Preciosa

Preciosa (Precious: Based on the Novel Push by Sapphire, 2009) não é o primeiro, nem será o último filme sobre jovens que crescem apanhando violentamente de forma física e moral de seus tutores (e da própria vida). Também não há nada que diferencie o filme do diretor Lee Daniels de obras semelhantes. Mas, de tempos em tempos, o cinemão lança filmes como Preciosa. Nenhum mal nisso, desde que o diretor saiba usar os clichês de maneira habilidosa na narrativa; desde que a produção reflita alguns problemas do espectador na tela, sendo sincero, porém contundente na abordagem, para valorizar o drama, contando sempre com atores no melhor de suas formas. Preciosa é esse filme.
Não adianta focar na ideia de que já vimos isso antes, porque o trabalho de direção de atores coordenado por Lee Daniels é tão intenso e honesto, que chegamos a pensar que as atrizes estão interpretando a si próprias. E isso é um elogio que vale o filme. Veja o caso da protagonista Claireece “Preciosa” Jones (Gabourey Sidibe), que como a maioria das adolescentes se fecha em seu mundo particular, com sonhos coloridos escondendo a realidade cinzenta, que incluem sucesso profissional antes da entrada no mercado de trabalho e os mais belos príncipes encantados ao seu redor. Preciosa, como toda adolescente, mal encara as outras pessoas nos olhos, fala para dentro e se veste para ser diferente, embora vislumbre a vaidade. Seria fácil lembrar de uma fase da vida de cada um de nós se Preciosa não fosse negra, obesa e pobre. Pior: que sua vida dentro de casa talvez seja ainda mais dura que nas ruas ou na escola, sofrendo com agressões na carne e na alma desferidas pela própria mãe (Mo’Nique). E não termina aqui: Preciosa foi engravidada pelo pai. Não uma, mas duas vezes. E quando você acha que não há como piorar, o diretor Lee Daniels mostra que Preciosa ainda não sofreu o bastante.

Com sua personagem comendo o pão que o Diabo amassou, a atriz Gabourey Sidibe desafia a plateia ao encarar tudo com extrema naturalidade, tanto nos bons quanto nos maus momentos que acompanham a patética rotina de sua personagem; chorando ou sonhando com dias melhores. Não é apatia da atriz. Isso acontece porque Preciosa não tem base ou referência alguma em sua vida para colocar suas emoções para fora. Seus sonhos são encarados como realizações impossíveis e aceitar sua condição parece ser o caminho ideal para justificar sua existência na Terra. Eu poderia dizer que seus sonhos a mantém respirando, mas estaria mentindo. Carregando a tela de cores, Lee Daniels deixa evidente que suas ilusões são apenas delírios. Mesmo que de forma inconsciente, Preciosa, mais cedo ou mais tarde, será engolida pela vida.
Por outro lado, duas pessoas lhe estendem as mãos: sua professora, Ms. Rain (a ótima Paula Patton), e a assistente social Mrs. Weiss (uma surpreendente Mariah Carey sem glitter). São elas que jamais deixarão Preciosa desistir. Essa fagulha de esperança, que parece nunca se concretizar, fará muita gente chorar e torcer pela protagonista. Mesmo quando ela volta para casa, onde atura o monstro chamado Mo’Nique. Essa mulher simplesmente construiu uma das maiores vilãs da história do cinema. Pode acreditar: Um dia, você pode até esquecer dos detalhes do filme, mas jamais arrancará a imagem da mãe da Preciosa de sua mente.
Lee Daniels não inova, não manipula, apenas observa, tenta desvendar o coração e a mente de sua heroína (e a mãe dela). Ele sabe que, cinematograficamente, seu filme perde para histórias semelhantes, porém mais grandiosas, como A Cor Púrpura, de Steven Spielberg. Por isso, entrega Preciosa às suas talentosas atrizes. Elas fazem toda a diferença. Podemos até discordar, eu e você, que a jovem protagonista de apenas 16 anos (embora Gabourey Sidibe tenha 10 anos a mais) fatalmente seguiria os passos de sua mãe, que, bem ou mal, a educou. Consequentemente, Preciosa agiria da mesma forma maléfica com seus filhos na vida real, mas o importante é ver que, ao mesmo tempo, ela faz e não faz parte daquele mundo, sonhando acordada, ela imagina outra vida; respira.
Sem julgar seus personagens, Lee Daniels, lá no fundo, é otimista ao acreditar que sempre haverá alguém, em algum canto deste planeta cínico, pronto para dar um empurrãozinho em nossa eterna busca pela felicidade.
Preciosa (Precious: Based on the Novel Push by Sapphire, 2009)
Direção: Lee Daniels
Roteiro: Geoffrey Fletcher (Baseado no romance escrito por Sapphire)
Elenco: Gabourey Sidibe, Mo’Nique, Paula Patton, Lenny Kravitz, Mariah Carey e Sherri Shepherd
Indicado ao Oscar de Melhor Filme, Melhor Diretor (Lee Daniels), Melhor Roteiro Adaptado, Melhor Atriz (Gabourey Sidibe), Melhor Atriz Coadjuvante (Mo’Nique) e Melhor Montagem



Perfeito


Eu já tinha muita vontade de conferir “Preciosa”, porque a história me interessa, mas tinha medo de o filme ser manipulador e melodramático demais. Por isso, fico sempre muito feliz quando vejo as críticas dizendo que o Lee Daniels não pesou a mão nesse sentido.
Beijos!
KAMILA
É, não acho que Lee Daniels manipule os sentimentos da plateia ou exagere na sacarose. Mas é um bom filme, especialmente, porque o diretor deixa suas (ótimas) atrizes tomarem conta de tudo o que é visto na tela. Bjs! Bom final de semana!
Ainda que não seja um filme marcante (esperava isso depois de todos os comentários positivos da crítica), merece ser visto especialmente pelas atuações. Todas as atrizes estão muito bem, até mesmo a Mariah Carey.
O forte do filme são as atuações, por isso, o texto não fica tão melodramático como teme Kamila. Como você falou, é tão realista que parece que as atrizes estão interpretando a si mesmas, principalmente a protagonista. É um bom filme, apesar de não ser maravilhoso.
A única coisa que me incomodou em preciosa foi a montagem, que nos brinda com algumas cenas desconexas e momentos perdidos na narrativa. Do resto achei tudo brilhante. Atuações magníficas, roteito excelente e uma ótima direção de lee Daniels. 5 merecidas indicações ao oscar.
Estava muito recioso achando que o filme seria apelativo e esquemático, mas a obra se revolou realista, sincera e comovente de forma natural. Realmente adorei.
Tenho algumas diferenças com esse filme, mas não nego sua carga dramática (que me pareceu um pouco exagerada em alguns momentos). Tirando os elogios esperados de Mo’Nique, também acho que a Paula estava ótima!
Parece ótimo e também um grande soco no estômago. A conferir.
Beijos!
Mesma impressão e nota que eu dei. O filme pertence às duas, e é por elas que ele vale (e muito) ser visto.
Emocionante!!!!
Esse filme retrata a realidade de milhares de adolescentes de forma sincera, crua, s/ falsa ficção!
VINICIUS
Pois é, rapaz! Até a Mariah Carey tá bem… Quero ver a Jennifer Hudson atuar assim sem cantar… Abs!
AMANDA
Você disse tudo: Não é uma maravilha, mas as atrizes jogam o filme lá em cima! Bjs!
HUDSON
Mas a montagem é bem simples, não há nada de extraordinário aí. A Academia que viu o que ninguém viu nessa categoria. Abs!
LUIS
Sim, essa Paula Patton é muito boa atriz. Gostei dela. A Mo’Nique não vale. É Oscar! Abs!
MAYARA
Confira! Garanto que pelo menos sairá satisfeita com as atuações. Bjs!
FABIO
Exato! Só espero que elas tenham vida em Hollywood após o Oscar. Abs!
RAQUEL
Que bom que você gostou! Só me pergunto pq brasileiros não sabem fazer um filme assim… E seria possível, não? Abs!
um belo soco no estômago!
Atuações perfeitas, com destaque para o trio Gabourey Sidibe, Mo’Nique
e Mariah Carey!!
GUSTAVO
Só espero que essas atrizes tenham vida em Hollywood após PRECIOSA.
Abs!