agosto 4th, 2010

As origens de Christopher Nolan

Chris Nolan

Aos 40 anos, o inglês Christopher Nolan é um dos poucos diretores da atualidade que consegue unir respeito e admiração tanto do público quanto da crítica. É um dos novos queridinhos da indústria por equilibrar com perfeição arte e entretenimento em filmes capazes de faturar alto nas bilheterias mesmo sendo ousados para a inteligência cada vez mais rara da esmagadora maioria que lota as salas de cinema pelo mundo.

Após sair do set de Batman – O Cavaleiro das Trevas, que rendeu mais de US$ 1 bilhão pelo mundo – feito só alcançado por Avatar, Titanic, Piratas do Caribe: O Baú da Morte, O Senhor dos Anéis: O Retorno do Rei e Alice no País das Maravilhas –, Nolan pediu um tempo para a Warner entre o segundo e o terceiro longa da nova franquia do Homem-Morcego para tornar realidade um antigo sonho: A Origem, filme cujo roteiro – do próprio diretor – vem sendo desenvolvido por cerca de uma década.

A Warner, no entanto, não viu problema algum, afinal depois de Batman Begins, de 2005, Nolan quis fazer O Grande Truque, que é um espanto de bom. Logo depois, entregou O Cavaleiro das Trevas, que é tão extraordinário que consegue melhorar o primeiro filme. Então, pra quê se preocupar? Deixem o homem fazer o filme que ele quiser entre um Batman e outro. Não se mexe em time que está ganhando.

Após as primeiras sessões de A Origem, alguns críticos americanos não tiveram vergonha de gritar “Não entendi nada!”, mas o público americano mostrou, nas últimas três semanas, que ainda há esperança na Terra. Esse período que segue à estreia de A Origem nos cinemas dos EUA, sempre no topo das bilheterias ianques desde então, joga uma inesperada, porém gigantesca responsabilidade no público brasileiro, que começa a ver o novo filme de Christopher Nolan no dia 6 de agosto. A pergunta é: Será que estamos preparados para abraçar um filme de massa que nos faça pensar o tempo inteiro, do primeiro ao último minuto? A Origem deixará os cinemas daqui rapidamente?

É bom o espectador lembrar que Chris Nolan não fez apenas Batman Begins e O Cavaleiro das Trevas em sua vida. Além do já citado O Grande Truque, que é muito mais do que uma história de rivalidade entre dois mágicos, Nolan gosta muito de narrar seus filmes de forma não-linear. O recurso é utilizado neste longa estrelado por Christian Bale (seu ator favorito ao lado de Michael Caine) e Hugh Jackman, mas havia sido testado anteriormente em Following, que quase ninguém viu, e Amnésia, que nasceu cult como “o filme de trás pra frente”.

Nolan é um investigador da mente humana. Por isso mesmo, adora encontrar novas maneiras de se contar uma história. Cria ordem através do caos. Destroi para construir algo que parece novo. Usa seus filmes como parte de um estudo da dualidade do Homem, sempre entre a realidade e a ficção, o bem e o mal, o correto e o incorreto. Às vezes, características opostas se encontram no mesmo indivíduo (o Leonard, de Amnésia), outras vezes em dois homens iguais, mas de lados diferentes da lei (Batman e o Coringa). Dentro deste universo, costuma desenvolver protagonistas masculinos extremamente obsessivos com passados nebulosos. Quase todos perderam entes queridos, geralmente a mulher amada. Todos buscam a redenção. Existem no melhor lugar para se contar histórias e fabricar sonhos – o cinema -, mas refletem pessoas que conhecemos muito bem do lado de cá da tela.

Mas antes que digam algo como “ninguém mais tem ideias como Christopher Nolan em Hollywood”, acredito que deve haver um monte de mentes criativas pela indústria prontas para tirarem suas histórias mirabolantes do papel. Nolan é, de fato, um visionário. Mas não é a trama complexa de filmes como A Origem que costuma encantar os executivos dos estúdios. Nolan pôde fazer o que bem quis neste filme porque rendeu mais de US$ 1 bilhão (merecidos, diga-se antes de mais nada) nas bilheterias por Batman – O Cavaleiro das Trevas há dois anos. Se continuasse “apenas criativo” apresentando longas de orçamentos modestos, como Amnésia, Nolan não teria nem mesmo dirigido a tão idolatrada sequência de Batman Begins. E A Origem existiria somente nos sonhos deste incrível cineasta.

Posts