Os Mercenários

Os Mercenários (The Expendables, 2010) é basicamente sobre um grupo de fortões com pouco (ou nenhum) cérebro que só sabe atirar, bater, correr e explodir. Este é o oitavo filme dirigido pelo astro Sylvester Stallone, que acredita em um tipo de cinema que parou no tempo. Desde a parte técnica – passando pelos conhecimentos básicos que um diretor deve ter na hora de filmar e editar – até conceitos e influências inseridos na trama “testosterona + adrenalina = cérebro de minhoca explodindo tudo pela frente”, que vai na contramão dos exemplares recentes do gênero que colocam a cabeça do público para funcionar, como a Trilogia Bourne.
Ao contrário do que parece, Stallone não está chamando ninguém de burro. Os Mercenários foi feito para os fãs de Schwarzenegger, Van Damme, Chuck Norris, Steven Seagal e… Stallone. Não cometa o erro de dizer que foi enganado pelo diretor, porque se você não sabe onde se meteu, Dolph Lundgren fará questão de lembrá-lo no primeiro tiro do filme que manda metade do corpo de um pobre vilão pelos ares logo nos minutos iniciais. É para vibrar ou chorar de rir. Estou falando com os fãs de Stallone. E os amantes dos filmes de ação truculentos dos anos 80.
RUIM DE CABO A RABO
Se bem que Os Mercenários lembra mais aquele filme B do gênero produzido pela tosca Cannon Group, de Menahem Golan e Yoram Globus, que produziu pérolas rodadas no quintal de suas casas, com cara de trabalho de conclusão de curso de faculdade, como Comando Delta, American Ninja, Braddock, Mestres do Universo e As Minas do Rei Salomão. Mas, espere um pouco. Avi Lerner, dono da Millennium Films, que distribui Os Mercenários, assinou a produção de filmes como Allan Quatermain e a Cidade do Ouro Perdido, ao lado de… Menahem Golan e Yoram Globus. Então é tudo farinha do mesmo saco. Captou a qualidade de fotografia, montagem, som, efeitos visuais, etc, etc? Perto desses filmes, O Vingador do Futuro, com Schwarzenegger, Risco Total, com Stallone, e O Alvo, com Van Damme, representam mais ou menos a diferença da qualidade de imagem e som do Blu-ray para o DVD. Ou seria do Blu-ray para o VHS?

A ruindade de Os Mercenários também é óbvia no roteiro, mas isso até os fãs sabiam. Porém, repare nos diálogos. Fica uma sensação estranha no ar de que há tempo demais entre uma fala e outra. É como se os atores (canastrões) não tivessem texto para decorar (ou incorporar) e fossem obrigados a improvisar. E dá-lhe frases de efeito xerocadas de outros filmes do gênero e vários “Yeah!” entre uma matança bem-sucedida e outra. Dá-lhe cenas de compreensão quase impossível, como a fuga de Sylvester Stallone e Jason Statham no avião. Mas, calma, olhe de novo: macho de verdade não foge. Eles estavam apenas dando meia volta e se preparando para contra-atacar e matar de uma só vez 41 vilões. Ridículo? Então espere por uma cena perto do final em que esses bastardos inglórios explodem todo o império do malvado ditador, mandando quase todo o filme pelos ares. E como depois disso não há mais nada em volta para detonar, Stallone grita para um de seus fiéis amigos: “EXPLODA O CAIS!” Cara, essa foi ótima. Não sobra pedra sobre pedra. Ri de chorar no cinema.
HAPPY HOUR ENTRE AMIGOS DE VERDADE
Agora que você entendeu o nível de Os Mercenários, saiba que Stallone não faz referências ao Brasil. Ponto. Mangaratiba, no Rio de Janeiro, aparece em algumas cenas, como parte de um país fictício da “América Latina” sofrendo nas mãos de um ditador. Esqueça os bastidores da declaração infeliz de Stallone e embarque nessa aventura saudosista. Os Mercenários é um happy hour entre amigos de verdade falando de assuntos machos, sem tempo para compromissos sérios com Gisele Itié, que está ali somente para ser salva e mostrar que os brutos também têm coração mole. No fim, o que fica é a força da amizade, indestrutível. É a salvação desses caras em mais uma tradução do lema bros before hos. Repare no traidor do grupo, que volta na cena final para se desculpar. Ridículo? Ok, mas Stallone quer ilustrar a amizade masculina acima de tudo. Entenda as regras de Sly: somente ao lado de outro macho, um homem pode ser visto chorando, como na (boa) cena do desabafo de Mickey Rourke.
Ninguém ficará menos inteligente depois de assistir ao novo filme de Stallone. E não há problema algum se você quiser admitir que adora se divertir com filmes como Os Mercenários e American Ninja. Claro, desde que você tenha a noção de que está diante de um produto extremamente ruim, de gosto duvidoso, mas que de certa forma lhe dá prazer, como admitir a emoção no encontro Planet Hollywood, que reúne numa mesma cena três ícones do cinema de ação dos anos 80/90: Arnold Schwarzenegger, Bruce Willis e Sylvester Stallone.
Os Mercenários é o guilty pleasure do ano. Eu, pelo menos, adorei. E entendo perfeitamente quando os fãs de Crepúsculo vibram com os filmes protagonizados por Robert Pattinson e Kristen Stewart.
Os Mercenários (The Expendables, 2010)
Direção: Sylvester Stallone
Roteiro: Dave Callaham e Sylvester Stallone
Elenco: Sylvester Stallone, Jason Statham, Jet Li, Dolph Lundgren, Eric Roberts, Randy Couture, Steve Austin, David Zayas, Giselle Itié, Gary Daniels, Terry Crews e Mickey Rourke



Perfeito


Concordo que este será o guilty pleasure do ano, pelo menos até a estreia de “Burlesque”! rsrsrsrsrsrs
O filme faz jus ao cinema de ação dos anos 80, é tão ruim que se torna bom! Eu me diverti horrores!
Beijos!
Nossa, mas achei 1 estrela tão pouquinho para um filme que você gostou de um certa forma, rsrs. Meu guilty pleasure do ano foi o “Sex and the City 2″, haha.
KAMILA
“Burlesque”? Vai ser pior mesmo? hahahaha…E, bom, você viu aí como me diverti bastante com “Os Mercenários”. Mas preciso admitir: Ô filmezinho ruim! Bjs!
VINICIUS
Mas você entendeu, certo? Preciso usar a razão na nota final. É ruim, mas é bom! Abs!
Nossa,Stallone tá com a cara deformada de botox.É tanta plastica que ele fez que juntando tudo é capaz de sair um criança de 3 anos.O filme deve ser bem ruim mesmo,é uma pena o Mickey Rourke estragar a carreira de novo com esses projetos.Depois do soberbo O Lutador e de ganhar o Globo de Ouro e Bafta de Melhor ator,ele devia escolher melhor seus projetos.Vou deixar pra ver Os Mercenários em DVD.Abraço.
A moda agora é vintage dos anos 80, se na rua os jovens usam Ray Ban Wayfarer, nos cinemas também há de convir com esta onda. Será prazeroso ver um “clássico” no século 21.
Guilty pleasure, de fato. Vou surtar lembrando de Comando Delta, Braddocks, American Ninja e outras pérolas – além dos mais conhecidos da época.
Mais aguardado do que esse, pra mim, só mesmo o MACHETE.
YEAH Baby!!!
PAULO RICARDO
Hahahahaha, sensacional a sua observação sobre o botox! Mas o Mickey Rourke até que está bem no filme. Abs!
NEO
Bom, estás diante de um legítimo representante dos anos 80 no cinema: “Os Mercenários”. Abs!
FABIO
Pois é. “Machete” deve ser demais. Mas o buraco aí é mais embaixo, não? “Machete” é trash. “Os Mercenários” é cinema de ação dos anos 80, com produção de segunda linha. Pouco dinheiro, mas não trash. Abs!
Simplesmente horrível, Otávio!!!
Filmezinho de 5ª estilo os filmezinhos de 5ª dos anos 80, pois a referida década produziu filmes bons também, os quais não listarei aqui pq são vários.
Agora, por ser estilo pancadaria oitentista não quer dizer q/ tenha sido divertido. Muito clichê e previsível.Na minha opinião, a Gisele Itié deveria ter vergonha de acumular em seu currículo artístico esse lixo, pois ela já fez trabalhos melhores em novelas produzidas aqui,com diretores e produtores nacionais.
Fraco demais, todos ums velinhos, shuazeneguer tá precisando até de andadô, filmexinho de seção da tarde, não diria uma porcaria, mas uma mensagem, VAI DESCANÇAR SENHORES.
ela não tem que se envergonhar de nada qndo ela assinou contrato, para fazer o filme ela só pensou que iria contracenar com um ícone do cinema, só isso mais nada é só mais um trabalho no qual ela foi remunerada prá fazer ok.
Felizmente(ou infelizmente) alguns trabalhos na vida de artistas são p/ se envergonhar sim!!! Talvez o único consolo seja um cachê milionário(será, pelos padrões hollywoodianos?) e uma possível projeção internacional, o q/não é impossível, mas difícil Gisele conseguir c/ esse tipo de produção!!!
RAQUEL
Bjs!
Você disse tudo! Mas eu me diverti. Porém, confesso que é uma bomba!
ANTONIO
Hahahahaha, eu não diria “Sessão da Tarde”, mas “Domingo Maior”… Abs!
DANI
Bom, ela não tem o talento de uma Alice Braga, né? Bjs!