agosto 12th, 2010

Stallone no planeta dos macacos

Sly
Assim falou Sylvester Stallone sobre o Brasil na Comic-Con 2010, realizada em San Diego no mês de julho:

“Você pode explodir o país inteiro e eles vão dizer ‘obrigado, e aqui está um macaco para você levar de volta para casa’.”

Bonitinho, não? O novo Judas sofreu a ira de grande parte do povo brasileiro e foi malhado impiedosamente, principalmente na internet, claro. Stallone ainda insinuou que teve liberdade para filmar cenas de luta com mais agressividade, usar armas de fogo e destruir edifícios e veículos impunemente. Quando percebeu que seu comentário poderia arruinar a carreira de seu novo filme (Os Mercenários) no Brasil e, quiçá, sua condição de ídolo no ex-país do futebol, Stallone pediu perdão:

“Eu peço desculpas sinceras às pessoas do Brasil. Todas as minhas experiências no Brasil foram fantásticas e eu disse a todos os meus amigos para filmarem lá. Ontem, eu tentei falar algo engraçado, só que me expressei mal. Eu não tenho nada além de respeito por esse grande país que é o Brasil. Mais uma vez, peço desculpas. Amor, Sly”.

Como um iconoclasta politicamente incorreto que não dá a mínima para rigorosas restrições sociais, não pude deixar de comentar sobre a polêmica brincadeira do ator, diretor, roteirista, produtor e filósofo Sylvester Stallone em relação ao Brasil, onde rodou algumas cenas de Os Mercenários. O único problema nessa história toda é descobrir se o astro realmente atirou e explodiu como quis em nosso território. Nesse ponto, acho interessante abrir uma investigação que leve a verdade ao povo sobre a permissão ou não das autoridades brasileiras para essa bagunça. Mas, ei, sabemos muito bem que esta é uma discussão que não vai a lugar nenhum. Voltemos então ao que Stallone disse.

A confusão me fez lembrar do episódio infeliz de Robin Williams, que falou para o David Letterman que o Rio de Janeiro ganhou o direito de sediar as olimpíadas de 2016 porque os cariocas mandaram “50 strippers e meio quilo de pó para Copenhague”. Ora, Robin Williams é um comediante insano que não mede suas palavras na hora de fazer graça. Quando ele faz brincadeiras com os outros, aí pode. Quando é com o Brasil, país que só permite mulher pelada na rua durante o Carnaval, a brincadeira não tem graça e o dono da piada merece ser apedrejado.

No caso de “Sly”, o buraco é mais embaixo. Não na culpa dele. Mas na inteligência das palavras. Vamos admitir, pessoal, o grande Rocky Balboa nunca representou uma ameaça para Albert Einstein e muito menos para os japoneses no vestibular da USP. Após sucessivos fracassos, Sly trouxe dos mortos heróis aposentados como Rocky e Rambo. Se isso não significa desespero, então não sei dizer bem o que é. Doido para se manter no topo como antigamente, ele resolve brincar com o Brasil. Se isso não é burrice, então não sei dizer bem o que é.

Há motivos mais que suficientes para desculpá-lo. Face à fragilidade de seu cérebro, seria mesmo um primor de sensibilidade, inteligência e orgulho de ser brasileiro ignorar Os Mercenários no cinema? Ou mesmo quando o filme passar no Domingo Maior? Seres pensantes em geral já sabem que ele se desculpou de uma brincadeira que só arrancou risos dele mesmo.

Caso pior aconteceu em Os Simpsons, série inteligente feita por gente de QI elevado, com tempo para estudar, raciocinar, escrever e produzir um episódio decente. Mas esses  espertalhões resolveram avacalhar o Brasil com índios nas ruas, mulatas sambando em qualquer lugar ou época do ano, macacos e o Rio Amazonas em uma das esquinas de Copacabana. Muito piores são as polêmicas recentes envolvendo o ditador da Coreia do Norte que humilhou os jogadores da seleção de seu país, além do astro Mel Gibson que não sabe “o que as mulheres gostam” e o ex-goleiro do meu time e atual principal suspeito de assassinato.

Como não quero meu nome nos TTs do Twitter, eis uma nota do Hollywoodiano:

“O título deste post não tem relação alguma com o nosso País. Além do mais, como todos sabem (até o Stallone), o Brasil não é um planeta. Foi apenas uma brincadeira (infeliz ou não) juntando a palavra “macaco” (cantada pelo astro de “Os Mercenários”) com o título de um dos maiores filmes de ficção científica já feitos. Mas continuo achando o politicamente correto muito chato.”

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