junho 18th, 2010

Toy Story 2

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Depois de Toy Story (1995) e Vida de Inseto (1998), a Pixar lançou sua primeira sequência, que  também seria a única, mas as continuações de Monstros S.A. (2001) e Carros (2006) estão a caminho. Em Toy Story 2 (1999), não há mais a preocupação de apresentar os personagens principais, embora haja tempo de sobra para introduzir três novos coleguinhas na turma original. Assim, os magos da Pixar puderam se dedicar a uma aventura mais completa e empolgante, de tirar o fôlego – físico e emocional – daqueles que amam e compreendem esses personagens. Mas o drama extraído da sensação de nostalgia, de que um dia já fomos crianças, ainda continua lá.

Para encontrar esse equilíbrio perfeito, a trama separa os protagonistas Woody (voz de Tom Hanks) e Buzz (voz de Tim Allen). Os brinquedos ficam sozinhos em casa e o cowboy é “sequestrado” por um colecionador. Sem outra alternativa, Buzz e o resto dos bonecos partem em busca do líder do grupo. A história ganha duas linhas narrativas – dominadas por tons distintos – que irão se cruzar no final em grande sintonia.

A jornada de Buzz à procura do amigo é extremamente acelerada, recheada de bom humor, reservando tempo até mesmo para homenagens sutis a clássicos do cinema de aventura, como Star Wars e Jurassic Park. São filmes que inspiram esse segmento da trama. Lembra dos minutos finais do primeiro Toy Story, quando Woody e Buzz perseguem o caminhão a toda velocidade? Esse clima tenso é consequência da maior diversão que Hollywood pode proporcionar, como as melhores cenas das aventuras de Indiana Jones ou o clímax do De Volta Para o Futuro original.

Já a parte dedicada a Woody, que descobre sua verdadeira origem, remete ao clima que domina o primeiro filme: a emoção saudosista. Lembra que todos nós crescemos e esquecemos nossos brinquedos. Os momentos mais emocionantes vêm acompanhados das belas canções de Randy Newman – seja com You’ve Got a Friend in Me, tocando ao fundo, bem longe, para ilustrar a decepção de Buzz no fim do filme, ou com When She Loved Me, na voz da Sarah McLachlan, na sequência mais triste dos 2 filmes juntos. Quem foi criança entende.

Toy Story 2_2

Essa mudança de tom do segundo para o primeiro filme foi essencial. O Toy Story original é um marco do cinema. É revolucionário. Continuar a saga significava assumir um risco talvez desnecessário – é só reparar como a Pixar sobreviveu sem fazer sequências de seus maiores sucessos durante todos esses anos -, afinal isso poderia decretar a morte criativa de Toy Story. Mas não é o que acontece nessa segunda parte. O equilíbrio entre o existencialismo dos brinquedos e a leveza de cada personagem ainda existe.

Dividir as tramas de Woody e Buzz foi uma jogada de mestre para evolução narrativa da série, que chega a um final que serve de complemento essencial para o primeiro Toy Story. Bons exemplos são O Poderoso Chefão – Parte II e Batman – O Cavaleiro das Trevas, que fecham um ciclo em suas histórias. Hoje, é praticamente impossível separar Toy Story 1 e 2. Como as duas sagas citadas acima, formam apenas um filme. Uma obra-prima sobre infância, amadurecimento, solidão, morte e, mais do que tudo, amizade verdadeira e incondicional.


Toy Story 2
(Toy Story 2, 1999)
Direção: John Lasseter (Co-direção de Ash Brannon e Lee Unkrich)
Roteiro: Andrew Stanton, Rita Hsiao, Doug Chamberlin, Chris Webb
Com as vozes de Tom Hanks, Tim Allen, Joan Cusack, Kelsey Grammer, Don Rickles, Jim Varney, Wallace Shawn, John Ratzenberger, Annie Potts, John Morris, Erik Von Detten, Laurie Metcalf e R. Lee Ermey

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