As origens de Christopher Nolan

Aos 40 anos, o inglês Christopher Nolan é um dos poucos diretores da atualidade que consegue unir respeito e admiração tanto do público quanto da crítica. É um dos novos queridinhos da indústria por equilibrar com perfeição arte e entretenimento em filmes capazes de faturar alto nas bilheterias mesmo sendo ousados para a inteligência cada vez mais rara da esmagadora maioria que lota as salas de cinema pelo mundo.
Após sair do set de Batman – O Cavaleiro das Trevas, que rendeu mais de US$ 1 bilhão pelo mundo – feito só alcançado por Avatar, Titanic, Piratas do Caribe: O Baú da Morte, O Senhor dos Anéis: O Retorno do Rei e Alice no País das Maravilhas –, Nolan pediu um tempo para a Warner entre o segundo e o terceiro longa da nova franquia do Homem-Morcego para tornar realidade um antigo sonho: A Origem, filme cujo roteiro – do próprio diretor – vem sendo desenvolvido por cerca de uma década.
A Warner, no entanto, não viu problema algum, afinal depois de Batman Begins, de 2005, Nolan quis fazer O Grande Truque, que é um espanto de bom. Logo depois, entregou O Cavaleiro das Trevas, que é tão extraordinário que consegue melhorar o primeiro filme. Então, pra quê se preocupar? Deixem o homem fazer o filme que ele quiser entre um Batman e outro. Não se mexe em time que está ganhando.
Após as primeiras sessões de A Origem, alguns críticos americanos não tiveram vergonha de gritar “Não entendi nada!”, mas o público americano mostrou, nas últimas três semanas, que ainda há esperança na Terra. Esse período que segue à estreia de A Origem nos cinemas dos EUA, sempre no topo das bilheterias ianques desde então, joga uma inesperada, porém gigantesca responsabilidade no público brasileiro, que começa a ver o novo filme de Christopher Nolan no dia 6 de agosto. A pergunta é: Será que estamos preparados para abraçar um filme de massa que nos faça pensar o tempo inteiro, do primeiro ao último minuto? A Origem deixará os cinemas daqui rapidamente?
É bom o espectador lembrar que Chris Nolan não fez apenas Batman Begins e O Cavaleiro das Trevas em sua vida. Além do já citado O Grande Truque, que é muito mais do que uma história de rivalidade entre dois mágicos, Nolan gosta muito de narrar seus filmes de forma não-linear. O recurso é utilizado neste longa estrelado por Christian Bale (seu ator favorito ao lado de Michael Caine) e Hugh Jackman, mas havia sido testado anteriormente em Following, que quase ninguém viu, e Amnésia, que nasceu cult como “o filme de trás pra frente”.
Nolan é um investigador da mente humana. Por isso mesmo, adora encontrar novas maneiras de se contar uma história. Cria ordem através do caos. Destroi para construir algo que parece novo. Usa seus filmes como parte de um estudo da dualidade do Homem, sempre entre a realidade e a ficção, o bem e o mal, o correto e o incorreto. Às vezes, características opostas se encontram no mesmo indivíduo (o Leonard, de Amnésia), outras vezes em dois homens iguais, mas de lados diferentes da lei (Batman e o Coringa). Dentro deste universo, costuma desenvolver protagonistas masculinos extremamente obsessivos com passados nebulosos. Quase todos perderam entes queridos, geralmente a mulher amada. Todos buscam a redenção. Existem no melhor lugar para se contar histórias e fabricar sonhos – o cinema -, mas refletem pessoas que conhecemos muito bem do lado de cá da tela.
Mas antes que digam algo como “ninguém mais tem ideias como Christopher Nolan em Hollywood”, acredito que deve haver um monte de mentes criativas pela indústria prontas para tirarem suas histórias mirabolantes do papel. Nolan é, de fato, um visionário. Mas não é a trama complexa de filmes como A Origem que costuma encantar os executivos dos estúdios. Nolan pôde fazer o que bem quis neste filme porque rendeu mais de US$ 1 bilhão (merecidos, diga-se antes de mais nada) nas bilheterias por Batman – O Cavaleiro das Trevas há dois anos. Se continuasse “apenas criativo” apresentando longas de orçamentos modestos, como Amnésia, Nolan não teria nem mesmo dirigido a tão idolatrada sequência de Batman Begins. E A Origem existiria somente nos sonhos deste incrível cineasta.



Perfeito


ótimo texto! concordo com tudo q vc disse no texto. nolan é um dos meus diretores preferidos atualmente, mas ele certamente saí na frente de muitos por conseguir unir a arte e o entretenimento.
Cinema é um produto da Industria Cultural que é contraditória em sua essêncial pois os conceitos de “arte” e “lucro” têm que andar de mãos dadas. O período e contexto histórico-político-cultural do surgimento do cinema faz com que só assim seja possível viabilizá-lo. Por isso amo filmes de “arte”, ditos “sérios” e que fazem “pensar”. Mas até para eles é necessário grana. Então quem consegue unir os dois é muito bem vindo e fica cada vez mais livre para criar.
Ainda fico impressionado como tem gente que separa o Christopher Nolan pré-Batman do pós-Batman. Para mim sempre foi um realizador que consegue agradar público e crítica, como você comentou, e por isso mesmo merece ser reconhecido.
MILCIA
Muito obrigado! Se gostas do Nolan assim, não perca “A Origem”. Não sei se já viu o filme, mas ele foi feito pra você! Bjs!
ROBSON
É, nada mal. Se fizéssemos 1 bilhão nas bilheterias, meu amigo, aí até eu e você teríamos liberdade total em Hollywood. Abs!
VINICIUS
Na verdade, acho que muita gente separa o Nolan de antes e depois de “The Dark Knight”, não?. Os fãs gostaram de “Batman Begins”. O mundo adorou “The Dark Knight”. Abs!
Os críticos americanos disseram que não entenderam nada de INCEPTION? Precisamos de mais cineastas como Nolan para voltar a fazer essa gente pensar, o cérebro cinéfilo deles deve estar atrofiando! Inception é magnífico! Vi hj de tarde e devo ver na semana que vem novamente!Não pq não entendi, mas pq quero invadir a mente engenhosa do cineasta mais uma vez! Se tem uma coisa que não entendi foi o nome em português… mas os críticos americanos nem isso tem para apoiar sua inmpressão descabida do filme. Até agora é o melhor do ano!!! Elenco, trilha, direção, efeitos, edição, roteiro… tudo perfeito!
WELLINGTON
Acho que tem a ver com a quantidade absurda de porcaria que estreia nos cinema. O povo se acostuma com esse tipo de filme. Mas me refiro aos filmes voltados para o entretenimento, filme do verão americano, algo que “Inception” é. Claro que existem exceções, como “Toy Story 3″. Não apenas o povo, mas também a crítica passa a entrar em filmes dessa temporada com o cérebro desligado, afinal geralmente é o que costuma ser exigido. E aí vem um “Inception” e quebra todo mundo. Normal. Só espero que a percepção do público comece a mudar aos poucos, graças a diretores como Christopher Nolan. Abs!
Christopher Nolan é um diretor muito talentoso que com Batman-O Cavaleiro das Trevas entrou para o patamar dos grandes diretores da nova geração.Engraçado,vejo certas semelhanças no sucesso de Nolan com M.Night Shyamalan que após deixar todo mundo com o queixo no chão em O Sexto Sentido(será que alguem não sabe o final do filme ainda?)ficou com o ego inchado e se achou o maior de todos.Shyamalan acertou em Sinais(acho o melhor filme dele),escorregou com A Vila e a Dama da Àgua e enterrou a carreira em Fim dos Tempos(o único diretor capaz de tirar uma boa atuação de Mark Wahlberg é Martin Scorsese).Christopher Nolan consegue unir cinema de arte com entretenimento(assim como o diretor indiano),mas diferente de Shyamalan,Nolan não se acha um “gênio” e tem um projeto de cinema bacana.Otávio,eu vi A Origem sabado e não entendi nada por 2 motivos:primeiro,eu estava com a minha namorada do lado e entre um beijo e outro eu perdia uma cena hehehe,e segundo,até a cena em que Ellen Page quebra um espelho e a mulher do Dicaprio,interpretada pela linda Marion Cotilard tenta matar a personagem da Page eu estava entendo que tudo aquilo era um sonho dos personagens.Na cena em que um funcionário de Ken Watanabe sai do helicoptero a força e Dicaprio diz a ele que isso não é o correto(sera que o funcionario de Watanabe teve pensamentos ruins que não podia ser decifrado??)eu tava entendo a história.Depois meu amigo,foi um “deus nos acuda” eu me perdi completamente,minha sogra ligou pra minha namorada no cinema pq já havia passado das 11 da noite e eu tinha que voltar pra casa(nunca namore uma menina de 15 anos que é sua vizinha hehehee)e aí eu nem sabia mais de A Origem e só fiquei pensando no esporro que ia levar da sogra heheheehe.Otávio,eu vou rever o filme,não entendi nada,mas confesso que a situação era a pior possivel pra entender alguma coisa e que uma certeza eu tenho:A Obra de Nolan não é pra qualquer um,o cara é muito bom,eu que tava distraído.Vou rever o filme sabado que vem,mas com duas condições:reler algumas criticas(inclusive a sua)pra entender o filme e ir sozinho pro cinema(essa parte é mais dificil).Christopher Nolan não é “cinema pipoca” e sim “cinema cabeça”.Abraço e semana que vem falamos de A Origem novamente,abraço e boa semana.
PAULO RICARDO
O M. Night Shyamalan de hoje não consegue nem sonhar com um roteiro como “A Origem”. Também acho que ele começou a “cair” com “A Vila”, mas ainda gosto do filme. O que veio depois foi terrível. Mas, para mim, seu melhor filme é – e acho que sempre será – “O Sexto Sentido”. Sim, Scorsese foi o único que ensinou algo a Mark Wahlberg. E, cara, não consigo parar de rir com teu comentário… Assista “A Origem” e depois a gente conversa… Abs!
Nolan é um dos poucos q/ mescla raciocínio com diversão nas telas. Creio q/ “A origem” não fuja dos seus padrões.
nolan é um diretor sem par no cinema de hoje em dia. isso é um fato. mas que esse ‘a origem’ lembra muito ‘dreamscape’, ah isso lembra.
RAQUEL
Espero que goste do filme. Bjs!
THE DUDE
“A Morte nos Sonhos”, com Dennis Quaid? Interessante sua lembrança, hein! O mais curioso é que “A Morte nos Sonhos” chegou aos cinemas no mesmo ano de “A Hora do Pesadelo”. Abs!