agosto 23rd, 2010

O Aprendiz de Feiticeiro

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Quando a Disney fez um filme realmente especial? Esqueça estúdios e produtoras que pertencem ao império do Mickey. Esqueça também as animações, incluindo as da Pixar, porque estou falando de filmes com atores de carne e osso com a marca Walt Disney. Ok, acrescente personagens animados ao lado de Julie Andrews e Dick Van Dyke e temos Mary Poppins. Algum outro exemplo? Se você pensou em Tron, acho que é uma fantasia bacana cultuada por meia dúzia de nerds, como eu, mas não chega a ser um grande filme. Piratas do Caribe? Bom, trata-se de um enorme sucesso de bilheteria, mas Johnny Depp é muito melhor que os três (em breve quatro) filmes juntos. Olha, nem vou considerar Príncipe da Pérsia e Força G. Mas já que entramos no território Jerry Bruckheimer, afinal vamos falar de O Aprendiz de Feiticeiro (The Sorcerer’s Apprenctice, 2010), a parceria do superprodutor de Hollywood com a Disney vem sendo mais importante no aspecto financeiro, pois gerou muito, mas muito dinheiro mesmo para a indústria.

Não sei, mas será que Bruckheimer e a Disney perceberam que o público em geral não gostou tanto assim de Príncipe da Pérsia e este O Aprendiz de Feiticeiro, o que teria levado a parceria a explorar ainda mais a marca Piratas do Caribe, cujo quarto filme estreia em 2011? O fato é que não quero falar muito sobre O Aprendiz de Feiticeiro. É o tipo de filme que poderia ter dado muito certo há uns 25 anos atrás, quando a indústria ainda não levava tão a sério o objetivo do filme se pagar já no primeiro final de semana de exibição. Esse mesmo roteiro de Larry Konner e Mark Rosenthal teria rendido um belo filme voltado para o público jovem numa época em que nomes como Steven Spielberg produziam longas deliciosos como De Volta Para o Futuro, Os Goonies e O Milagre Veio do Espaço, quando o cinema de entretenimento, no geral, estava muito mais preocupado com histórias sobre valores básicos conduzidas por personagens reais e bem menos com a perfeição dos efeitos visuais. Mas essa época, infelizmente, já passou.

Então, por que preciso dizer aqui que O Aprendiz de Feiticeiro é um dos piores filmes do ano? Eu prefiro malhar a Disney, a fábrica de sonhos que pode (e deve) fazer coisa melhor, assim como Jerry Bruckheimer, que alterna mais baixos do que altos em sua carreira. Se quer gastar seu dinheiro com tanta porcaria na telona direcionada para a criançada, Bruckheimer deveria doar sua fortuna para ajudar a garotada que vive nas ruas e passa fome pelo mundo. Seria muito mais inteligente de sua parte. Prefiro detonar o projeto de diretor chamado Jon Turteltaub, um operário padrão de Hollywood que coleciona filmes artificiais, feitos calculadamente para agradar aquele seu famoso amigo, leitor, que não entende nada de cinema, mas que passou na locadora ontem para alugar um filminho leve, sem compromisso, para ser visto numa tarde preguiçosa, debaixo das cobertas comendo bolinho de chuva. São filmes como Fenômeno, com John Travolta, Duas Vidas, com Bruce Willis, e A Lenda do Tesouro Perdido, produzido por quem? Jerry Bruckheimer, claro. E quem é o astro? Nicolas Cage, seu coleguinha neste O Aprendiz de Feiticeiro. Sim, o que nos leva ao maior pagador de micos deste século cinematográfico: Nicolas Cage, senhoras e senhores.

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Está certo que depois do Oscar de Melhor Ator*, em 1996, Cage declarou em diversas entrevistas que adoraria fazer filmes de ação e aventura. Fez até alguns exemplares legais do gênero como A Rocha, Con Air e A Outra Face. Mas, em pouco tempo, pirou de vez em ovos podres como 60 Segundos e O Motoqueiro Fantasma. E não foi só em filme de ação. Cage esgotou a minha e a sua paciência em bombas como O Sacrifício, O Capitão Corelli, Códigos de Guerra, As Torres Gêmeas, Oito Milímetros, O Vidente (Deus, o que é O Vidente?) e Perigo em Bangkok. De vez em quando, ele é convencido a fazer algo realmente bom como Adaptação e Vício Frenético. Mas isso é raro. A pergunta é: O que se passa na cabeça de Nicolas Cage?

O Aprendiz de Feiticeiro é a velha história que costuma dar certo sobre um jovem que é um zé ninguém em seu mundo real, mas que descobre um universo fantástico em que ele desempenhará, após muito treinamento, um papel fundamental na luta do bem contra o mal. Foi assim em Star Wars, Matrix, Avatar, Harry Potter e tantos outros.

Cheio de caras e bocas, Jay Baruchel, garoto prodígio que surgiu se não me engano em Menina de Ouro, faz Dave, o aprendiz de feiticeiro do título que é treinado por Baltazar (Nicolas Cage), um discípulo de Merlin, a enfrentar Horvath (Alfred Molina), que por sua vez tenta libertar a poderosa bruxa Morgana. Enfim, você já viu esse filme antes. E melhor.

Jon Turteltaub e Jerry Bruckheimer ainda tentam fazer algumas homenagens a Star Wars e Fantasia, mas filme que desperdiça Monica Bellucci não merece o meu respeito. Pensei que Hollywood havia aprendido a lição com Matrix Reloaded e Matrix Revolutions.

O Aprendiz de Feiticeiro (The Sorcerer’s Apprenctice, 2010)
Direção: Jon Turteltaub
Roteiro: Larry Konner e Mark Rosenthal
Elenco: Nicolas Cage, Jay Baruchel, Alfred Molina, Teresa Palmer, Toby Kebbell, Omar Benson Miller, Monica Bellucci e Alice Krige

* Nicolas Cage ganhou o Oscar de Melhor Ator por “Despedida em Las Vegas”.

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