maio 31st, 2010

80 anos de Clint Eastwood

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Neste dia histórico de 31 de maio de 2010, Clint Eastwood completa oito décadas de existência, com 55 anos dedicados ao cinema. Ícone macho das décadas de 60, 70 e (por que não?) 80, ele é ator, produtor, diretor, músico e o segundo cowboy mais famoso das telas, perdendo a coroa somente para John Wayne. É uma lenda viva, que ainda tem muito a dizer, afinal não pára de dirigir.

Sim, um cineasta. Bater nessa tecla hoje em dia parece lugar comum, mas não custa nada lembrar às novas gerações de cinéfilos que o bom e velho Clint nasceu como ator para Hollywood. Bruto, carrancudo, grosso, direto e reto, com a sutileza de um elefante, Clint foi confundido com um autêntico canastrão. Atualmente, revendo seus filmes antigos é possível constatar naquela jovem figura um tique aqui e outro ali do bom ator respeitado que conhecemos. Mas, naquela época, convenhamos, só podia ser difícil reconhecer talento em Clint Eastwood. Então, não culpem os críticos. Culpem o tempo, a experiência, a inteligência, a dedicação, o olhar do ator observador, que diz ter aprendido tudo, e pelo jeito mais um pouco, com cineastas como Sergio Leone e Don Siegel. É… o tempo é engraçado, irônico. Alguns astros viram governadores da Califórnia. Outros viram grandes cineastas, com dois Oscars de Melhor Filme e Melhor Diretor nas mãos. 

Na humilde opinião do próprio Clint, o diretor precisa ser muito ruim para estragar tudo. Com sua voz rouca, já disse que filmes de qualidade saem da colaboração entre ótimos roteiros, bons atores 100% comprometidos e, claro, uma precisão cirúrgica na sala de edição. Desde os tempos de ator durão de faroestes como Três Homens em Conflito (1966), de Sergio Leone, ao policial Dirty Harry (Perseguidor Implacável, 1971), de Don Siegel, Clint era adorado pelo público. Mas o respeito da crítica começou a vir lentamente com a estreia na direção em Perversa Paixão (1971) – logo depois de uma elogiada atuação em O Estranho que Nós Amamos (1971), filme maravilhoso de Don Siegel.

Clint
Com a fama de cineasta rápido e econômico – filma estritamente o necessário, nem mais nem menos – Clint costuma discutir dilemas morais de personagens tentando sobreviver em um mundo de violência (física ou moral). Geralmente, aposta a salvação de seus heróis sofredores na importância da dedicação aos filhos, que poderiam, um dia, viver em um mundo sem sangue derramado de forma gratuita. Porém, antes de Barack Obama, o cineasta explorava o tema com conclusões de certa maneira pessimistas. Agora, Clint parece mais otimista, como vimos em seus últimos filmes: A Troca (2008), Gran Torino (2008) e Invictus (2009).

Na verdade, são conceitos explorados em seus melhores trabalhos por trás das câmeras. Foi assim em Os Imperdoáveis (1992), seu amargo adeus ao Velho Oeste, que lhe rendeu seus primeiros Oscars de Filme e Direção, Um Mundo Perfeito (1993), belíssimo drama subestimado, com Kevin Costner como protagonista, e As Pontes de Madison (1995), que poderia se chamar ”Os Brutos Também Amam, de Clint Eastwood”. Depois disso, até 2003, ele se preocupou em realizar produções um pouco mais comerciais como diretor, que chegavam até a agradar, mas não estavam à altura de sua filmografia por trás das câmeras. Hoje, olhar para Poder Absoluto (1997), Crime Verdadeiro (1999), Cowboys do Espaço (2000) e Dívida de Sangue, deixa a impressão que Clint queria juntar dinheiro para nunca mais se preocupar com os retornos financeiros de seus filmes.

Assim, veio ao mundo Sobre Meninos e Lobos (2003), com jeito de tapa dado com luva de pelica naqueles que pensaram que Os Imperdoáveis foi um mero “acidente”. Indicado a seis Oscars, o filme levou as estatuetas de Melhor Ator (Sean Penn) e Melhor Ator Coadjuvante (Tim Robbins) – só não ganhou novamente os Oscar de Filme e Direção porque foi o ano da consagração de O Senhor dos Anéis. Nada que não pudesse ser corrigido no ano seguinte com Menina de Ouro (2004), ou “Os Brutos Também Amam II, de Clint Eastwood”. Foram quatro Oscars, incluindo Melhor Filme e Diretor, além de uma merecida indicação como Melhor Ator para o veterano. Logo depois, voltou a ser indicado aos prêmios principais da Academia com Cartas de Iwo Jima (2006), ampliando a sensibilidade já evidente do diretor ao fazer o que ninguém fez: abordar a visão japonesa (o inimigo) de uma das batalhas mais sangrentas da Segunda Guerra Mundial. Na época com 76 anos, Clint teve fôlego para lançar nos cinemas o olhar americano do mesmo conflito: o belo A Conquista da Honra (2006). Dois filmes de guerra, em apenas um ano. Pois é.

Após oito décadas, Clint ainda enche os olhos dos cinéfilos. Que outro cineasta abordou, em sua filmografia, alguns mitos ou heróis americanos (ou de meninos) como cowboys (Os Imperdoáveis), astronautas (Cowboys do Espaço), policiais (Dirty Harry) e soldados (A Conquista da Honra)? Não é para qualquer um. Steven Spielberg chegou a dizer que Clint é um exemplo, afinal consegue fazer seus melhores filmes depois dos 70 anos.

Para Clint, o segredo é simples. Ele jura que ainda não parou de aprender. Agora, vamos ver o que a sua vida após os 80 reserva para todos nós, afinal lança, ainda neste ano, Hereafter, filme com Matt Damon e Bryce Dallas Howard, e planeja a cinebiografia de J. Edgar Hoover para 2012, provavelmente com Leonardo DiCaprio no papel principal. Vida longa ao mestre.

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