Zona Verde

Quer dizer então que o Sr. Paul Greengrass quer alertar o mundo (leia: os americanos) que o Iraque não escondia armas de destruição em massa quando os EUA invadiram e colonizaram a ex-terra de Saddam Hussein? Se muitos ianques duvidavam (ou duvidam) disso, os brasileiros já sabiam há muito tempo que George W. Bush é o maior mentiroso deste século até o momento. Por isso mesmo, um filme como Zona Verde (Green Zone, 2010) nasce datado. E é uma pena que este seja o primeiro trabalho de Paul Greengrass após o fim da Trilogia Bourne.
Baseado no livro de Rajiv Chandrasekaran, ex-correspondente do Washington Post em Bagdá, Zona Verde deveria ter saído nos cinemas exatamente quando a batata estava quente, em 2003, na época em que se passa a trama do soldado Roy Miller (Matt Damon usando o mesmo nome de Tom Cruise em Encontro Explosivo) tentando descobrir a verdade sobre a misteriosa fonte que dizia ao exército americano onde estavam as armas nucleares. Mas bastava chegar ao local indicado para Miller bater com a cara na porta, sem história para contar e nenhuma ogiva como prova. Cansado de ser feito de bobo, ele parte numa cruzada como se estivesse num filme de Oliver Stone. E é neste ponto que Zona Verde fica extremamente confuso.
Quem conhece Paul Greengrass sabe que ele gosta de nos jogar no meio do caos da ação com sua câmera tremida de dar náuseas, como se o diretor fosse um documentarista no meio do conflito. É claro que lá pelas tantas, Matt Damon vai relembrar alguns cacoetes de Jason Bourne, enquanto o filme é brilhantemente montado de forma histérica pelo oscarizado Christopher Rouse (O Ultimato Bourne), mas tanto o livro de Rajiv Chandrasekaran quanto o roteiro escrito por Brian Helgeland (Los Angeles – Cidade Proibida, Sobre Meninos e Lobos) exigiam um cineasta apostando em um tom diferente, privilegiando a investigação. Como… Oliver Stone.

Obviamente que é possível unir ação, tensão e reflexão em um filme de guerra, afinal temos o exemplo recente do vencedor do Oscar Guerra ao Terror. Mas Greengrass quer fazer a plateia acreditar nos bastidores de uma teoria da conspiração quando está muito mais interessado em conduzir um espetáculo rápido, porém vibrante de ação moderna. No fim, vai do nada a lugar nenhum. Não entrega um filme memorável de ação, assim como decepciona na intenção de cutucar onça com vara curta.
Oliver Stone, por outro lado, teria o material perfeito para recolocar sua (ótima e autoral) filmografia nos eixos. Enfim, seria outro filme. E não teria tanta ação. Ou nenhuma. Mais: Nunca poderia estrear na temporada lucrativa do verão americano. Se quisesse realmente mostrar o horror da guerra na vida de seu protagonista (o soldado), Greengrass teria seguido o olhar intimista de Kathryn Bigelow. Se quisesse impressionar com a ação a serviço do drama, teria tentando se aproximar da visão de Steven Spielberg em O Resgate do Soldado Ryan. Se quisesse fazer um filme focado nos bastidores de um furo bombástico, teria se concentrado em Todos os Homens do Presidente, de Alan J. Pakula, lançado numa época em que os americanos ainda estavam chocados com o Watergate.
Mesmo assim, Zona Verde tem seus pontos interessantes. Bem ou mal, o inglês Paul Greengrass analisa, aos poucos, o “antes” e o “depois” do 11 de setembro ao somar Voo United 93 e Zona Verde. É curioso observar que em sua jornada – mais ética que existencialista, o que o difere de Bourne –, o personagem de Matt Damon representa o povo americano enganado por Bush. Seu Roy Miller é um idealista da Era Obama perdido na guerra do ex-presidente dos EUA. A montagem de Christopher Rouse, já comentada aqui, prepara terreno para uma revelação ou algum momento realmente tenso que Paul Greengrass infelizmente nunca entrega. Há também a ótima fotografia de Barry Ackroyd, o mesmo de Guerra ao Terror, que nos aproxima do cheiro e do calor do conflito. Além de um Greg Kinnear surpreendentemente malvado como jamais vimos.
Zona Verde (Green Zone, 2010)
Direção: Paul Greengrass
Roteiro: Brian Helgeland
Elenco: Matt Damon, Khalid Abdalla, Jason Isaacs, Brendan Gleeson, Greg Kinnear e Amy Ryan



Perfeito


Estava um tanto ansioso por esse filme, mas na época em que foi lançado os comentários não me animaram, tanto que ainda não vi. Parece ser uma decepção. Pena.
VINICIUS
É exatamente isso: Uma decepção! Abs!
Vi anteontem. Tem seus Ups and Downs, esperava mais mesmo.
Uma pena que o filme pareça uma decepção, já que por parte do Greengrass, esperava-se muito. Assistirei, com expectativas moderadas.
Beijos!
DENIS
Tomara que não tenha o 2. Abs!
MAYARA
E olha que eu assisti com expectativas moderadas devido aos alertas! Bjs!
Eu gostei bastante, mas achei Greengrass meio que no piloto automático em certos instantes – algo relevado pela história forte, na minha opinião. E é uma delícia ver Kinnear neste tipo de papel mesmo!
WALLY
Sim, Greg Kinnear está ótimo! Estaria ele cotado para o Oscar de Melhor Ator Coadjuvante? Acho que não, né? Alguém sabe me dizer? Abs!
Não gostei do filme e achei o roteiro de Brian Helgeland um bocado manipulativo.Mas Paul Greengrass conduz cenas de ação perfeitamente.E por isso o filme não chega a ser horrível.Não acho que Zona Verde é um filme que tem grandes ambições.Não é nenhum Guerra ao Terror,O Mensageiro(bárbaro,um dos melhores sobre a guerra)e No Vale das Sombras.Acho que Paul Greengrass quis fazer um filme “Cabeça para as massas”.Nada mais que isso.Numa cotação 5 estrelas dou 3 para Zona Verde,abraço.
PAULO RICARDO
Cara, preciso ver “O Mensageiro”. Ainda não vi. Farei isso logo. Abs!