julho 7th, 2010

O efeito Kathryn Bigelow

Kathryn

Em março deste ano, Kathryn Bigelow ganhou status de lenda em Hollywood. Foi a primeira mulher a pôr as mãos no Oscar de Melhor Direção, entrando para um seleto, porém ilustre grupo formado até então por homens. É claro que ninguém acreditou que as mulheres dominariam a indústria da noite para o dia. Mas sua vitória deu sinal verde para uma nova geração.

Pouco a pouco, o Oscar de Kathryn Bigelow pode mudar o cenário. Mas, queira ou não, uma participação maior de diretoras em projetos cobiçados continua dependendo de dois fatores independentes do sexo do cineasta: resultado nas bilheterias e prêmios. Este último consolidou no mercado – bem antes de Kathryn Bigelow conquistar seu respeito – um nome que é hoje admirado por quase todo mundo que respira cinema. Falo de Sofia Coppola, que faturou o Oscar de Melhor Roteiro Original, por Encontros e Desencontros, deixando para trás qualquer implicância com a imagem exagerada de filhinha de papai que arruinou O Poderoso Chefão – Parte III. Isso bem antes de Guerra ao Terror.

O sucesso de Sofia provou que as mulheres podem (e devem) brigar por mais espaço na indústria. Antes dela, Hollywood já aproveitava os talentos de Nancy Meyers e Nora Ephron no circuito comercial. Barbra Streisand então jamais foi levada a sério. Mas Sofia mostrou que a mulher é capaz de dirigir  filmes “sérios”, “maduros”, ideais para representar bem a indústria na época das premiações. Ela abriu um caminho, que foi consagrado pelo Oscar de Kathryn Bigelow.

A cineasta responsável por Guerra ao Terror carregará para sempre o rótulo de “primeira mulher a receber um Oscar de Direção”. E essa imagem é certamente mais forte que a vitória de Sofia Coppola lá atrás, em 2004. A indústria, no entanto, só tem a ganhar. Antes, só a Europa exportava “mulheres sérias” para a função, como Jane Campion e Lina Wertmüller. Agora, somente neste ano, os olhares estão voltados para duas diretoras americanas, que já estão com seus respectivos filmes na rota das principais premiações de Hollywood: Debra Granik, por Winter’s Bone, e Lisa Cholodenko, por The Kids Are All Right. Sem falar no novo filme de Sofia Coppola, Somewhere.

Ainda tem chão pela frente, mas as diretoras estão marcando presença. É mais um preconceito que começa a desmoronar em Hollywood, afinal homens e mulheres podem ganhar ou perder o dinheiro investido pelo estúdio em um filme. Também não quer dizer que mulher faz obrigatoriamente comédia romântica, como Nancy Meyers. Ou que o típico filme de menino feito com muita precisão por Kathryn Bigelow (Caçadores de Emoção, K-19) é exclusividade da diretora de Guerra ao Terror. O importante é o talento de quem dirige o filme. Não o sexo. Tomara que os rótulos caiam de vez com a chegada de mais nomes capazes de nos surpreender, como Debra Granik e Lisa Cholodenko.

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