Como Treinar o Seu Dragão

Como Treinar o Seu Dragão (How to Train Your Dragon, 2010) é a melhor animação já feita pela Dreamworks. De fato, é a primeira que se preocupa em contar uma história sem se apoiar em referências descaradas (ou escrachadas) a grandes sucessos do cinema. É a primeira que não se concentra em protagonistas malandros, como foi o caso de Shrek, Kung Fu Panda e Madagascar. Ok, você levanta a mão e diz que Monstros Vs. Alienígenas é uma exceção, afinal é focado numa garota. Mas eu diria que todos os amigos da guria gigantesca são malandros.
Como Treinar o Seu Dragão é o primeiro trabalho do estúdio capaz de emocionar o público que vai ao cinema atrás de experiências arrebatadoras, como se fosse algo inédito. É o primeiro que pode arriscar uma briga de igual pra igual com qualquer produção da Pixar lançada na mesma temporada. A Dreamworks finalmente se desprende do passado, segue em frente e aprende a viver sem o Shrek way of life. Não me entenda mal: O ogro verde merece aplausos, contribuiu (e muito) para o nosso crescimento como cinéfilos, mas chegou a hora de virar a página. A vida é assim. Como aprenderá o mocinho de Como Treinar o Seu Dragão.
Baseado no livro de Cressida Cowell, Como Treinar o Seu Dragão é a história de Hiccup (ou Soluço), um pequeno aspirante a Viking, que sonha em caçar e matar essas criaturas aladas cuspidoras de fogo, assim como seu pai e os homens mais fortes e valentes de sua vila. Quando derruba um dos monstros por acaso – logo o mais temido deles -, o pequeno herói descobre que os homens ainda estão engatinhando em matéria de dragões e inicia uma bela amizade com a criatura.
É a velha história do jovem e inesperado herói que deixa sua vida pacata e sem sentido para trás, ganhando papel importantíssimo na guerra que definirá o destino dos dois lados do conflito. Você já viu isso várias vezes. Mas quando essa história é bem contada, não adianta, o filme fica para a eternidade. É a saga do herói que costuma dar certo (e muito) no cinema. Foi assim em Star Wars, com Luke Skywalker, Matrix, com Neo, O Senhor dos Anéis, com Frodo, Avatar, com Jake Sully, além de Harry Potter e tantos outros. Nem sempre o filme fica bom, claro, como Percy Jackson e o Ladrão de Raios, mas esse é o tipo de história que envolve o público, que se reconhece no protagonista, abandonando sua vidinha comum, sem surpresas, que é virada do avesso, colocando-o em um mundo de aventuras espetaculares, onde descobre seu “verdadeiro eu”. É a síntese do cinema escapista. Como se fôssemos destinados a realizar grandes feitos.
Reparou que nesses filmes sempre temos uma cena clássica e mágica de voo? Talvez seja o ponto em que o herói realmente percebe seu papel neste novo mundo. Ou talvez funcione como o momento em que “a ficha cai”. Lembre-se da imagem no rosto de Luke Skywalker, quando ele deixa a vida de fazendeiro para trás e embarca na Millenium Falcon para sair de Tatooine. Lembre-se do voo de Harry Potter no hipogrifo, em O Prisioneiro de Azkaban, ou do voo de Jake Sully e Neytiri, em uma das melhores cenas de Avatar. O mesmo acontece no voo da bicicleta do menino Elliott, em E.T. – O Extraterrestre. Aliás, o protagonista do clássico de Steven Spielberg também se encaixa nesse perfil de herói. Por que não? É o caso de Hiccup nos diversos voos com o dragão Fúria da Noite – especialmente na cena maravilhosa, quando ele leva a garota Astrid em sua companhia. A sequencia é de encher os olhos, desafiando até mesmo a criatividade de James Cameron no voo de Jake Sully. É uma das sequências mais belas do ano, pela riqueza de detalhes das situações pintadas por uma miscelânea de cores e cenários - uma cortesia do mestre Roger Deakins, o diretor de fotografia favorito dos Irmãos Coen, que atuou como consultor do visual de Como Treinar o Seu Dragão - totalmente conectados com a linda trilha sonora de John Powell. Por sua vez, tudo ligado à afirmação de Hiccup, que prova seu valor ao seu verdadeiro amor, com uma ajudinha básica de seu amigo dragão. Diria que é um momento sublime da animação dirigida por Dean DeBlois e Chris Sanders, os responsáveis por Lilo & Stich, da Disney.
Como Treinar o Seu Dragão é daquelas produções que crescem em cada cena no coração do espectador. Emociona em todos os sentidos da palavra. É cinema feito para criança sim, senhor, mas feito por quem entende a história da sétima arte e, mais do que isso, sabe exatamente o que o público procura numa sala escura depois de pagar por um ingresso caro. Um dos melhores elogios que posso fazer ao filme é apontar para seu principal defeito. Se é que existe uma coisa dessas.
Acho que depois de meia hora vendo Como Treinar Seu Dragão, nem percebemos que estamos diante de uma animação. Lembrar disso, no entanto, dá uma leve sensação incômoda de que a produção poderia ter sido feita com atores de carne e osso, afinal diga-me apenas um filme bom sobre dragões no mercado. Não? Nenhum? Pensando assim, será que Avatar, de James Cameron, seria um filme menor se fosse 100% animação? Como Treinar Seu Dragão seria ainda melhor se fosse um filme de verdade? Para as duas perguntas: NÃO! O que importa ainda é uma ótima história, sendo muito bem contada, que principalmente jogue o público para dentro do filme. Com ou sem óculos 3D ou telas IMAX. E será assim até o fim dos tempos.
Como Treinar o Seu Dragão (How to Train Your Dragon, 2010)
Direção: Dean DeBlois e Chris Sanders
Roteiro: William Davies, Dean DeBlois e Chris Sanders (Baseado no livro de Cressida Cowell)
Com as vozes de Jay Baruchel, Gerard Butler, America Ferrera, Jonah Hill, Christopher Mintz-Plasse, Kristen Wiig e Craig Ferguson



Perfeito


Eu fiquei muito feliz de ter seguido as recomendações para assistir a este filme. Adorei! Fui, aliás, bem surpreendida pela qualidade do longa. O personagem principal é alguém com quem nos identificamos e o longa emociona mesmo, especialmente naquele seu ato final.
Beijos!
Eu também gostei bastante desse filme, mesmo que o roteiro ainda está um pouco longe das animações mais ’sérias’ da Pixar. Mas – sem dúvidas – toda a tecnica dos vôos e da concepção dos personagens foram bem executadas e dignas de aplausos.
Com certeza uma grande animação, talvez a melhor dos últimos 3 ou 4 anos. A história é envolvente e emocionante. E, apesar do velho folhetim do herói do sexo masculino descobrindo a outra versão dos fatos, o filme consegue ser ÚNICO! Vale a pena ver mais de uma vez.
Tchê, tava sumido?
Olha só, será que a Dreamworks realmente cresceu? Eu até gosto dos seus filmes, mas a diferença para a Pixar é absurda.Bem, vou confiante conferir então.
E esse dragão me lembra um bicho que me fugiu o nome agora… =/
Saudações!
Curioso ver que essa desde já é a grande animação do ano, quando antes da estreia poucos davam alguma coisa pelo filme. “Toy Story” já tem competição no Oscar!
A melhor animação já feita pela Dreamworks? Nossa! Preciso assistí-lo com certa urgência.
Beijos!
Para mim, não é o melhor filme de animação da Dreamworks. É o melhor filme de animação já feito até a atual data.
Uma obra prima.