agosto 4th, 2010

Leonardo DiCaprio cresceu

Leo 1

Leonardo DiCaprio sempre foi bom ator… Espera! Pára tudo! Vou logo avisando: Sou do grupo que considera suas performances extraordinárias em O Aviador e, recentemente, Ilha do Medo. Ainda aqui? Ok, vamos continuar.

Desde os 16 anos trabalhando na TV, DiCaprio começou a chamar a atenção do público na TV com um pequeno papel na série Growing Pains. Embora tenha participado de filmes toscos como Criaturas 3 (1991) foi com o drama Despertar de um Homem (1993), sofrendo como o filho de um Robert De Niro ainda em sua gloriosa fase violenta e, principalmente, como o irmão de Johnny Depp em Gilbert Grape – Aprendiz de Sonhador (1993), que Leonardo DiCaprio conheceu Hollywood. Aliás, por Gilbert Grape, ele conquistou uma inesperada, mas merecida indicação ao Oscar de Melhor Ator Coadjuvante aos 19 anos.

Em 1995, o diretor Sam Raimi desafiou as leis dos westerns ao colocar Sharon Stone – no auge de sua fama e beleza – como protagonista. Em Rápida e Mortal, Gene Hackman é o vilão e um desconhecido Russell Crowe é o interesse romântico da mocinha. La Stone, porém, fez questão que a produção convidasse um talento promissor para outro papel importante: Leonardo DiCaprio.

No mesmo ano, Leo surpreendeu crítica e público numa atuação visceral do jovem Jim Carroll em sua jornada rumo ao fundo do poço no (bom) drama Diário de um Adolescente. Também em 95, ousou ao interpretar o poeta francês Arthur Rimbaud em Eclipse de uma Paixão, sobre o polêmico romance que manteve com seu mentor Paul Verlaine (David Thewlis).

No ano seguinte, Leonardo DiCaprio passou da condição de promessa a astro absoluto de cinema. Graças à visão pirada (e inspirada) do cineasta Baz Luhrmann (Moulin Rouge) para Romeu + Julieta. Dividindo as atenções com Claire Danes, que incrivelmente não vingou em Hollywood, DiCaprio arrancou suspiros das meninas numa época em que Brad Pitt era o favorito do público feminino, enquanto Robert Pattinson não tinha idade para entrar em verdadeiros filmes de vampiros.

Mas, logo depois, em 1997, DiCaprio foi escolhido por um tal James Cameron para protagonizar  o filme mais caro de Hollywood até então, perseguido pelos críticos durante as filmagens e sob a vista grossa da indústria preocupada com um possível fracasso monumental. Irônico. Um ano antes, Hollywood premiou filmes independentes no Oscar. O recado parecia ser “gastem menos e façam mais”. Titanic mudou tudo de novo. Bateu recordes de bilheteria e levou 11 Oscars, empatando com Ben-Hur. Kate Winslet virou uma grande atriz da noite para o dia para todo mundo com um mínimo de bom senso, enquanto Leonardo DiCaprio foi transformado em ídolo máximo das meninas. Agora, bom ator? Nem todos concordavam.

Quando pensaram que Leo aproveitaria a fama, ele atuou no estranho A Praia (2000) e nem todas as garotas “amaram” o filme de Danny Boyle. Logo depois, ele sumiu. Por pouco tempo, para voltar sob a direção de dois monstros sagrados, Martin Scorsese e Steven Spielberg. Em Gangues de Nova York (2002), muitos disseram que Leo foi ofuscado pela demoníaca atuação de Daniel Day-Lewis. Ok, não deixa de ser verdade. Mas foi um aprendizado e tanto para o menino. Já em Prenda-Me Se For Capaz (2002), Leo deu um show de carisma. Dois anos depois, voltou a trabalhar com Martin Scorsese em O Aviador, que defendo até hoje como o melhor filme de 2004.Talvez seja a maior atuação da carreira de Leonardo DiCaprio, que só não levou o Oscar de Melhor Ator porque Jamie Foxx (quem?) estava possuído por Ray Charles.

Em 2006, liderou o elenco fabuloso de Os Infiltrados, que rendeu o primeiro Oscar de Melhor Diretor para o grande Martin Scorsese. No mesmo ano, Leo foi indicado ao prêmio da Academia por Diamante de Sangue, de Edward Zwick. Até Ilha do Medo, quarta parceria com Martin Scorsese, Leo seguiu trabalhando só com a nata da diretoria de Hollywood: Ridley Scott (Rede de Mentiras), Sam Mendes (Foi Apenas um Sonho) e, agora, Christopher Nolan (A Origem). Em breve, estará na cinebiografia de J. Edgar Hoover, como o próprio, sob a direção de Clint Eastwood.

Hoje, será que os detratores de Titanic e aqueles que julgavam Leonardo DiCaprio apenas pela aparência admitem que ele é um dos melhores atores de sua geração? Não é para qualquer um aguentar o tranco de duas produções fortíssimas para a cabeça lançadas no mesmo ano, como Ilha do Medo e A Origem. Mas Leo sobreviveu. E evoluiu. Digamos que Martin Scorsese fez um bem danado a ele. Apesar de tudo, parece que Leo tem os pés no chão. Aos 35 anos, tenho certeza de que ele ainda nos dará muitas alegrias.

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