julho 30th, 2010

Os 10 melhores filmes da Miramax

Discutimos o assunto aqui no Hollywood em janeiro (LEIA), mas após meses de dúvidas, agonia e incerteza, a Disney finalmente concretizou a venda da Miramax para um grupo de investidores, o Filmyard Holding LLC, pelo valor de US$ 660 milhões. Os irmãos Bob e Harvey Weinstein não conseguiram levar seu acervo para a The Weinstein Company, mas deixaram obras importantes para o cinema. Pode criticar a Miramax a vontade, mas não há como negar a força de filmes como O Paciente Inglês, Shakespeare Apaixonado e Chicago para a indústria. Os Weinstein mudaram o conceito de “filme independente” e até mesmo a distribuição de produções estrangeiras, como o nosso Cidade de Deus e O Carteiro e o Poeta.

Pensando nisso, o Hollywoodiano preparou uma lista com os 10 melhores filmes da Miramax. Não foi fácil deixar alguns títulos de fora. Você não vai ver, por exemplo, o longa de Fernando Meirelles aqui, afinal ele não foi financiado pela produtora.

Em ordem decrescente:

The Crow
10) O CORVO (1994), de Alex Proyas

Hoje, o filme é mais lembrado pela morte trágica do astro Brandon Lee. Mas o diretor Alex Proyas, bancado pela Miramax, teve a coragem de entregar uma aventura sombria numa época em que Hollywood não investia tanto assim em adaptações de histórias em quadrinhos, exceto por Batman e Batman – O Retorno, que não entram com semelhante intensidade nas profundezas das trevas.

Bullets Over Broadway
9) TIROS NA BROADWAY (1994), de Woody Allen

Ninguém queria mais saber do grande Woody Allen, mas a Miramax apostou nele. Tiros na Broadway, uma deliciosa, divertidíssima homenagem ao teatro e aos filmes de máfia rendeu sua última indicação ao Oscar de Melhor Direção.

The Cider House Rules

8 ) REGRAS DA VIDA (1999), de Lasse Hallström

O melhor filme do diretor sueco em Hollywood tem um dos finais mais emocionantes que já vi. É um belíssimo dramalhão sobre a relação entre pais e filhos. É, no fim, acho que Regras da Vida é mais sobre esse tema do que qualquer outro. Michael Caine levou o Oscar de Melhor Ator Coadjuvante. E o filme também faturou a estatueta de Melhor Roteiro Adaptado.

Life is Beautiful
7) A VIDA É BELA (1998), de Roberto Benigni

Pode reclamar, discordar, mas Benigni mereceu o Oscar de Melhor Filme Estrangeiro, passando por cima de Central do Brasil. Só não acho que deveria ter rendido ao comediante italiano a estatueta dourada de Melhor Ator, que poderia ter ido para Sir Ian McKellen, por Deuses e Monstros.

Trainspotting
6) TRAINSPOTTING (1996), de Danny Boyle

Sem a Miramax, jamais teríamos conhecido o cineasta Danny Boyle, que acabou ganhando o Oscar anos mais tarde por Quem Quer Ser um Milionário?, e o astro Ewan McGregor. Antes disso, a produtora havia bancado a dupla no ótimo Cova Rasa. Mas foi Trainspotting que estourou a boca do balão. Foi comparado ao excepcional Laranja Mecânica, mas não merecia. Tem personalidade própria e uma abertura genial ao som de Iggy Pop. Quer mais? Ok, o filme também revelou o ator Robert Carlyle.

My Left Foot

5) MEU PÉ ESQUERDO (1989), de Jim Sheridan

O diretor irlandês Jim Sheridan emendou duas grandes parcerias com o grande Daniel Day-Lewis – Meu Pé Esquerdo e, quatro anos depois, Em Nome do Pai -, mas Hollywood não quis investir tanto assim em seu inegável talento. Pena. Mas foi aqui que conhecemos de vez o monstro chamado Daniel Day-Lewis. O ator já havia feito diversos filmes, mas seu legado, que inclui Sangue Negro e Gangues de Nova York, começou com o emocionante Meu Pé Esquerdo.

Good Will Hunting
4) GÊNIO INDOMÁVEL (1997), de Gus Van Sant

Olha a Miramax mais uma vez revelando caras novas para Hollywood. Os amigos Matt Damon e Ben Affleck deixaram o anonimato da noite para o dia com um roteiro esperto e emocionante. Um dos reis do cinema independente, o diretor Gus Van Sant deu uma mãozinha e foi recompensado com sua primeira indicação ao Oscar da categoria. Robin Williams, por sua vez, que vinha de uma sequência boa de indicações – Bom Dia Vietnã, Sociedade dos Poetas Mortos, O Pescador de Ilusões – foi finalmente reconhecido pela Academia com Oscar de Melhor Ator Coadjuvante.

KILL BILL
3) KILL BILL (2003/2004), de Quentin Tarantino

Aviso: Considero Kill Bill um filme só. Apenas foi dividido em duas partes. Uma Thurman ganhou o maior papel de sua carreira e Quentin Tarantino, bem… A Miramax trouxe ao mundo o cineasta Quentin Tarantino. Dispensa apresentações. Esqueça Matrix ou qualquer outro longa recente que faça homenagens aos clássicos das artes marciais. Kill Bill é o filme que você procura.

There Will Be Blood
2) SANGUE NEGRO (2007), de Paul Thomas Anderson

Sangue Negro é um épico sobre empreendedorismo, progresso, evolução. Também fala sobre como o ódio, a fúria e o medo de perder o poder podem funcionar como aliados do homem na realização de seus objetivos. Por mais pessimista que isso pareça, Paul Thomas Anderson faz uma análise profunda de um personagem que pode ser a síntese da América da Era Bush. E traz Daniel Day Lewis em um momento excepcional de sua carreira. Não teve como sair da festa da Academia sem um Oscar.

Pulp Fiction

1) PULP FICTION (1994), de Quentin Tarantino

Bom, não vou escrever horas aqui sobre Pulp Fiction. Você sabe o que o filme significa para todos nós. Resgatou a carreira de John Travolta, mudou o conceito de cinema pop e foi imitado até dizer “chega”. E consagrou de vez o talento de Quentin Tarantino. Com ou sem Oscar de Melhor Diretor, ele é “o cara”.

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