Lunar

2009 foi um grande ano para a ficção científica. Como todo bom exemplar do gênero, Avatar, Distrito 9 e Star Trek refletem os problemas da atualidade, mas são focados no espetáculo, oferecendo as melhores aventuras que o cinema pode produzir. Colaborando para a manutenção do gênero, como seus colegas James Cameron, Neill Blomkamp e J.J. Abrams, mas remando contra a maré que privilegia o entretenimento, o diretor Duncan Jones (filho do grande David Bowie) fez de Lunar (Moon, 2009) um retorno à ficção científica enraizada na filosofia, que não olha para o espaço e suas estrelas, mas para os mistérios do complexo universo da mente humana.
Saem tiros, explosões e o som das naves cortando o espaço, entra o barulho mais insuportável de todos para o ser humano: o silêncio. Neste momento, você começa a associar Lunar a um grande clássico do cinema, não? Não deixa de ser correto, afinal os cenários internos da estação na Lua, com suas paredes brancas estouradas pela luz, e o clima silencioso são emprestados de 2001 – Uma Odisseia no Espaço. Mas as comparações com o clássico de Stanley Kubrick param aqui. As influências para a história de Duncan Jones estão mais ligadas a Metropolis e Blade Runner.
Sam Rockwell é Sam Bell, funcionário da empresa Lunar, que está chegando ao fim do trabalho de três longos anos de mineração do Helium 3, gás existente na Lua capaz de encerrar a crise de energia na Terra. Sua única companhia é o computador Gerty (voz de Kevin Spacey). Agora, Sam Bell espera pelas duas últimas semanas de trabalho para, enfim, voltar para casa, onde reencontrará mulher e filha. Bom, se você lembrou de HAL 9000 ao ler esse parágrafo, sabe que a espera de Sam Bell não será um mar de rosas. Mas é bom prestar atenção em outros aspectos, pois o foco de Duncan Jones não é bem 2001.
Quando o protagonista de Lunar descobre o tamanho da encrenca, o diretor lança velhas perguntas no ar, como “De onde viemos?”, “Qual o sentido da vida?” ou “Para onde vamos?”. Mas ele quer mesmo é discutir sobre a opressão do patrão ao seu assalariado. Lunar é a visão sufocante do funcionário ideal de uma grande empresa. Para Duncan Jones, podemos trabalhar dobrado e mostrar o quanto somos bons nisso, mas sempre seremos descartáveis. Em seu filme, o protagonista trabalha, trabalha, mas tem prazo de validade. Para a empresa, tanto faz. Alguma ligação com os nossos tempos? Ou mera coincidência?
Ligado na história do gênero favorito de Isaac Asimov, Philip K. Dick e Arthur C. Clarke dentro do cinema, Duncan Jones não tem medo de abraçar a imperfeição e deixar claro na tela, em alguns momentos, que é marinheiro de primeira viagem no que diz respeito à comandar um longa-metragem. Aliás, os grandes jamais se intimidaram diante dos limites da tecnologia (ou da escassez de dinheiro). E como não ficar tranquilo quando seu filme ganha sentido e ultrapassa barreiras graças à voz e presença de um ator tão visceral quanto Sam Rockwell? No meio de tudo isso, há a trilha intimista de Clint Mansell, que dá o tom do pesadelo e o desespero mais ou menos kafkiano do protagonista cercado pela insanidade do mundo.
Duncan Jones só não precisava ter explicado todas as perguntas de seu filme, em uma conclusão acelerada, que em nada combina com seus dois primeiros terços. Mas, tudo bem, Sam Rockwell está lá para segurar o filme nas costas quando ele mais precisa. E nada mal para um diretor principiante, que vem de uma família de nome que lembra talento, criatividade e ousadia.
Lunar (Moon, 2009)
Direção: Duncan Jones
Roteiro: Nathan Parker
Elenco: Sam Rockwell e a voz de Kevin Spacey
Obs: O filme foi lançado diretamente em DVD no Brasil



Perfeito

Realmente, 2009 foi um excelente ano para o gênero de ficção científica. Eu, que não gosto do gênero, acabei assistindo a várias obras e dando meu braço a torcer. Quero conferir este “Lunar” e ver se vou gostar de mais uma ficção científica.
Beijos!
Estou louquinha para assistir a “Lunar”. Ele ainda não chegou na locadora que frequento, mas darei meus pulos e decorrer a outros meios… Queria muito ver este filme aparecendo mais nas premiações, principalmente Sam Rockwell.
Beijos!
Também daria três estrelas. Acho o filme ingênuo demais.
Onde vcs acharam star trek essas coisas todas??? O bonzinho e só. Distorceu muito coisa da série clássica, criou realidade alternativa pra distorcer ainda mais e tem hora que lembra um Barrados no Baile sendo em vez de Berverly hills a Enterprise. É bom mas só isso. Faltou mais seriedade.
Otávio,gostei desse filme. É a primeira vez que vejo uma ficção cientifica independente(custou 5 milhões de doláres) e foi lançada no festival de Sundance de 2009.Eu acho que o maior problema desse filme é que todas as idéias proposta não é cumprida.Concorod com você em relaçoa a conclusão acelerada e bem explicadinho.Mas é um filme digno e muito bem feito,vamos abrir o olho com Duncan Jones,ele tem talento,abraço.
KAMILA
Veja sim! Espero que goste! Bjs!
MAYARA
Sam Rockwell está ótimo no filme. Do contrário, LUNAR não teria visto a luz do dia. Bjs!
VINICIUS
Ingênuo? Hmm, o personagem é ingênuo, mas o filme? Você fala da falta de experiência do diretor? Talvez sejam imposições do estúdio… Abs!
ROBSON
Adoro o STAR TREK de JJ Abrams, sorry! E espero que o 2 chegue o quanto antes. Abs, flamenguista!
PAULO RICARDO
E Duncan Jones já está tocando outra ficção científica, com Jake Gyllenhaal, Vera Farmiga e Michelle Monaghan. Desta vez com mais grana. E tomara que passe nos cinemas daqui. Abs!
Lembro de ter lido a algum tempo uma ótima crítica a esse filme, e agora é quase obrigação eu vê (rsrs). Gosto dessa onda sci-fi, mas espero que próximo ano a coisa esfrie um pouco, afinal, já tivemos de tudo um pouco (blockbuster e mocdocumentary).
To com lista de filmes pra ver no cinema e agora chega mais um e não estou conseguindo ir ve um. Sherlock, Zumbilandia, Amor sem esclas ….. esse me chamou bastante a atenção, espero não ver só em dvd.
Otávio, nosso time será tetra e o vasco vice…de novo.
LUIS GALVÃO
Sim. É bom esfriar para preservar a qualidade e segurar as expectativas. Sou contra as tendências. Hehe… Abs!
ROBSON
Hehe, espero que o time não exagere no Carnaval. Se bem que eu acho que o Botafogo não irá para um retiro espiritual nesses dias, né? Vai é cair na folia! Mas, olha, eu prefiro mil vezes que o time se concentre para o jogo do dia 24, pela Libertadores.
Abs!
Tava muito querendo ver esse filme e não fazia ideia que o diretor é filho da lenda-viva David Bowie.
Provavelmente uma das fitas mais subestimadas dessa temporada. Não sei exatamente se sobraria uma vaga para o Rockwell em minha lista, mas “Moon” não deveria ser completamente ignorado pela maior parte das premiações.
Gostei bem mais que você. Alias, achei bem superior que “Distrito 9″, que não merecia tamanha repercussão. Sam Rockwell, alias, é um subestimado. A trilha é linda, o roteiro original e a direção, exemplar.
[****]
Ainda não vi o filme, mas pela crítica, esse quebrou o jejum de alguns anos sem bons filmes de ficção científica. Vou conferir nos cinemas hehehe!
Sensacional! Foge dos clichês, entretém e faz parar para pensar. A atuação de Sam Rockwell é divina como sempre.
Duncan Jones soube honrar o nome de talento da família Bowie.