agosto 3rd, 2010

A música de Hans Zimmer

Hans Zimmer
O alemão Hans Zimmer é um dos melhores compositores do cinema em atividade. Mas você não precisa de mim para saber disso. Basta ter um bom ouvido. Ou melhor, dois. E prestar mais atenção nas trilhas sonoras de Gladiador, Além da Linha Vermelha, Conduzindo Miss Daisy, Rain Man, Thelma & Louise, Batman Begins/Batman – O Cavaleiro das Trevas (aqui em parceria com James Newton Howard), O Código Da Vinci/Anjos e Demônios, Falcão Negro em Perigo, Sherlock Holmes, O Rei Leão, que lhe rendeu o Oscar, entre outras geniais composições. Fez trilha até para o game Modern Warfare 2.

Diferente da esmagadora maioria que chega hoje aos cinemas, a música de Hans Zimmer sobrevive sem o filme. Tem vida própria. Talvez seja o compositor mais ousado e criativo da atualidade, que mistura ritmos, instrumentos, como se não desse a mínima para a época em que vive ou mesmo para o reconhecimento fácil de sua assinatura por parte dos ouvidos do público. É um camaleão instrumental, que se transforma de acordo com o filme. Melhor que isso: muda de acordo com a cena. Não tem medo de demonstrar inspiração em sons característicos de outras músicas famosas e subvertê-los, como possivelmente fez com Non, Je Ne Regrette Rien, de Edith Piaf, em sua mais recente obra-prima, a trilha de A Origem. Não sei se essa foi a intenção de Zimmer, mas ouça uma comparação aqui.

Nas faixas da trilha de A Origem, Zimmer nunca foi tão ousado. Para alcançar um resultado que só poderia existir em sonhos, o compositor uniu com maestria orquestra, batidas eletrônicas e uma certa dose de efeitos sonoros bem cinematográficos acompanhados pela guitarra de Johnny Marr, ex-Smiths. Para o Hollywoodiano, essa é a melhor trilha do ano. Pelo menos até agora. Não concorda? Então experimente uma live performance de Mombasa, a faixa mais espetacular de A Origem:

Mas Hans Zimmer não trabalhou sempre com cinema. Assim como Danny Elfman, ex-Oingo Boingo e hoje compositor favorito de Tim Burton, Zimmer fez sucesso primeiro na MTV. Aliás, marcou a história da emissora, pois foi tecladista do The Buggles, que inaugurou a era dos videoclipes com Video Killed the Radio Star. Foi trabalhar com cinema anos depois, ajudando o compositor Stanley Meyers em filmes como Minha Adorável Lavanderia, dirigido por Stephen Frears em 1985.

Zimmer já assinava sua próprias composições para o cinema, mas a sorte sorriu para ele quando foi convidado pelo diretor Barry Levinson para fazer a trilha de Rain Man, que lhe rendeu sua primeira indicação ao Oscar em 1989. No ano seguinte, compôs para outro grande vencedor do prêmio da Academia: Conduzindo Miss Daisy. Mas Zimmer só voltou a ser indicado cinco anos mais tarde, por O Rei Leão, que lhe deu sua única estatueta dourada. Ainda disputou o Oscar por Um Anjo em Minha Vida, Melhor é Impossível, O Príncipe do Egito, Além da Linha Vermelha, Gladiador e Sherlock Holmes.

Aos 52 anos, Hans Zimmer não para de compôr. Somente em 2010, além de A Origem, entregou a trilha da minissérie The Pacific. Para os próximos anos, prepara seus trabalhos para How Do You Know, novo filme de James L. Brooks, e Rango, animação de Gore Verbinski, entre outros. O show de Hans Zimmer tem que continuar nos surpreendendo.

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