junho 17th, 2010

Esquadrão Classe A

A-Team
Baseado na famosa série de TV que divertiu os fãs durante cinco temporadas nos anos 80, Esquadrão Classe A (The A-Team, 2010) não apenas honra o show original com sua atmosfera saudosista na forma de conduzir a ação exagerada e o pífio desenvolvimento de personagens – apostando somente no carisma do quarteto para conquistar o público – como assume sua total falta de ambição em ajustar uma fórmula vencedora à plateia acostumada com a “realidade pé no chão” de Jason Bourne e o James Bond de Daniel Craig.

Esquadrão Classe A é – em sua essência – um filme dos anos 80, mas rodado no novo milênio, com o auxílio dos melhores efeitos digitais que os realizadores da série de TV, infelizmente, não puderam aproveitar. Está mais para a ação de longas recentes, que homenageiam a velha escola oitentista, como  Duro de Matar 4.0 e Indiana Jones e o Reino da Caveira de Cristal, que para a Trilogia Bourne. Logo nos primeiros minutos, nós ficamos sabendo disso. É pegar ou largar. Ah, quero só ver o que os detratores da cena da geladeira do último Indiana Jones irão pensar da sequência do tanque caindo de pára-quedas.

Além disso, Esquadrão Classe A chama para si a responsabilidade de ser o típico filme de ação voltado para o público masculino, como não se faz mais em Hollywood. Nos anos 80, Schwarzenegger e Stallone seriam os protagonistas perfeitos dos estúdios, mas aqui temos a sorte de contar como Liam Neeson, Bradley Cooper e o fantástico Sharlto Copley (de Distrito 9); bons atores dando credibilidade a uma diversão despretensiosa tanto para o elenco quanto para o público.

Os atores comandam o show: o Jedi Liam Neeson encarna um ótimo John “Hannibal” Smith, o líder do esquadrão – lembrando muito mais uma mistura de Han Solo com Clint Eastwood que o ator original George Peppard -, enquanto o galãzinho da vez Bradley Cooper (Se Beber, Não Case) está a vontade como o charmoso mestre em disfarces Cara-de-Pau – sendo ainda mais eficiente no papel que o ator da série (Dirk Benedict). Sharlto Copley, o excelente ator sulafricano, que merecia uma indicação ao Oscar por Distrito 9, rouba TODAS as cenas como o piloto doidão Murdock. Já a missão de Quinton Jackson, na pele do sargento B.A., era praticamente impossível, afinal não é todo dia que se encontra um substituto para Mr. T. Mas até que ele dá conta do recado.

A-Team 3
Sem deixar de lado seu estilo visual, com câmera nervosa, tremida – mas somente em cenas de luta ou correria – o diretor Joe Carnahan (Narc, A Última Cartada) acerta ao deixar a seriedade de lado, que Hollywood tanto insiste em colocar nos filmes atuais do gênero. Não há nada errado nisso, claro, mas de vez em quando é bom ver algo “antigo”. Ainda mais quando estamos rodeados de Homens de Ferros e Fúrias de Titãs.

Poderia ser melhor? Claro que sim. Faltou um roteiro mais elaborado e sobrou exagero nas explicações dos planos dos heróis, afinal Hollywood não confia na inteligência da plateia – embora isso aconteça na série, os segredos não são tão detalhados assim. Também poderíamos ter uma presença maior de dublês de carne e osso – e não pixels – nas cenas de ação. São pequenas falhas para um filme que vai fazer bonito com o público machão, que sente saudades de produtos feitos sob medida, como Rambo e Comando Para Matar. Mas tudo isso pode ser corrigido na provável sequência, que confirma o filme como uma espécie de Esquadrão Classe A Begins ou Episódio I.

Para um longa assumidamente saudosista, reparar nesses erros é como pedir para uma mulher falar mal de um filme atual com o clima das (ótimas) comédias românticas Harry & Sally e Sintonia de Amor, com uma protagonista com o jeitinho meigo e encantador da Meg Ryan daquela época.

Esquadrão Classe A (The A-Team, 2010)
Direção: Joe Carnahan
Roteiro: Joe Carnahan, Brian Bloom e Skip Woods
Elenco: Liam Neeson, Bradley Cooper, Sharlto Copley, Quinton ‘Rampage’ Jackson, Jessica Biel, Patrick Wilson, Gerald McRaney e Yul Vazquez

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