma trama real com total envolvimento do público. Mas se Lasse Hallström não tem a ajuda de Harvey Weinstein, nem a crítica, nem a Academia, nem os cinéfilos mais rigorosos caem nessa só por causa de lágrimas derramadas no chão.

Sempre ao seu Lado (Hachiko – A Dog’s Story, 2009)
Direção: Lasse Hallström
Roteiro: Stephen P. Lindsey (Baseado no filme Hachiko Monogatari)
Elenco: Richard Gere, Joan Allen, Cary-Hiroyuki Tagawa, Sarah Roemer, Jason Alexander e Erick Avari

Críticas . Posts