Homem de Ferro 2

Na crítica de Homem de Ferro, em 2008, escrevi: ”Entretenimento de primeira e um deleite para os fãs do universo Marvel. O ator e diretor Jon Favreau (Zathura) fez um belo trabalho tanto para aqueles que não conhecem o herói quanto para os fãs mais exigentes. Para isso, ele contou com um roteiro competente, efeitos visuais e sonoros perfeitos, uma trilha rock n’ roll impecável e um elenco que levou um ‘filme de super-herói’ a sério, principalmente Robert Downey Jr.”
Tirando a parte técnica, Homem de Ferro 2 (Iron Man 2, 2010) perde de 10 a 0 em matéria de roteiro, direção e atuação para o filme original do mesmo Jon Favreau. Até a trilha parece mal empregada. A diferença, agora, é que a Marvel colocou suas manguinhas de fora. Diferente do primeiro filme, ninguém leva a produção a sério. Exceto a Marvel, que pensa que é séria. Homem de Ferro 2 transforma as aventuras de Tony Stark (Robert Downey Jr., a única coisa que presta neste filme) em pastiche do universo Marvel.
Fato: Quando a Marvel ganhou mais espaço em Hollywood, com cacife para mandar e desmandar em qualquer um, os filmes com sua assinatura começaram a desandar numa salada ambiciosa de confundir a cabeça dos jovens que pretendem entender como funciona a linguagem cinematográfica. Afinal, cinema não é quadrinho. Nem vice-versa. A Marvel discorda. Acha que não há limite para fazer da tela de cinema uma nova forma de se ler uma HQ de luxo.
Desde Homem-Aranha 3, de 2007, que a Marvel acha que sabe mais de cinema que os diretores. Sam Raimi, por exemplo, deu sua contribuição para Homem-Aranha 1 e 2, ambos sensacionais. Preparou o terreno, assim como Jon Favreau no primeiro Homem de Ferro. Depois a Marvel faz o que quer.
Em Homem-Aranha 3, a Marvel disse exatamente o que queria, incluindo o vilão Venom, que Raimi não gostaria de ver no filme. O resultado foi um desastre de qualidade. Agora, a Marvel decidiu recomeçar a série do zero. Demitiu Sam Raimi e o astro Tobey Maguire. Eles que se danem, certo? Afinal, o aracnídeo é sucesso garantido. Sem falar que, nos quadrinhos, cada herói é interpretado por autores e desenhistas diferentes de tempos em tempos. No cinema, a Marvel acha que é a mesma coisa. Que vai funcionar. Novamente: O que dá certo nos quadrinhos obrigatoriamente dá certo no cinema? É possível cruzar as fronteiras dos territórios de heróis como Thor, Capitão América, Hulk em um mesmo filme só para preparar o futuro longa sobre Os Vingadores? A Marvel pensa que sim.
Não me entenda mal: Eu adoro esses monstros sagrados dos quadrinhos. Mas por que será que eu gargalhei na hora em que apareceu o escudo do Capitão América “do nada” no meio de Homem de Ferro 2? Será que cresci? Será que fiquei bobo demais? Será que não sou tão fã assim? Será que prefiro cinema a quadrinhos? A Marvel não quer saber de cinema? Quer mesmo é agradar os fãs dos quadrinhos aproveitando o dinheiro fácil de Hollywood?

Não importa. Estou aqui para falar de cinema. Não de quadrinhos. Apenas dois anos depois, a Marvel entrega uma sequência infinitamente inferior ao filme de 2008, confundindo linguagem cinematográfica com quadrinhos. Homem de Ferro 2 só não é um desastre em forma de filme, como G.I.Joe – A Origem de Cobra e Transformers: A Vingança dos Derrotados, os dois piores blockbusters da última temporada, por uma razão: Robert Downey Jr. Quando ele entra em cena, o filme decola. E olha que a Marvel faz de tudo para atrapalhá-lo, pois temos vários personagens desinteressantes em cena para serem desenvolvidos – e nenhum deles sai do rascunho.
Tony Stark é desprezível, como o conhecemos no primeiro filme. Mas ao ter visto a morte bem de perto, Stark ganhou um coração mecânico, artificial que lhe deu (ironicamente) um coração. De uma hora pra outra, ele amadureceu e tentou consertar os erros que deu ao mundo: destruindo armas de destruição em massa que ajudou a criar. Ok, Homem de Ferro critica a indústria bélica. Bacana. Mas tudo o que foi construído no primeiro filme é jogado descarga abaixo em Homem de Ferro 2, já que o “coração” que mantém Stark vivo está envenenando seu sangue. Ele está morrendo e volta a ser aquele cara desprezível do início do primeiro filme. Mas tudo bem, faz parte da história. Só que seria bem dramático acompanhar seu calvário até uma possível volta por cima se não fossem os diversos coadjuvantes que pintam na tela para desviar o foco que deveria ficar no protagonista.
Sam Rockwell é Justin Hammer, rival de Stark, que se une a Ivan Vanko (Mickey Rourke). Hammer quer superar a tecnologia do Homem de Ferro e lucrar com isso. Vanko quer matar Tony Stark. Custe o que custar. Para entender suas motivações e planos, o filme precisa de tempo. Tempo que falta para conhecermos direito a nova assistente de Stark, Natasha Romanov (Scarlet Johansson). Tempo que sobra para Gwyneth Paltrow justificar sua existência reduzindo sua Pepper Potts ao alívio cômico do filme. Tempo para Don Cheadle mostrar que Terrence Howard não faz falta no papel de James Rhodes (sem entrar na polêmica discussão a respeito da troca dos atores). Tanto tempo gasto para tirar Tony Stark de cena por… muito tempo. E o que dizer do “Homem de Ferro”, que praticamente desaparece do filme até os 15 minutos finais barulhentos, que servem apenas para manter o espectador acordado?
Don Cheadle? Ok. Robert Downey Jr.? Ótimo como sempre. Faz a plateia se importar com Stark, mesmo sendo narcisista e arrogante à caminho de uma morte depressiva regada à álcool e xixi nas calças (Ops, armadura). Gwyneth Paltrow, como já disse, está ali para fazer o público rir. E isso é o mesmo que colocar o cara de My Wife and Kids pra fazer drama. Sua Pepper Potts está patética. E a decisão de “apimentar” o romance entre sua personagem e Tony Stark é de dar dó. E sono. Até porque não combina com o “andar da carruagem” deste filme. E o que dizer de Scarlett Johansson? Bonita? Gostosona? Claro. Pela milésima vez, ela faz (com méritos) esse tipo de papel. Mas se limitar a figurante – e não coadjuvante – de luxo? Scarlett, por favor, vá trabalhar com Woody Allen de novo! E Sam Rockwell? Bom ator, mas que não leva o filme a sério. Pensa que está na novela das sete quando foi escalado para a novela das oito, como Camila Morgado, em Viver a Vida. E por que Sam Rockwell tem sempre que dançar em seus filmes? Aqui, ele chega ao cúmulo de fazer passinhos ridículos ao estilo Chapeleiro Maluco de Alice no País das Maravilhas. E, bom, Mickey Rourke é uma lenda. Mas o cara passa o filme fazendo “Grrrr…”. Depois disso, o que dizer além de “agora você entendeu porque Sean Penn ganhou o Oscar e não Mickey Rourke”?

E os diálogos? “Eu quero meu pássaro!”, “Esse não é o meu pássaro!”, “Saia desse donut!” Quem escreveu essas falas, Senhor? Se estivessem em um filme de James Cameron ou Steven Spielberg, os críticos estariam massacrando. Como estão em Homem de Ferro 2, aí tudo bem, porque é bobagem mesmo. E cadê a ação? E a quebra de ritmo do filme quando Tony Stark sai de cena? Ou quando Nick Fury (Samuel L. Jackson) aparece para explicar ao protagonista sobre Os Vingadores? Acho que O Paciente Inglês é mais equilibrado, menos tedioso e muito mais dinâmico.
Ok, o filme é entretenimento? É para comer pipoca e tomar refrigerante? Então, vamos ver novamente o primeiro Homem de Ferro antes de defender esse segundo filme. Virou palhaçada. A Marvel apostou na “qualidade” de seu universo. Só. E eu sei o que significam Guerra das Armaduras e O Demônio na Garrafa, clássicos absolutos dos quadrinhos do Homem de Ferro, que serviram de inspiração para Jon Favreau e o roteirista Justin Theroux. Mas, como cinema, colocar referências não é garantia de filme bom. Ficou um lixo. Não há nem mesmo uma cena final tão legal quanto a do primeiro filme. E, nerds, não falo da cena após os créditos. Falo do momento “Eu sou o Homem de Ferro!”
Do ponto de vista infantil, se a análise de Homem de Ferro 2 deve ser feita somente com o olhar de fã, admito que sempre gostei mais da DC Comics. E melhor do que isso: Ainda bem que a Warner vai deixar Christopher Nolan fazer a continuação de O Cavaleiro das Trevas do jeito que ele quer.
Homem de Ferro 2 (Iron Man 2, 2010)
Direção: Jon Favreau
Roteiro: Justin Theroux
Elenco: Robert Downey Jr., Gwyneth Paltrow, Don Cheadle, Scarlett Johansson, Sam Rockwell, Mickey Rourke, Samuel L. Jackson, Clark Gregg, John Slattery e Garry Shandling



Perfeito


Como já não espero grande coisa do filme, seus comentários nem me deixaram tão preocupado assim, hehehe. Downey Jr. vale o ingresso, mas espero que não seja só isso. Abs!
E foi triste pra mim, Vinicius! Porque gosto muito do primeiro filme. Abs!
Como disse no meu comentário, pipoca das boas com refrigerante. E tão bom quanto o primeiro filme – até porque em muitos sentidos não veja diferenças, por exemplo, e Mickey Rourke grunindo e Jeff Bridges fazendo caretas de mau. Tem defeitos semelhantes ao primeiro filme em termos de estrutura e qualidade idem – a principal delas o Downey.
E não gargalhei com o escudo do Capitão, achei legal, como tinha achado legal a ponta do Stark no final do Hulk. É ingenuidade ignorar que os filmes da Marvel viraram uma extensão dos quadrinhos, essa junção de universos buscando grana é aguardada por quem assiste ao filme.
Em termos de blockbuster, um dos que melhor se pagaram nos últimos tempos, conseguindo inclusive manter a mesma crítica irônica do armamentismo que é a síntese do próprio personagem – o mais anti-americano de todos.
Abraço, sumido!
PS: Robin Hood foi uma decepção – sensação de que o filme termina no momento em que ele deveria ter começado, com a história tradicional. Mas isso é papo pra outra…
Acho um tanto preocupante essa avalanche de super-heróis que a Marvel está disposta a promover (com o total apoio do público, que não dá sinais de cansaço ou enjôo). Mas me diverti muito – mais nessa continuação do que no primeiro, inclusive. Talvez porque o lado lúdico da coisa tenha me chamado mais a atenção na forma como esse Stark é, de muitas formas, a projeção do que todo garoto gostaria de ser, falar e viver. É um filme que eu gostaria de ter visto quando criança, isso é certo. E considero o Favreau um diretor de ação bem fraco, então gostei da ausência dela. Mais espaço para o Downey chutar bundas.
FABIO
Andei com problemas técnicos no blog. E de saúde também. Quanto a HOMEM DE FERRO 2, você quer dizer que somente os fãs dos quadrinhos podem avaliar este filme? Eu sou fã. Mas sou muito mais fã de cinema. Ah, tô indo ver ROBIN HOOD. Depois conto.
Abs!
BRUNO
Acho que a gente pode ver filmes assim na fase… adulta. Ainda gosto de OS GOONIES, por exemplo, que continua sendo muito mais “mágico” que este HOMEM DE FERRO 2. Aliás, o próprio Jon Favreau fez algo muito mais “mágico”, que é ZATHURA.
Abs!
Nem tanto chapa, eu raramente lia esse gibi e poucas vezes peguei um dos Vingadores nas mãos. Mas me senti como se estivesse lendo uma das boas histórias daquele tempo…
Abraço
Loucura!!! Não achei que tu fosse desgostar tanto assim…
Mas aquilo que conversamos, os diálogos são mesmo feios e caretas. O filme é tão divertido e empolgante quanto um funeral ou uma sessão dupla de Jogos Mortais.
Gostei do filme, mas não achei melhor que o primeiro. È um pipocão que fez rir. Valeu pelo Downey Jr. e Rockwell.
Beijos!
não foi assim hehehe
Acho que só eu não gostei… Pelo menos o Pedro concorda! Abs a todos!
~foi uma merda no roteiro que tirou toda emoçaõ do filme eu quero ir al cinema e me difertir não fiar vendo bobagen a marveu ta pior do que uma foca drogada imtupidade merda e se comtinuar acim ela vai lançar todos os seus super heroisinhos no lixõooooooooooooo quero ver o procimo vilão do homem de ferro ja mi disserão que seria o mandarim mas imagine ai um homem de ferro lutando contra un venho fudido chei de aneu de noivado eu odei o mandarin o vilão dinha que ser ton bruto que partice aquela armadura de ferro no meiotipo o vilão do batmam bane aquilo que é vilão não é essas merdas venhas que ja cansarão de apanhar eu acho que vilão tinha que ser um viros de net que ganhou vida e abesouve armas e integra a seu cistema quenen no desenho animado seria massa pq ai sin o viros abssouve o traje do omem deferro e ele e obrigado a contruir outra mas massa ainda e maior para derrotar o vilão.