A parceria Russell Crowe/Ridley Scott

Robert De Niro/Martin Scorsese, Alain Delon/Luchino Visconti, Marcello Mastroianni/Federico Fellini, Toshirô Mifune/ Akira Kurosawa, Clint Eastwood/Sergio Leone, Alec Guinness/David Lean são alguns exemplos de parcerias clássicas no cinema. Atualmente, também podemos citar Brad Pitt/David Fincher, Penélope Cruz/Pedro Almodóvar, Leonardo DiCaprio/Martin Scorsese e… Russell Crowe/Ridley Scott. Esta última dupla apresenta Robin Hood, a quinta parceria desde 2000, iniciada com Gladiador.

GLADIADOR (2000)
Na época, o neozelandês Russell Crowe era um nome em ascensão. Três anos antes, fez bonito no baita elenco de Los Angeles – Cidade Proibida, filmão de Curtis Hanson (Quem? Pois é… Onde está esse cara?). Logo depois, dividiu as atenções de O Informante com Al Pacino. Mas foi Crowe quem recebeu indicação ao Oscar de Melhor Ator pelo grande filme de Michael Mann. E então veio a chance de protagonizar um épico romano, como não se fazia há muito tempo. Na direção, um Ridley Scott desacreditado, vindo de micos como Até o Limite da Honra. Teimavam dizer que ele não era mais o mesmo. No comando da DreamWorks, Steven Spielberg apostou em Gladiador e Russell Crowe, mas pediu um diretor de peso. Disse a Ridley Scott e aos seus produtores: “Façam o melhor filme de todos os tempos.” Bom, não chegou a tanto, mas Gladiador recebeu ótimas críticas, conquistou o público e disputou 12 categorias do Oscar, levando cinco estatuetas, incluindo Melhor Filme e Melhor Ator, para Russell Crowe. Até que o resultado foi positivo, não? E mesmo sem o Oscar de Melhor Diretor, Ridley Scott renasceu para Hollywood. No caso de Russell Crowe nem se fala. Um ano depois, já disputava mais uma vez o Oscar de Melhor Ator, por Uma Mente Brilhante. Não levou de novo porque a Academia pensou como Dunga na hora de convocar o Ganso e o Neymar.
O irônico é saber que Crowe, de cabeça quente naquela época, reclamou muito do roteiro de David Franzoni, que nem estava pronto, para Gladiador. Chegou a discutir no set com Ridley Scott, dizendo que não diria a (hoje) famosa fala “My name is Gladiator”, que ele achava ridícula. Agora, grandes amigos, Crowe e Scott estão acostumados a começar as filmagens sem um roteiro pronto. Como o diretor responsável por Alien e Blade Runner consegue trabalhar assim, eu não sei. Mas Russell Crowe aprendeu a aceitar essa condição.

UM BOM ANO (2006)
O astro e o diretor se reuniram seis anos depois. Para muitos, Um Bom Ano foi um típico “filme de férias”. Ridley Scott e Russell Crowe aproveitavam a beleza de Provença, na França, e decidiram fazer mais um filme juntos. Mas você pode me chamar de louco, porque eu adoro esse filme. Um Bom Ano não é simplesmente uma comédia romântica – talvez seja mais complexo do que aparenta. Há uma magia no ar encontrada em poucos filmes.
Tudo com uma fotografia perfeita que ilumina a França e escurece a Inglaterra, além de uma trilha sublime de Marc Streitenfeld e a presença dessa mulher linda e talentosa que é Marion Cotillard, antes de Piaf. O filme respira cinema e Ridley Scott sabe como contar uma história e orquestrar cenas visualmente irretocáveis. Se eu fosse você, daria mais uma chance ao filme.

O GÂNGSTER (2007)
Um ano depois, lá estavam Ridley Scott e Russell Crowe em um projeto muito mais ambicioso que Um Bom Ano. O foco deste filme, porém, não é o astro favorito do cineasta, mas o grande Denzel Washington. O Gângster é bom cinema, que dá voz a dezenas de personagens e aposta no poder da narrativa. Nesse ponto, as contribuições de Denzel Washington e Russell Crowe elevam a qualidade de um filme que parece que já vimos antes. O problema de O Gângster é parecer um pouco over, datado. E a trama é detalhada demais, por vezes até muito didática.
O Gângster tropeça também no que poderia ser a parte mais interessante a ser contada, que surge no final. Ridley Scott leva cerca de duas horas para chegar ao embate entre Crowe e Washington, aí resolve correr nos minutos finais e encerrar tudo com aquele bom e velho texto que explica os destinos dos personagens na última cena. São pequenos detalhes que não deixam O Gângster no patamar de clássicos como O Poderoso Chefão, Scarface, Serpico, Um Dia de Cão e Operação França. Esqueci algum? Pode ser, mas garanto que o filme em questão também supera O Gângster.

REDE DE MENTIRAS (2008)
Se O Gângster não acertou em cheio, Rede de Mentiras, feito um ano depois, errou feio. Russell Crowe é apenas coadjuvante de Leonardo DiCaprio. O filme pertence ao atual queridinho de Martin Scorsese. Mas Rede de Mentiras é confuso. Como análise do horror da guerra, que conta cadáveres de soldados para enriquecer governantes, o filme até poderia ser um complemento a Falcão Negro em Perigo ou até Cruzada, ambos de Ridley Scott. Mas o diretor não encontra o equilíbrio entre o espetáculo e a necessidade de dizer ao mundo o que está acontecendo no Oriente Médio.
Ridley Scott e Russell Crowe estavam se distanciando do público, com filmes cada vez mais pessoais. Quem sabe agora, com Robin Hood, a dupla volta a agradar?



Perfeito


Não sou dos maiores fãs dessa parceria, por isso mesmo nem tenho tanta expectativa em relação a “Robin Hood”. Você foi bondoso em algumas cotações, haha.
PÔ, Vinicius, sei que você não curte assim o Ridley Scott… Mas eu gosto pacas! Acho um dos melhores! Abs!
faltou a parceria Johnny Depp / Tim Burton!
Oi Filipe, serve o TOP 5 TIM BURTON? Quase todos com Johnny Depp: http://www.hollywoodiano.com/2010/04/os-cinco-melhores-filmes-de-tim-burton/
Abs!
Minhas cotações:
Gladiador 4/5
Um Bom Ano 3/5
O Gângster 4/5
Rede de Mentiras 3/5
É uma boa parceria, até porque Crowe é excelente ator e Scott um diretor muito ambicioso, mas ainda não fizeram nada muito ousado.
Concordo c/ sua lista sobre os filmes de Ridley Scott, Otávio,mas sinceramente, não ponho fé nesse novo “Robin Hood”!