julho 28th, 2010

Predadores

Predators

Você é fã de O Predador? Falo do original de 1987. Aquele filme em que o governador da Califórnia sai no tapa com o alienígena caçador de crânios na floresta, que já passou dublado mil vezes na TV. Você adora essa ficção científica dos anos 80? Então Predadores (Predators, 2010) é o filme que você estava esperando, meu amigo. Esqueça Predador 2 e as comédias involuntárias e sem graça conhecidas como Aliens Vs. Predador. Este é o filme que deveria ter continuado a aventura estrelada por Arnold Schwarzenegger.

Bom, não é exatamente uma sequência que ignore Predador 2, com Danny Glover, que é legal, porém jamais chega aos pés do primeiro filme, até porque a criatura já não era uma surpresa na trama, além de outros quinhentos. Mas Predadores, dirigido por Nimród Antal (Temos Vagas) é feito de fã para fã. Ou melhor, de fãs para fãs, afinal o trash Robert Rodriguez, deve ter assistido a O Predador mais vezes do que eu mesmo fui capaz. Antal dirige e Rodriguez produz, mas durante as filmagens só se falou no nome do diretor de A Balada do Pistoleiro e Pequenos Espiões como grande admirador de O Predador e seu sonho de recolocar a série nos eixos após tanta pataquada permitida pelo estúdio que lucrou bastante dizendo o nome do guerreiro estelar em vão.

Enfim, Predadores homenageia o filme original dirigido por John McTiernan – que após O Predador fez Duro de Matar, A Caçada ao Outubro Vermelho e mais nada vale a pena ser mencionado em sua obra. A intenção de Robert Rodriguez foi homenagear um de seus filmes favoritos e, claro, o tom macho dos clássicos de ação da década de 80, levando em conta as técnicas da velha escola de Hollywood, quando todos ainda davam risada a respeito da ideia do computador ser capaz de tirar o sono dos atores em um futuro próximo. Exceto por uma ou outra cena com CGI, Predadores parece um típico filme de ação e ficção científica do Domingo Maior, com todos os bons e maus ingredientes, não necessariamente nessa ordem incluindo excesso de tiros, explosões, correria e frases curtas de efeito duradouro e perigoso na cabeça de um nerd que cresceu naquela época.

Predadores até começa muito bem. Não vou contar o início da trama aqui, mas o suspense, a história - Como? Onde? Quando? Por que? -, tudo é construído de forma eficiente para capturar a atenção do espectador com uma narrativa conduzida com extrema paciência, sem pressa para pular para as cenas de ação. Ou seja, como era nos anos 80, quando o público em geral gostava de pensar um pouquinho mais.

Predators_Adrien Brody_Alice Braga
Tudo vai bem até os 20, 30 minutos iniciais, ou até o primeiro Predador aparecer na tela. É irônico, mas deste momento em diante, o filme perde sua identidade e confunde a homenagem com falta de criatividade, quase virando uma cópia safada do original. Sem falar nas bolas foras do roteiro que começam a despencar de maneira ridícula: Onde vão parar os cachorros dos predadores? E o que faz Laurence Fishburne neste filme? Como podemos engolir o franzino Adrien Brody encarando o Predador com mais fôlego que Arnold Schwarzenegger versão 80’s?

Ok, o fã vai se divertir ao bater os olhos e reconhecer referências diretas a cenas do filme de John McTiernan, como as armadilhas para capturar a criatura; os heróis (ou caças?) pulando da cachoeira; a menção que a personagem de Alicia Braga faz a Schwarzenegger, entre outras coisas. Há até um cuidado especial com a parte musical, com uma adaptação do compositor John Debney para a ótima trilha sonora original de Alan Silvestri, além dos créditos finais ao som de Long Tall Sally, de Little Richard, canção que toca na cena com todo o pelotão de Schwarza ainda dentro do helicóptero, mas pronto para saltar na selva, no início do filme de 87.

Mediano, feio e barato, Predadores só deve ser degustado por fãs. A dica para o outro perfil de cinéfilo é ficar com o velho DVD (ou Blu-ray) do primeiro O Predador, que sempre será lembrado, enquanto o filme de Robert Rodriguez e Nimród Antal tem tudo para cair em desuso em pouquíssimo tempo.

Predadores (Predators, 2010)
Direção: Nimród Antal
Roteiro: Alex Litvak, Michael Finch, Jim Thomas e John Thomas
Elenco: Adrien Brody, Alice Braga, Topher Grace, Oleg Taktarov, Walton Goggins, Louis Ozawa Changchien, Laurence Fishburne e Danny Trejo

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