agosto 17th, 2010

Meu Malvado Favorito

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O principal problema de Meu Malvado Favorito (Despicable Me, 2010) é chegar aos cinemas após a euforia causada na plateia por Como Treinar o Seu Dragão e, principalmente, Toy Story 3. Sem falar em Shrek Para Sempre, fim de uma das franquias mais bem-sucedidas da atualidade, que não é lá essas coisas, mas que carrega um apelo irresistível que garantiu seu sucesso nas bilheterias.  Outro problema, um pouco menor – diferentemente das três animações citadas acima –, é ser direcionado de forma exclusiva para pequenos até seis ou sete anos.

Ei, eu disse “problema”? Na minha sessão, um garoto de nove anos me disse que achou tudo “muito bobo”. Mas a criançada miúda, com voz e gargalhada de neném, ria descontroladamente em diversas cenas. Então, quem sou eu para criticar Meu Malvado Favorito? É mais fácil os pequenos estarem certos do que eu.

De qualquer forma, preciso mandar um bilhete assinado para os pais responsáveis que pagam os (caros) ingressos das sessões 3-D: Há uma enorme diferença entre a criatividade e a busca pela pureza do sentimento nos filmes da Pixar, assim como o aparente amadurecimento da DreamWorks Animation – em Como Treinar o Seu Dragão –, e a primeira animação da Illumination Entertainment, de Chris Meledandri, ex-chefão da Fox Animation. Seguindo os passos fáceis das apostas iniciais da DreamWorks para conquistar o público, Meu Malvado Favorito inaugura a era da Illumination explorando um humor cheio de malandragem e piadas óbvias, que incluem armas que soltam “pum”. É uma verdadeira salada de referências pop batida no liquidificador. O resultado é o lugar comum para um besteirol insano protagonizado por personagens cheios de “jeitinho”. Foi assim com a DreamWorks em Kung Fu Panda, Madagascar e O Espanta Tubarões, que demorou a sentir confiança em si própria para criar algo tão encantador, divertido e especial no estilo de Como Treinar Seu Dragão. Pode ser que, um dia, a Illumination Entertainment chegue lá. Mas, por enquanto, está engatinhando atrás da única parcela do público que pode estabilizá-la no mercado: as crianças.

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Essa discussão entre o que é realmente bom e o que é somente importante para a manutenção e o crescimento da indústria chegou há tempos no assunto “animação”. Olhe em volta e note como os cinemas estão sempre cercados por pôsteres de desenhos novos. Nem todos chegam somente na temporada do verão americano. Nem todos estreiam no Natal. Chegamos ao ponto em que animações estreiam mês sim, mês não. Em pouco tempo, talvez, teremos uma animação nova a cada mês. Então é relevante questionar a qualidade – não técnica, porque seria redundante -, das produções em cartaz.

Sem dúvida que Chris Meledandri é um sujeito esperto. O adulto acostumado com Toy Story 3 e Up terá vergonha de sair do cinema discordando do filho, sobrinho ou priminho. Ao ouvir as risadas gostosas das crianças durante a sessão, o negócio é relaxar e se deixar levar pelas desventuras de Gru (voz de Steve Carell), com seu perfil de rival de James Bond, mas no fundo, no fundo, um bandidão medíocre que não quer dominar o mundo ou coisa assim. Ele mora numa vizinhança qualquer na casa da Família Addams (o tipo meio Tio Fester não me engana), cresceu atormentado com o descaso da mãe e sua única ambição é ser anunciado pela CNN como o maior vilão de todos os tempos. Para isso, ele tentará roubar a Lua. Mas três pequenas órfãs fofinhas entram em seu caminho e Gru descobrirá que seu coração não é tão duro assim.

Entenda: Meu Malvado Favorito está longe de ser ruim. Pode ser que Gru fique famoso um dia como Buzz, Woody, Shrek, entre outros. Ou melhor, pode ser que ele mereça isso em um futuro não muito distante. Tem potencial enorme para ser explorado numa provável franquia. Mas, até o momento, sofre com as comparações. O filme, pelo menos, tem o mérito de explorar o fato dos vilões serem, quase sempre, muito mais interessantes que os heróis. E fazer o público – adulto ou criança – sentir compaixão por Gru, acredite se quiser, é um golaço da Illumination Entertainment. Não tenha a menor dúivida: Você vai rir neste filme. E mais ainda se levar uma criança com você.

Meu Malvado Favorito (Despicable Me, 2010)
Direção: Pierre Coffin e Chris Renaud
Roteiro: Ken Daurio e Cinco Paul
Com as vozes de Steve Carell, Jason Segel, Russell Brand, Kristen Wiig, Julie Andrews, Will Arnett, Danny McBride, Jemaine Clement, Miranda Cosgrove, Jack McBrayer, Mindy Kaling e Ken Jeong

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