julho 24th, 2010

Shrek Para Sempre

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Em Shrek, de 2001, os fãs de cultura pop conheceram um novo (e divertido) universo mitológico. Seus criadores reciclaram tudo o que deu certo até aqui nos contos de fadas e outras histórias fantásticas para apresentar um herói que não tinha nada de clássico. A proposta foi mostrar a quem não tem rostos e corpos perfeitos – ou muita grana no bolso – que é possível ser “feliz para sempre” sem abdicar dos sonhos. Shrek não é um príncipe encantado. É um ogro verde, gordo, feio e fedido, que conquistou o coração da princesa e do mundo inteiro.

Como a intenção era explorar o avesso da perfeição, Shrek ainda tirou sarro de clássicos do cinema e da literatura, além de sucessos recentes das telas. Já a continuação Shrek 2, de 2004, foi um complemento muito bem feito. Fechou um ciclo com uma aventura que não precisava mais perder tempo apresentando personagens.

Mas como estamos falando de Hollywood, ninguém quer perder a chance de lucrar mais e mais com um produto reconhecido pelo público. Veio Shrek Terceiro, de 2007, que escorregou e quebrou a cara por tentar colocar seus heróis numa aventura qualquer, sem graça, sem o humor afiado dos filmes anteriores, baseando-se apenas no carisma dos personagens. Shrek 2 não precisava de Shrek 3. Mas Shrek 3 não poderia (nem merecia) encerrar uma série tão marcante. Shrek 3 precisava de um Shrek 4. E então veio Shrek Para Sempre (Shrek Forever After, 2010), que segundo o próprio estúdio é o último da série.

Ainda bem. Não porque seja um episódio extraordinário, que feche a saga do ogro verde com chave de ouro. Pelo contrário, comete erros de transformar a série em um dramalhão – inspirado em fórmulas consagradas constantemente revisitadas por Hollywood, como A Felicidade Não Se Compra, mas ainda assim é um dramalhão que não se encaixa no humor inteligente dos dois primeiros filmes. Pelo menos, Shrek Para Sempre corrige o jiló que foi o filme anterior. Com ressalvas no entusiasmo, porque sozinho até que se sai bem. Em comparação a Shrek 1 e 2, perde de goleada.

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Aqui, os roteiristas exploram o tema da realidade paralela. Em um filme original, pode funcionar. Mesmo que remeta diretamente a clássicos como o filmaço de Frank Capra. O problema é pegar uma série consagrada, com suas características particulares que conquistaram fãs há tempos e admitir a falta de criatividade apostando as fichas em um universo paralelo onde tudo pode acontecer. Assim fica fácil. Até eu.

Certo estava Andrew Adamson que dirigiu os dois primeiros Shrek e pulou fora para comandar As Crônicas de Nárnia: O Leão, A Feiticeira e o Guarda-Roupa. Pelo menos tentou algo novo. Shrek Para Sempre é como aquele “ex-jogador de futebol em atividade”. Não empolga os fãs nem tem nada de novo a oferecer. Está ali para satisfazer o próprio ego. Só ele não admite que passou do ponto e que deveria ter parado por cima. Entre outras coisas, poderíamos ter sido poupados de ver a Fiona como uma Fergie versão 50 anos.

Se você nunca assistiu a Shrek e vai começar por este filme, OK. Vá em frente. Mas se você é daqueles que acompanha a série desde 2001 não tem como gostar de Shrek Para Sempre. O filme tem o mérito de não ser tão fraco quanto Shrek Terceiro. Mas aí é pensar pequeno demais. Só espero que a DreamWorks, como prometido, termine a série com este episódio. Nada de “novos começos”, como Sexta-Feira 13. Obrigado, Shrek. Vire a página, bye bye. É vida que segue.

Shrek Para Sempre (Shrek Forever After, 2010)
Direção: Mike Mitchell
Roteiro: Josh Klausner e Darren Lemke
Com as vozes de Mike Myers, Eddie Murphy, Cameron Diaz, Antonio Banderas, Julie Andrews, John Cleese, Jon Hamm e Jane Lynch

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