Toy Story

Ei, alguém ainda lembra de Cassiopeia, a produção brasileira que brigou na justiça pelo título de “primeira animação feita 100% em computação gráfica”? Pois é. O americano Toy Story (1995), dirigido por um certo John Lasseter, de um estúdio de animação chamado Pixar prova 15 anos mais tarde que a qualidade da tecnologia é o que menos importa. De Toy Story até aqui, a Pixar mostrou que o roteiro ainda é – e sempre será – a principal preocupação dos grandes contadores de histórias.
Quando o primeiro Toy Story chegou às telas, a Disney amargava uma pequena queda de qualidade e uma gigantesca falta de criatividade em suas animações. Depois dos sucessos de A Bela e a Fera (1991), Aladdin (1993) e O Rei Leão (1994), Pocahontas (1995) não emplacou. Se não fosse pela Pixar Animation Studios, os anos seguintes teriam provavelmente levado a Disney ao buraco.
Hoje, John Lasseter, cabeça da Pixar, tem o controle criativo de toda a área de animação da casa do Mickey Mouse. Sim, neste caso, ele também é o responsável por Bolt e A Princesa e o Sapo. Mas foi por causa de Toy Story que atualmente reconhecemos Lasseter (diretor de Toy Story 1 e 2, além de Vida de Inseto e Carros), Andrew Stanton (diretor de Procurando Nemo e WALL-E), Pete Docter (diretor de Monstros S. A. e Up), Brad Bird (diretor de Os Incríveis e Ratatouille) e Lee Unkrich (diretor de Toy Story 3 e co-diretor de Procurando Nemo e Monstros S. A.) como verdadeiros gênios do cinema moderno. Falar da sétima arte dos últimos 15 anos e ignorar os feitos da Pixar é como voltar pra escola e aprender tudo de novo.
Depois de 15 anos, rever Toy Story, logo nos primeiros segundos, transmite aos nossos olhos uma nítida sensação rápida, mas inevitável, que reconhece a evolução tecnológica da Pixar. Neste ponto, Toy Story é Branca de Neve e o Sete Anões perto de WALL-E e Up. Porém, mesmo em 1995, a primeira aventura de Woody, Buzz & Cia. já deixava Cassiopeia com cara de Steamboat Willie. Mas essa sensação desaparece em questão de segundos, porque a história é tão direta como uma flechada certeira no coração de quem já foi criança um dia.
Menino ou menina, todo mundo já teve seus brinquedos favoritos. O que a Pixar fez em Toy Story foi imaginar o ponto de vista de nossos bonecos mais queridos. Perceber o quanto eles sofrem por antecipação em datas regadas à presentes como Natal e aniversários é capaz de encher os olhos d’água, afinal sabemos o quanto gostávamos de ganhar brinquedos novos, que muitas vezes jogavam nossos velhos passatempos no fundo do baú com o acúmulo de poeira como destino. Ver Toy Story é relembrar a nossa infância. É imaginar que deveríamos ter cuidado melhor daquele boneco, que caiu, quebrou e nunca mais foi o mesmo.
Mas o “filme” – hoje é difícil reconhecer a Pixar apenas como criadora de “animações” – não é melancólico, feito para arrancar lágrimas do adulto saudosista. O mesmo tipo de espectador também ri e vibra numa montanha russa de emoções. É como voltar a brincar. Voltar a ser criança com todas as boas e más situações que vivemos naquela época.

A história você conhece: o menino Andy e sua família estão prontos para mudar de casa. Pensando na correria da mudança, sua mãe antecipa sua festa de aniversário e o presenteia com o boneco mais cobiçado pela garotada no momento, o astronauta Buzz Lightyear (voz de Tim Allen), para o desespero do até então favorito do menino, o cowboy Woody (voz de Tom Hanks).
Toy Story vai longe ao confrontar o velho e o novo. E essa dualidade atinge em cheio as emoções do espectador. Novo ou velho. A começar pelos protagonistas na disputa do coração de Andy: o cowboy e o astronauta são dois mitos das últimas fronteiras ultrapassadas e conquistadas pelos americanos. São os heróis máximos da sociedade ianque. Cada um em sua época. Não por acaso, Woody é um boneco da velha guarda. Só fala quando puxam sua cordinha. Buzz é o modelo mais avançado da tecnologia. A partir deste encontro, antagonistas se tornam melhores amigos. Unir o velho e o novo, apesar de todas as diferenças, parece um sonho impossível.
É a metáfora que impera em nossa própria existência. Não há como impedir a passagem do tempo. A infância termina e começa a vida adulta. Envelhecemos e deixamos de ser crianças. Mas… será? Se Toy Story, depois de 15 anos, não envelheceu, será que nós ficamos velhos? Talvez apenas fisicamente. Mas, por dentro, ainda somos crianças, reconhecendo e revivendo antigos hábitos. Seguindo em frente, aprendendo com o outro, como Woody e Buzz. Como a Disney e a Pixar. Porém, sem jamais esquecer aquilo que somos.
Toy Story (Toy Story, 1995)
Direção: John Lasseter
Roteiro: Joss Whedon, Andrew Stanton, Joel Cohen e Alec Sokolow
Com as vozes de Tom Hanks, Tim Allen, Don Rickles, Jim Varney, Wallace Shawn, John Ratzenberger, Annie Potts, John Morris, Erik Von Detten, Laurie Metcalf, R. Lee Ermey e Sarah Freeman



Perfeito


Vou ver Toy Story 3 amanhã com mais coisas boas em meu coração graças a este seu texto cheio de verdade.
Lindo!
MAYARA
Muito obrigado! Temos encontro marcado com a Pixar amanhã! Bjs!
Pois é, desde o primórdio a Pixar já demonstrava todo seu talento em criar roteiros inteligentes e criativos. Adoro Toy Story, e por mim existiria muito mais continuações. rs
Pois é, Luis! Eu já acho que TOY STORY 1 e 2 formam um único filme. Uma obra-prima. Vamos ver como o 3 vai funcionar, né? Sozinho e como série.
Abs!
Este filme é simplesmente maravilhoso. Adorei! Beijos!
Como li em algum blog, a impressão que dá é que a Pixar esperou que o público daquele primeiro Toy Story crescesse para que fosse lançado o terceiro filme. Com isso, tudo estaria mais à flor da pele, tudo emocionaria mais. A Pixar é imbatível em animações e, como você disse, o seu diferencial é o roteiro. Não adianta fazer chover hamburguer se não há algo realmente tocante e interessante no roteiro. A cada lançamento da Pixar a gente espera um novo clássico e, quando isso não acontece, nos deparamos, no mínimo, com uma das melhores animações já produzidas.
Assistirei ao filme nesse fim de semana. Acredito que terá o mesmo encanto e qualidade dos outros 2. “Toy Story” já é um grande clássico do cinema.