maio 18th, 2010

Procura-se Cameron Crowe desesperadamente

Cameron Crowe
Sou fã do cinema de Cameron Crowe. Não há outro diretor na atualidade que traduza tão bem aquilo que só os nossos sentidos capturam do som emitido pela música. Especialmente o rock n’ roll, gênero pelo qual ele é assumidamente apaixonado desde sempre. O cineasta de Jerry Maguire (1996) e Quase Famosos (2000), no entanto, não filma desde 2005, quando entregou Tudo Acontece em Elizabethtown, que foi malhado pela crítica. Sei que, no momento, ele trabalha em um documentário sobre o Pearl Jam, mas já está mais do que na hora de Cameron Crowe apresentar outro longa-metragem. Dane-se a crítica!

Cameron Crowe não dirige filmes como se fossem videoclipes ou míseras desculpas para demonstrar seu bom gosto musical em cenas sem profundidade dramática. Pelo contrário, seu herói é o típico ”loser”, que dá a volta por cima na vida pessoal e profissional. Mesmo apanhando da vida, canta dentro do carro, ouvindo música no volume máximo, com a janela aberta deixando o vento entrar. Ainda que pareçam fracos, seus protagonistas são densos, sendo desenvolvidos da primeira à última cena.

Além de bom diretor, Cameron Crowe é ótimo roteirista. Um mestre do roteiro, eu diria. Logo aos 15 anos, ele escreveu para a Rolling Stone. Podemos ver mais ou menos como isso aconteceu na jornada do jovem protagonista de Quase Famosos, criado por Crowe de acordo com suas próprias experiências. De música e letra, Cameron Crowe sempre entendeu. É só (re)ver este que é o seu melhor filme.

Mas está na hora de ver algo novo do diretor, afinal não estamos falando de um guitarrista ou baterista que morreu de overdose, deixando sua obra inacabada. Crowe está entre nós e faz falta nesse cinema pop de hoje, que estampa na cara a urgência de criatividade, embora negue isso pensando que o público só quer ver dezenas de sequências, remakes e reboots. Acho que apenas Jason Reitman (Obrigado por Fumar, Juno, Amor sem Escalas) consegue chegar perto do talento de Crowe em matéria de cinema de assuntos contemporâneos, de jaqueta e calça jeans, com muita música boa e diálogos espertos, porém nunca artificiais. Gosto de Reitman. Seu cinema é muito bem-vindo, mas sou muito mais Cameron Crowe. Sinto falta de seus filmes.

Não sei se lembrei de Cameron Crowe por causa dos 30 anos da morte de Ian Curtis, o vocalista do Joy Division. Imaginem Control, por exemplo, com direção de Crowe. Não. Joy Division não é bem a cara do cineasta. Talvez Aconteceu em Woodstock, que foi assinado por Ang Lee. Esse sim deveria ter sido dirigido por Cameron Crowe. Ok, sou amante do rock. Saudosista. Mas não vou reclamar de ninguém ou continuar dizendo que ele deveria ter dirigido esse ou aquele filme. Até porque Cameron Crowe talvez esteja guardando sua melhor faixa para o final do álbum.

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