John Williams, o maestro

Os cinco grandes maestros do cinema talvez sejam Bernard Herrmann, Nino Rota, Ennio Morricone, Maurice Jarre e John Williams. Para mim, este último provavelmente seja o mais importante em minha vida como amante da sétima arte.
Os filmes que me levaram a amar o cinema foram (vistos um atrás do outro) Os Caçadores da Arca Perdida, de Steven Spielberg, e O Império Contra-Ataca, de Irvin Kershner. Ambos com trilhas compostas pelo americano John Williams, na época em que Hollywood ainda privilegiava os saudosos temas. Hoje, acho que a sétima arte tenta explorar cada vez mais a realidade e, você sabe, a vida não tem trilha sonora. Representando a manifestação da arte, os temas estão praticamente extintos e as trilhas mais elogiadas do momento só funcionam durante a exibição de um filme – são raras as vezes em que saímos do cinema assobiando.
Lembrar com carinho das composições de um verdadeiro “maestro de raiz” como John Williams é reviver a história do cinema. Indicado ao Oscar 45 vezes, desde 1968, tendo levado a estatueta para casa por Um Violinista no Telhado, Tubarão, Guerra nas Estrelas (ou Star Wars – Episódio IV: Uma Nova Esperança), E.T. – O Extraterrestre e A Lista de Schindler, ele é o compositor favorito dos cineastas Steven Spielberg e George Lucas.
Entre temas tensos e outros heróicos, muitas vezes representando a figura inocente de uma criança (ou um jovem) em busca de aventuras, John Williams acertou em cheio o coração dos cinéfilos que viram o momento de transição dos EUA – e da própria Hollywood – após a Guerra do Vietnã. Naquela época, a estima do povo americano estava lá embaixo e a indústria do cinema precisava de um reboot ou afundaria de vez. Surgiram, então, os blockbusters de Spielberg e Lucas, que salvaram Hollywood ao som dos temas de John Williams que indicavam a esperança na figura ingênua, porém destemida de jovens heróis desbravadores, como Luke Skywalker, Indiana Jones e o Roy Neary de Richard Dreyfuss, em Contatos Imediatos do Terceiro Grau. Crianças em corpos de adultos, a representação da ideia de que nunca é tarde demais para sonhar e ser feliz.
Conhecedor supremo da música no cinema, John Williams diversificou seus temas, passeando por gêneros, mas sempre mantendo sua assinatura. Homenageou Bernard Herrmann, com as batidas nervosas da trilha de Tubarão, brincou com os filmes de espionagem ao fazer uma divertida composição para Prenda-me Se For Capaz e construiu óperas inteiras em sagas eternas do cinema. Para entender, basta ouvir as trilhas dos quatro filmes da série Indiana Jones ou os seis episódios de Star Wars.

A MARCHA IMPERIAL
A esmagadora maioria de seus temas têm vida própria. Não é preciso ver o filme para apreciar a trilha de John Williams. Ele, que fez um dos últimos temas do cinema, em Harry Potter e a Pedra Filosofal, tem uma de suas composições mais famosas, a Marcha Imperial, de O Império Contra-Ataca, completando 30 anos em 2010.
Por este filme, John Williams não ganhou o Oscar de Melhor Trilha Sonora. Perdeu a estatueta de forma absurda para Michael Gore, por Fama, mas a Academia talvez tenha percebido que ele não precisava do Oscar para levar esta composição para a eternidade. Até hoje, o tema é lembrado popularmente como a “Música do Darth Vader”, mas é constantemente citada ou utilizada em diversas oportunidades dentro e fora das telas para ilustrar atos de maldade, assim como a temida chegada de uma figura maléfica ou até mesmo para anunciar maus tempos que estão por vir.
Mas O Império Contra-Ataca não tem somente esta faixa. Preste atenção na vibrante Asteroid Field, que ilustra a famosa sequência em que a Millennium Falcon, a nave de Han Solo (Harrison Ford), mergulha de forma insana em um campo de asteróides para escapar dos caças imperiais enviados por Darth Vader. Há também a bela Yoda’s Theme, que apresenta um dos personagens mais fantásticos da história recente do cinema.
AINDA NA ATIVA
Aos 78 anos, o maestro continua na ativa, principalmente compondo para o amigo Steven Spielberg – atualmente trabalhando na trilha do aguardado As Aventuras de Tintin. Alguns podem até acusá-lo de apresentar uma leve preguiça em suas últimas e pouco marcantes composições. Mas esse homem já fez tanto pelo cinema que a gente finge não perceber seus erros. E admite esperar ansiosamente por sua próxima trilha.



Perfeito

Com certeza, os temas de cinema de John Williams são inesquecíveis! Eu saía do cinema c/ a melodias de Star Wars e E.T, o extraterrestre na memória.
Suas composições são as marcas registradas de grandes e clássicas produções do cinema. Acredito q/ tão cedo não aparecerá maestro como ele.
A pergunta é: por qual razão John Williams nunca foi chamado para ser maestro de uma grande orquestra?