O Fim da Escuridão

Danny Huston: "Calma, Mel! Eu só disse que você deveria voltar a dirigir filmes!"
Atrativos não faltam para o público conferir O Fim da Escuridão (Edge of Darkness, 2010). É baseado numa premiada minissérie inglesa; traz a assinatura de Martin Campbell, cineasta exageradamente elogiado após o sucesso de 007 – Cassino Royale (2006), e marca o retorno de Mel Gibson, o ator e não o diretor, às telas após um hiato de oito anos – Sinais (2002), de M. Night Shyamalan, foi seu último trabalho como astro e depois só exerceu a função de cineasta em filmes como A Paixão de Cristo (2004) e Apocalypto (2006). Porém, O Fim da Escuridão prova três coisas: Nem toda boa minissérie rende um bom filme; Martin Campbell não é essa cocada toda, e Mel Gibson deveria trabalhar como diretor.
O que esperar da volta de Gibson como ator? Uma produção extremamente comercial, claro. Mas os estúdios andam repensando seus blockbusters desde que Batman – O Cavaleiro das Trevas fez um baita sucesso. Agora, a ordem é apostar no que os entendidos chamam de “sombrio”. Só que tanto o roteiro quanto a condução da história, assim como a atuação do elenco em clima de melancolia, com o auxílio de uma fotografia escondida nas sombras e uma trilha nervosa, devem caminhar no mesmo ritmo. Em O Fim da Escuridão, Martin Campbell tenta encontrar um meio termo entre ação e suspense com uma atmosfera fúnebre que em nada combina com a narrativa. É como se Charles Bronson, em Desejo de Matar, intepretasse seu eterno justiceiro da maneira que tem de ser, com um Clint Eastwood subdesenvolvido pensando no roteiro de Sobre Meninos e Lobos, que também fala sobre um pai que perde uma filha em Boston. O resultado é um thriller esquizofrênico, confuso, decepcionante, lento, que jamais empolga ou provoca tensão. Não é lá nem cá.
E o filme começa bem. Mel Gibson é o policial Thomas Craven, da divisão de homicídios de Boston, que recebe a visita da filha (Bojana Novakovic) em sua casa, mas ela é imediatamente assassinada. O resto do filme mostra a investigação de Thomas para encontrar a verdade por trás da morte da filha. Os 10 ou 15 minutos iniciais seguram a atenção, com um ritmo lento, sem trilha sonora, mas logo lembramos que O Fim da Escuridão é um veículo para Mel Gibson brilhar. Isso não atrapalharia se estivéssemos diante de um longa assumidamente comercial, mas sua indecisão entre thriller de ação ou suspense levado a sério jogam todas as intenções no lixo. Para você ter uma ideia, o tal filme sem trilha que se apresenta no início, aperta play e dispara músicas aceleradas sem mais nem menos nas cenas de luta ou perseguição. Mas quando não há ação na tela, o filme volta a ficar em silêncio. É o samba do crioulo doido.

Martin Campbell tenta salvar o longa ao deixar evidente a caracterização depressiva de Boston, vista com os olhos pessimistas do escritor Dennis Lehane, autor de livros que renderam filmes como Sobre Meninos e Lobos e Medo da Verdade. Parece uma disputa entre anjos e demônios de carne e osso no limbo chamado Boston. Isso é reforçado pela grande vilã do filme, que é uma corporação comandada pelo próprio Diabo na Terra. Mas a indefinição entre estilos faz com que o diretor perca o rumo como motorista bêbado na estrada.
Aliás, o que são as cenas de Mel Gibson falando com a filha morta? Sei das crenças do astro e entendo que ele tenha interesse por personagens em jornadas que poderiam ser compreendidas como divinas, com o herói dividido entre o certo e o errado, enfrentando o mal encarnado. Mas o final meio O Sexto Sentido encontra Ghost – Do Outro Lado da Vida já é demais para um filme que não tem nada a ver com isso. Até entendo que a tal corporação seja pintada como uma representação do inferno, mas levar uma metáfora ao pé da letra é forçar a barra. Martin Campbell e Mel Gibson não sabem jogar xadrez com a Morte, como Ingmar Bergman faz em O Sétimo Selo.
O Fim da Escuridão até que seria aquela sessão perfeita para tirar uma bela soneca no cinema. Mas tem uma cena, lá pela metade, que faz qualquer um pular da cadeira. Você saberá qual é. Nem adianta dormir, porque é um despertador tão eficiente quanto aquele que Marty McFly faz para Doc Brown em De Volta Para o Futuro – Parte III. E quem precisa acordar urgentemente é Mel Gibson, que deveria investir mais na carreira de diretor. Já Martin Campbell parece condenado a caminhar pelo limbo do cinema por toda a eternidade.
O Fim da Escuridão (Edge of Darkness, 2010)
Direção: Martin Campbell
Roteiro: William Monahan e Andrew Bovell (Baseado na minissérie criada por Troy Kennedy-Martin)
Elenco: Mel Gibson, Ray Winstone, Danny Huston, Bojana Novakovic, Shawn Roberts e David Aaron Baker



Perfeito


Eu acho que o grande problema de “O Fim da Escuridão” é o roteiro, que é cheio de falhas e isso me incomodou profundamente. No mais, é sempre bom ver Mel Gibson em papeis assim. Ele se dá bem com esse tipo de personagem. E o Martin Campbell é ótimo diretor de ação!
Beijos!
Pelo jeito esse “Fim da Escuridão” passou longe de ser o grande retorno que esperávamos do Mel Gibson. Mas não me surpreende tanto – a história não tinha muito potencial mesmo.
JÁ VI O FILME O FIM DA ESCURIDÃO 3 VEZES E PARA MIM É UM EXCELENTE FILME. É UM DRAMA COM SUSPENSE BASTANE TOCANTE E O MEL GIBSON, COM SUA INTERPRETAÇÃO PRIMORASA FAZ COM QUE SINTAMOS TOTAL EMPATIA PELO CRAVEN. ACHO QUE SÓ QUEM TEM FILHOS PODE REALMENTE COMPREENDER.
Estava na cara que seria um filme assim, uma pena para o chamado “grande” retorno de Mel Gibson. Deve valer para ver numa “Tela Quente” da vida.
Beijos!
KAMILA
Que ação? Bjs!
VINICIUS
A história pode não ter potencial, mas sabemos que isso não quer dizer nada. Muitos diretores fazem milagres com fiapos de história. Abs!
LILIAN
É, não tenho filhos. Talvez eu entenda o filme em um futuro próximo. Se bem que eu entendo SOBRE MENINOS E LOBOS, que citei no texto. Você viu esse filme? Bjs!
MAYARA
Sabia que a primeira “Tela Quente” teve OS CAÇADORES DA ARCA PERDIDA? E a segunda teve O RETORNO DE JEDI? Pois é, a Globo tratou de banalizar sua sessão de cinema ao longo dos anos… Bjs!
Bom Carnaval a todos!
O filme só vale pela atuação de Mel Gibson. O roteiro é fraco e não vi nada de emocionante na produção. Não tenho filhos, pretendo tê-los e, em muitas outras situações me coloco no lugar dos pais e me emociono, o q/ definitivamente não aconteceu c/ esse filme!!!!!!
Gostei! E concordo! Obrigado, Raquel! Um grande beijo!
Acho difícil entender como um realizador igual a Gibson, que já assinou Paixão de Cristo e Apocalypto, por exemplo, se reduza a fazer um filme que, só para citar um ponto ridículo, termine da forma como terminou… não vou me ater ao resto, mas me passa pela cabeça o que ele pensava enquanto caminhava naquele corredor de hospital na cena final:
“Beleza, com esses milhões a mais por esse filmeco, posso financiar meu próximo filme sem ser escravo de nenhum estúdio.”
O ano tem sido de decepções para mim. Este foi uma decepção, “Um Olhar do Paraíso” é uma decepção e “Legião” é a maior das decepções. Mas isso eu deixo para lamentaqr na hora oportuna
É, Fabio, nosso Peter Jackson, hein…
Abs!