Alice no País de Tim Burton

Os melhores filmes de Tim Burton trazem sua assinatura. Foi assim em Edward Mãos de Tesoura, Ed Wood, A Lenda do Cavaleiro Sem Cabeça e Sweeney Todd - pra mim, seu quarteto fantástico (sendo que meu favorito é Cavaleiro Sem Cabeça). E não somente pelo visual dark, gótico (ou extremamente colorido, quando o filme exige) dos cenários, figurinos, fotografia e maquiagem. Falo também da atuação do elenco, que se entrega de forma exagerada. Posso dizer circense? Bom, algo assim. Talvez seus grandes filmes não sejam levados a sério por parecerem alegorias. Eu não ligo e levo o cara muito a sério. Dentro de seu universo particular, Burton é genial. Admiro o trabalho de um diretor que é reconhecido somente por um simples olhar para a tela do cinema. É como identificar a obra de um pintor renomado.
BURTON OU DISNEY?
Nesta sexta-feira, o cinéfilo pode finalmente ver como ficou a adaptação de Burton para Alice no País das Maravilhas, baseado nos livros surreais de Lewis Carroll. Acho que o diretor tem a cara desse material e a escolha da Disney foi perfeita, mas confesso que tenho minhas dúvidas quanto ao resultado final. É só relembrar o histórico do estúdio do Mickey e resgatar um só filme dirigido por um diretor de nome. Difícil, não? A Disney é poderosa demais para ter sua marca dividida com outro grande símbolo do cinema. Até o roteiro é assinado por uma velha colaboradora do estúdio: Linda Woolverton, que escreveu A Bela e a Fera, Mulan e O Rei Leão. Não me entendam mal, porque adoro a Disney. Mas prefiro defender a liberdade artística dos diretores. Preciso ver Alice para crer. Espero estar enganado e testemunhar mais um trabalho genuíno de Tim Burton. E não algo nem lá nem cá.
ALICE ADOLESCENTE
Alice no País das Maravilhas pode ter esse título, mas o filme é uma espécie de sequência da animação clássica da Disney. É mais ou menos o que Hook – A Volta do Capitão Gancho representa para Peter Pan. Interpretada pela jovem australiana Mia Wasikowska, da série de TV In Treatment, Alice está prestes a completar 20 anos e a ser pedida em casamento numa festa. Mas a garota foge antes que isso aconteça e segue mais uma vez o alucinógeno Coelho Branco até cair mais uma vez no País das Maravilhas. Lá, ela descobre e aceita seu verdadeiro destino: Acabar com o reinado de horror da terrível Rainha de Copas (Helena Bonham Carter). Mas ela não estará sozinha nesta batalha, onde será ajudada por amigos poderosos e excêntricos, como o Chapeleiro Maluco (Johnny Depp).
ELENCO GRANDIOSO
Além de Johnny Depp, em sua sétima parceria com Tim Burton, Alice no País das Maravilhas conta com um elenco estelar, que inclui Helena Bonham Carter (Rainha de Copas), Anne Hathaway (Rainha Branca) e Crispin Glover, o eterno George McFly, como Stayne. Alguns personagens digitais são dublados por Michael Sheen, Stephen Fry, Alan Rickman e Timothy Spall.
MAIOR BILHETERIA DO ANO E 3D DUVIDOSO
Se Alice no País das Maravilhas é mais Tim Burton que Disney, ou vice-versa, pelo menos, todos os envolvidos podem sorrir por um motivo: o filme é um grande sucesso de bilheteria. É o maior do ano até o momento. Somente nos EUA, Alice já passou da marca de US$ 320 milhões. Na estreia, o filme conseguiu o feito de ser a maior abertura de todos os tempos durante a temporada de inverno. Em todo o mundo – tirando o Brasil, que só verá o filme agora -, Alice recuperou seu orçamento de US$ 200 milhões no primeiro final de semana. Mesmo assim, o filme recebeu muitas críticas negativas, enquanto o público reclamou da qualidade do 3D em comparação ao último sucesso cinematográfico que fez bom proveito da tecnologia: Avatar.



Perfeito


Mais que recriar um conto de fadas, Burton nos conduz a pensarmos sobre nossas escolhas quando estas esbarram na loucura. Em relação a estética da produção parece ser fantástica pelo trailler, com efeitos especiais incríveis e, é claro, c/ a ótima caracterização de Depp no Chapeleiro Louco.Ainda não assisti o filme, mas sou capaz de apostar q/ Depp, só p/ variar, está D+.
Pontos interessantes a se discutir após a sessão. Será que a Disney impôs mais termos ao Tim do que ele merecia? Infelizmente, acredito que sim. Porém, mesmo ‘contido’ Burton nunca me decepcionou.
Minha obra preferida dele: Sweeney Todd!
Meu favorito do Burton é “Edward Mãos de Tesoura” e tinha minhas dúvidas em relação a “Alice” depois das críticas, e muitas questionando o 3D. Mas mesmo assim, estou muito curiosa para conferir o resultado final.
Beijos!
“Edward Mãos de Tesoura” para mim é o melhor de todos, apesar de também gostar muito do cavaleiro sem cabeça.
Não gostei tanto de Johnny Depp como o chapeleiro, para mim ficou algo caricatural demais e uma sensação de mais do mesmo.
Mas, Burton consegue se impor um pouco na Disney com sua atmosfera sombria e um dilema um pouco mais forte para a bela Alice. A direção de arte é soberba, mas a história deixa a desejar. Quanto ao 3D, é fraquíssimo, não apenas comparado a Avatar, que chega a ser corvadia, tem momentos que ele esquece a tecnologia e é possível até tirar o óculos e ver a imagem sem borrões.
Ainda assim, gostei do filme. E veria novamente.
Não gostei muito do filme, mas achei o 3D BEM melhor que o de Avatar.