Stallone no planeta dos macacos

Assim falou Sylvester Stallone sobre o Brasil na Comic-Con 2010, realizada em San Diego no mês de julho:
“Você pode explodir o país inteiro e eles vão dizer ‘obrigado, e aqui está um macaco para você levar de volta para casa’.”
Bonitinho, não? O novo Judas sofreu a ira de grande parte do povo brasileiro e foi malhado impiedosamente, principalmente na internet, claro. Stallone ainda insinuou que teve liberdade para filmar cenas de luta com mais agressividade, usar armas de fogo e destruir edifícios e veículos impunemente. Quando percebeu que seu comentário poderia arruinar a carreira de seu novo filme (Os Mercenários) no Brasil e, quiçá, sua condição de ídolo no ex-país do futebol, Stallone pediu perdão:
“Eu peço desculpas sinceras às pessoas do Brasil. Todas as minhas experiências no Brasil foram fantásticas e eu disse a todos os meus amigos para filmarem lá. Ontem, eu tentei falar algo engraçado, só que me expressei mal. Eu não tenho nada além de respeito por esse grande país que é o Brasil. Mais uma vez, peço desculpas. Amor, Sly”.
Como um iconoclasta politicamente incorreto que não dá a mínima para rigorosas restrições sociais, não pude deixar de comentar sobre a polêmica brincadeira do ator, diretor, roteirista, produtor e filósofo Sylvester Stallone em relação ao Brasil, onde rodou algumas cenas de Os Mercenários. O único problema nessa história toda é descobrir se o astro realmente atirou e explodiu como quis em nosso território. Nesse ponto, acho interessante abrir uma investigação que leve a verdade ao povo sobre a permissão ou não das autoridades brasileiras para essa bagunça. Mas, ei, sabemos muito bem que esta é uma discussão que não vai a lugar nenhum. Voltemos então ao que Stallone disse.
A confusão me fez lembrar do episódio infeliz de Robin Williams, que falou para o David Letterman que o Rio de Janeiro ganhou o direito de sediar as olimpíadas de 2016 porque os cariocas mandaram “50 strippers e meio quilo de pó para Copenhague”. Ora, Robin Williams é um comediante insano que não mede suas palavras na hora de fazer graça. Quando ele faz brincadeiras com os outros, aí pode. Quando é com o Brasil, país que só permite mulher pelada na rua durante o Carnaval, a brincadeira não tem graça e o dono da piada merece ser apedrejado.
No caso de “Sly”, o buraco é mais embaixo. Não na culpa dele. Mas na inteligência das palavras. Vamos admitir, pessoal, o grande Rocky Balboa nunca representou uma ameaça para Albert Einstein e muito menos para os japoneses no vestibular da USP. Após sucessivos fracassos, Sly trouxe dos mortos heróis aposentados como Rocky e Rambo. Se isso não significa desespero, então não sei dizer bem o que é. Doido para se manter no topo como antigamente, ele resolve brincar com o Brasil. Se isso não é burrice, então não sei dizer bem o que é.
Há motivos mais que suficientes para desculpá-lo. Face à fragilidade de seu cérebro, seria mesmo um primor de sensibilidade, inteligência e orgulho de ser brasileiro ignorar Os Mercenários no cinema? Ou mesmo quando o filme passar no Domingo Maior? Seres pensantes em geral já sabem que ele se desculpou de uma brincadeira que só arrancou risos dele mesmo.
Caso pior aconteceu em Os Simpsons, série inteligente feita por gente de QI elevado, com tempo para estudar, raciocinar, escrever e produzir um episódio decente. Mas esses espertalhões resolveram avacalhar o Brasil com índios nas ruas, mulatas sambando em qualquer lugar ou época do ano, macacos e o Rio Amazonas em uma das esquinas de Copacabana. Muito piores são as polêmicas recentes envolvendo o ditador da Coreia do Norte que humilhou os jogadores da seleção de seu país, além do astro Mel Gibson que não sabe “o que as mulheres gostam” e o ex-goleiro do meu time e atual principal suspeito de assassinato.
Como não quero meu nome nos TTs do Twitter, eis uma nota do Hollywoodiano:
“O título deste post não tem relação alguma com o nosso País. Além do mais, como todos sabem (até o Stallone), o Brasil não é um planeta. Foi apenas uma brincadeira (infeliz ou não) juntando a palavra “macaco” (cantada pelo astro de “Os Mercenários”) com o título de um dos maiores filmes de ficção científica já feitos. Mas continuo achando o politicamente correto muito chato.”



Perfeito


Stallone foi Rambo e Rocky, logo, é maior que o Brasil.
O que podemos fazer? Tem gente que interpreta mal as coisas …
E além disso … queremos fazer piadas mas nunca serem o motivo da piada … é complicado não?
Espero q/ Stallone não precise mais voltar a esse país q/, segundo ele, é tão complacente e sem amor-próprio(foi o q/ entendi c/ a fala dele).
Mas infelizmente, existem brasileiros q/ preferem enxergar um herói de enlatados(c/ respeito aos sucessos de Rocky e Rambo), concordar e rir de imagens preconceituosas q/ fazem de nosso país lá fora q/ enxergar o q/ realmente existe aqui. Certamente esses brasileiros q/ aplaudiram “Balboa” precisam malhar + os neurônios também, e não só os bíceps, como seu ídolo.
MARCUS
Eu critiquei o politicamente correto. Só isso. Sou menino e cresci com os filmes de Stallone. Mas que ele foi burro, ah foi. E sei que ele também se desculpou. Então essa história acabou. Vida que segue. Ah, e acho que o Brasil é muuuuuuito maior que o Stallone hehe… Abs!
JOÃO PAULO
Sem dúvida! Mas a piada foi do Robin Williams. O Sly foi burrão. Mas se desculpou, né? Então, só não deve ir ao cinema quem não gosta de filmes de ação dos anos 80. Esse é o motivo para quem não quer ver “Os Mercenários”. E não porque Stallone falou bobagem. Repito: Ele se desculpou. Abs!
RAQUEL
Entendo seu ponto de vista! E respeito! Mas acho que você entendeu o meu, não? Quero que fique claro aqui que JAMAIS defendi o que Stallone falou. Ok? Bjs!
Otávio, compreendi sim o q/ vc disse e concordo em muitos pontos, como a burrice de Stallone. Quanto as piadas, elas acabam refletindo o q/ um grupo pensa sobre outro, mas brinca para não ter discórdia pq falar sério pode não ter bons resultados. Fazemos piadas pq realmente seu contexto tem um pouco de verdade, não adianta negar.É claro q/ temos q/ aguentar as q/ fazem sobre a gente, mas precisamos refletir o q/ há por trás disso ou q/ imagem passamos p/ tal.
RAQUEL
Você tem toda a razão em seu comentário! Sobre a nossa imagem, no entanto, essa é uma discussão que vai longe. Eu, por exemplo, penso também que o próprio cinema nacional deveria repensar um pouquinho mais sobre a tendência de nossos filmes em abordar temas que já cansaram, não? É muito “Salve Geral”, “400 Contra 1″, “Ônibus 174″. Não sei. Claro que não estou comparando a inteligência da visão de Stallone (e de muitos americanos) sobre o Brasil com a avaliação da realidade do País feita por nossos cineastas. Mas acho que o nosso cinema pode se concentrar em muitas histórias diferentes de diferentes gêneros sem descaracterizar nossas crenças e culturas. O cinema argentino é um bom exemplo. Enfim, quero dizer que a lição começa em casa. Assim, é questão de tempo que filmes como “Os Mercenários” pareçam um tanto envelhecidos em suas visões e ideologias. De repente, o filme já é até vovô neste quesito. Hehe, vou ver e depois te falo. Bjs!
Agora vc disse tudo! É o q/ falei sobre q/ imagens passamos. Produções nacionais q/ mostram extrema violência, impunidade, prostituição, paternalismo a criminosos entre outros quesitos “fora da lei” já tão batidos só reforçam o estereótipo negativo sobre o Brasil, é difícil uma produção nacional q/ enfoque e descortine outros temas de nossa cultura(existem tais produções sim)q/ precisa ser visto lá fora.
Quanto ao filme de Stallone,q/ como vc disse não é nem nunca será maior q/ o Brasil acho também q/ vou assistir, pelo menos por diversão.
Abços!
RAQUEL
Mas é isso! Também vou ver “Os Mercenários” atrás de diversão. E tomara que eu encontre! Bjs!
stallone’s right, brazil is a violent country and full of problems
LUKE
Really? Who said that? Ask Madonna, for example. She found Jesus here in Brazil. Do you know that? Ah, forget it. Here’s a post for you, Luke: http://www.hollywoodiano.com/2010/08/blu-ray-de-star-wars-chega-em-2011/
Brasileiro faz piada com vários países, falam mal e ofendem, e quando fazem uma piada do Brasil, ficam bravinhos… bando de hipócritas!