julho 6th, 2010

Maradona por Kusturica

Maradona By Kusturica
Para o Brasil – e grande parte do mundo - Pelé é o “Rei do Futebol”. Mas Édson Arantes do Nascimento, o homem de carne e osso, não é unanimidade na boca do povo. Na Argentina, Maradona não é “apenas” o melhor jogador de todos os tempos. Perfeito ou não como homem, e não mito, ele é simplesmente Deus. Lá, alguns fãs do jogador chegaram ao cúmulo de cultuá-lo na chamada “Igreja Maradoniana”, que promove até mesmo cerimônias de casamento dentro das quatro linhas do gramado.

O documentário do cineasta bósnio Emir Kusturica, no entanto, não segue o óbvio, tentando desvendar o homem por trás do mito. Trata-se da visão do diretor compreendendo a adoração argentina: Diego Armando Maradona é apenas um. O que se vê ao redor do ídolo – do fanatismo exacerbado ao mais simples dos atos realizados por seus admiradores – representa o verdadeiro Maradona. É como a frase de Charles Baudelaire que abre o filme, “Deus é o único Ser que, para reinar, não precisa existir.”

Além disso, Kusturica aproveita o terreno e a figura imortal do ídolo para destilar veneno contra os EUA – na época, de Bush – e a Inglaterra – de Tony Blair. O diretor abre as portas para Maradona elogiar Fidel Castro e criticar os líderes globais, enquanto repete exaustivamente o que ele chama de “O Gol do Século”, com o jogador argentino driblando meio time inglês na Copa de 86. Um golaço que age como uma rajada de balas. Como diz o próprio cineasta, “Se não tivesse jogado futebol, Maradona teria sido um revolucionário.”

Maradona por Kusturica (2008)
Direção e roteiro: Emir Kusturica

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