Quem quer ser um bilionário?

No fim do mês de maio, Alice no País das Maravilhas atingiu a (antes rara) marca de US$ 1 bilhão nas bilheterias dos cinemas de todo o mundo. Agora, o filme de Tim Burton se junta a outros cinco colossos, que alcançaram a mesma glória: Batman – O Cavaleiro das Trevas (2008), Piratas do Caribe – O Baú da Morte (2006), O Senhor dos Anéis – O Retorno do Rei (2003), Titanic (1997) e Avatar (2009). Este último, porém, é o único a ter ultrapassado a barreira dos US$ 2 bilhões.
O êxito bilionário de Alice acontece poucos meses após a consagração nas bilheterias de Avatar, que se tornou a produção mais rentável de todos os tempos. Isso sim é assustador. Claro que vários fatores influenciaram os resultados. Um deles, talvez o principal tópico da discussão, é o preço do ingresso cobrado pelos filmes exibidos em 3-D, que é jogado lá em cima. Levando em consideração os ajustes da inflação e a onda dos filmes tridimensionais, que não termina neste verão americano, temos grandes chances de testemunharmos, ainda nesta década, um top 10 somente com produções bilionárias. Acha improvável? Seis já estão lá.
Pense que Harry Potter está chegando ao fim. E o epílogo será contado em duas partes. A primeira estreia ainda neste ano. Lembre-se que Eclipse está vindo, assim como sua conclusão, Amanhecer. Não esqueça de O Hobbit, a esperada prequel de O Senhor dos Anéis, que ainda não saiu do papel, mas ganhará vida em breve. Toy Story 3 está batendo à nossa porta. A garotada está ansiosa pelo retorno de Woody, Buzz & Cia. E será em 3-D. Sem falar que o novo Batman, talvez a continuação mais esperada de todas as franquias atuais, tem estreia marcada para 2012. Pense que George Lucas planeja o relançamento de Star Wars em 3-D.
Você pode gostar ou não deste Alice no País das Maravilhas. Pode ou não estar cansado de colocar aqueles óculos 3-D na entrada da sala de cinema. Mas, convenhamos, isso é ótimo para a indústria. Há pouco tempo, alguns sabichões profetizaram o fim de Hollywood graças à pirataria e os avanços da tecnologia para se assistir aos filmes no conforto de casa. Mas o público voltou aos cinemas.
Nessa altura do campeonato é redundante discutir se o filme de Tim Burton merece ou não. Particularmente, não gosto de Alice (leia a crítica aqui), mas quero registrar: Tim Burton merece. É um gênio do cinema, que tem aqui o seu maior sucesso. Isso quer dizer que seu espaço na indústria aumenta. Quer dizer que Burton poderá fazer o filme que bem entender em seu próximo projeto. Isso deve ser celebrado, afinal ele não tem o status e a liberdade de um Steven Spielberg, George Lucas ou James Cameron. Esses sim não dependem mais de dinheiro (ou 3-D) para mandarem e desmandarem nos estúdios. Falta só um tal de Oscar para a consagração definitiva do cinema deste visionário chamado Tim Burton.



Perfeito


Fiquei até assustado que Alice tenha alcançado tudo isso. O filme não foi muito bem visto por muita gente!
Acho que é o poder das salas 3D, misturado com boas campanhas e uma boa equipe de produção/atores.
Mesmo que seja um lixo (o que Alice não é, mas é o piorzinho da lista bilionária).
Pois é, essa marca já foi algo raro de ser alcançada, mas com a atual moda do 3D, muitos longas tem potencial para chegar à marca.
O 3D deu um novo gás ao cinema. OK que sai um Dia dos Namorados Macabro da vida, mas foi algo necessário. E, claro, como você disse, é o preço dos ingressos o principal fator para estes filmes atingirem marcas tão altas. Alice, mesmo com todas as falhas, foi bastante privilegiado por isso.
Abração!
Concordo plenamente com o Alexsandro quando ele diz que o preço do ingresso que é responsável por essas biheterias inchadas. Em se tratando de Alice então o escandaloso preço dos cinemas – que exibe o filme em 3D (já vi lugares que cobram até R$ 40 por pessoa!) se torna mais responsável ainda. Mas não acho que o 3D deu gás algum. O mês de maio foi um desastre, não fosse por Woody Allen o meu mês teria passado em branco – e nem precisou de 3D para o filme ser bom.