O efeito Kathryn Bigelow

Em março deste ano, Kathryn Bigelow ganhou status de lenda em Hollywood. Foi a primeira mulher a pôr as mãos no Oscar de Melhor Direção, entrando para um seleto, porém ilustre grupo formado até então por homens. É claro que ninguém acreditou que as mulheres dominariam a indústria da noite para o dia. Mas sua vitória deu sinal verde para uma nova geração.
Pouco a pouco, o Oscar de Kathryn Bigelow pode mudar o cenário. Mas, queira ou não, uma participação maior de diretoras em projetos cobiçados continua dependendo de dois fatores independentes do sexo do cineasta: resultado nas bilheterias e prêmios. Este último consolidou no mercado – bem antes de Kathryn Bigelow conquistar seu respeito – um nome que é hoje admirado por quase todo mundo que respira cinema. Falo de Sofia Coppola, que faturou o Oscar de Melhor Roteiro Original, por Encontros e Desencontros, deixando para trás qualquer implicância com a imagem exagerada de filhinha de papai que arruinou O Poderoso Chefão – Parte III. Isso bem antes de Guerra ao Terror.
O sucesso de Sofia provou que as mulheres podem (e devem) brigar por mais espaço na indústria. Antes dela, Hollywood já aproveitava os talentos de Nancy Meyers e Nora Ephron no circuito comercial. Barbra Streisand então jamais foi levada a sério. Mas Sofia mostrou que a mulher é capaz de dirigir filmes “sérios”, “maduros”, ideais para representar bem a indústria na época das premiações. Ela abriu um caminho, que foi consagrado pelo Oscar de Kathryn Bigelow.
A cineasta responsável por Guerra ao Terror carregará para sempre o rótulo de “primeira mulher a receber um Oscar de Direção”. E essa imagem é certamente mais forte que a vitória de Sofia Coppola lá atrás, em 2004. A indústria, no entanto, só tem a ganhar. Antes, só a Europa exportava “mulheres sérias” para a função, como Jane Campion e Lina Wertmüller. Agora, somente neste ano, os olhares estão voltados para duas diretoras americanas, que já estão com seus respectivos filmes na rota das principais premiações de Hollywood: Debra Granik, por Winter’s Bone, e Lisa Cholodenko, por The Kids Are All Right. Sem falar no novo filme de Sofia Coppola, Somewhere.
Ainda tem chão pela frente, mas as diretoras estão marcando presença. É mais um preconceito que começa a desmoronar em Hollywood, afinal homens e mulheres podem ganhar ou perder o dinheiro investido pelo estúdio em um filme. Também não quer dizer que mulher faz obrigatoriamente comédia romântica, como Nancy Meyers. Ou que o típico filme de menino feito com muita precisão por Kathryn Bigelow (Caçadores de Emoção, K-19) é exclusividade da diretora de Guerra ao Terror. O importante é o talento de quem dirige o filme. Não o sexo. Tomara que os rótulos caiam de vez com a chegada de mais nomes capazes de nos surpreender, como Debra Granik e Lisa Cholodenko.



Perfeito

Que beleza que as mulheres andam ganhando um lugar mais de destaque em Hollywood! Nós merecemos!
Beijos!
Kathryn Bigelow não é 1/3 da cineasta que Coppolinha é. Coppolinha domina melhor a técnica, é um grande nome na categoria de cinema autoral, e tem uma identidade cinematográfica fortíssima, além de uma filmografia de ouro.
Bigelow não merecia ganhar. Da mesma forma em que Sofia, no ano em que concorreu, não merecia. Mas é sofrível que Bigelow fique mais marcada para o grande público como “A” cineasta. Porque os cinéfilos, os que realmente apreciam cinema, devem ser cientes de que Coppolinha é o verdadeiro exemplo de como as mulheres conseguem transpor sua sensibilidade, dedicação e competência, de maneira única para as telas de cinema.
Acho que as mulheres devem aparecer mais no Oscar de direção mesmo (ou ao menos ocupando uma das 10 vagas de melhor filme, como foi o caso da diretora de “Educação”). Para mim é ótimo, mas penso que ainda devem surgir novos nomes na área.
Caraca, Vinicius, esqueci da diretora de EDUCAÇÃO… Valeu!
Tou torcendo por Coppola ir mais longe; rsr
Esse ano ainda temos Claire Denis com White Material. Esse promete!
KAMILA
Sim, vocês merecem! Bjs!
AMENAR
Não vou entrar na discussão se Kathryn Bigelow é melhor que Sofia Coppola. Mas espero que elas ainda nos deem muitos filmes que mereçam uma discussão das boas. Abs!
VINICIUS
Vixe, eu já tinha respondido a você. Esqueci da Lone Scherfig. Abs!
LUIS
Eu também. Tomara! Abs!
OSMAN
Obrigado! Não sabia disso. Achei até que era a nossa Claire Danes. Mas não. Você está certo. Abs!