Karatê Kid

Karatê Kid, clássico moderno de 1984 dirigido por John G. Avildsen, não merecia um remake. Mas era questão de tempo. Penso, no entanto, que os profissionais de Hollywood envolvidos com essas “atualizações”, que não param de chegar aos cinemas, assistiram aos originais há muito tempo, talvez quando ainda eram jovens demais para entender os reais valores desses filmes nas entrelinhas. O problema é que o fã que paga para vibrar com um remake de Karatê Kid (The Karate Kid, 2010) provavelmente viu o filme de 1984 dezenas de vezes e não está nem aí para a faixa de público que vai ao cinema para falar alto, conversar e acender a luzinha do celular de cinco em cinco minutos. Mas é com esse público sem educação que Hollywood se preocupa. Queira ou não, esses playboys sustentam a indústria. E apostar no remake de um filme consagrado significa dinheiro garantido nas bilheterias.
O novo Karatê Kid seria até um filme aceitável se existisse sozinho, mas nunca viraria um clássico. Só que a realidade é outra: Sempre será comparado com o longa estrelado por Ralph Macchio e Pat Morita, que marcou época. E qual é a grande diferença entre os dois filmes? Eu diria “paixão pela história”. Tudo bem, os realizadores são fãs do original. Mas esse filme não tem alma, o sangue que corre nas veias não ferve.
O Karatê Kid antigo pode ter cara e cheiro de mofo, mas tem seu charme conservado até hoje. Lógico que todos os envolvidos queriam ganhar dinheiro, mas a máquina se preocupava com histórias sobre seres humanos, valores básicos, com a paciência necessária para se desenvolver uma trama durante duas horas, sem diálogos explicativos demais. O novo longa estrelado por Jaden Smith e Jackie Chan se preocupa com os fãs de Justin Bieber e não quer deixar dúvida a respeito da relação entre mestre e aprendiz, que sempre foi de pai e filho no Karatê Kid original. Só cego não viu. No novo filme, Jaden coloca pra fora expressões como “Eu te amo, Sr. Han!”, enquanto Jackie Chan desabafa em certa hora para o menino algo como “Aprendi muito com você e agora eu sei que devo fazer assim e assado.” É tudo muito óbvio, você entendeu.

Hollywood pensa que sou burro, eu sei disso. Mas chamar um filme de Karatê Kid quando o que acontece na tela é Kung Fu, desculpe-me, mas aí também é me dizer na cara que sou uma anta. Liberdade de expressão my ass! Vira ofensa, sério. É como fazer um remake de Cantando na Chuva, seguir praticamente o mesmo roteiro do clássico de Gene Kelly e Stanley Donen, acrescentar algumas cenas para deixar a duração com mais de duas horas – o que virou moda há muito tempo – e filmar a famosa sequência com o protagonista dançando Singin’ in the Rain numa praia ensolarada de Porto de Galinhas no lugar de uma rua castigada pela chuva. Sério, isso é como me chamar de “burro” na cara dura e ainda sair andando com uns trocados do meu rico dinheirinho no bolso.
O diretor Harald Zwart não é John G. Avildsen, que não é um Deus, mas segue sua filosofia Rocky Balboa. Quero dizer que o cara sempre teve um plano em mente. Zwart é um operário padrão da indústria, assina O Agente Teen, A Pantera Cor-de-Rosa 2 e o que colocam em sua mesa. Talvez porque filme bem, saiba aproveitar as paisagens e acrescentar música de pianinho triste nas cenas que exigem lágrimas nos olhos. Zwart, como quase todos os cineastas de aluguel, sabe como rodar a câmera em volta do terraço dos prédios e do alto das montanhas para acompanhar os protagonistas treinando, com muita música de fundo, aquele clichê todo que você conhece. Nessas horas, inclusive, achei que o Kung Fu Panda ia aparecer, mas infelizmente não tive o prazer de sua visita.
Se você conhece o filme original, sabe que no final haverá um torneio de Karatê. Opa, desculpa, eu quis dizer “Kung Fu”. Compare os dois filmes neste ponto e repare como o drama é muito mais valorizado no longa de 1984. No remake, o que vale é a montagem acelerada, o ritmo de videoclipe. Fica também difícil de acreditar em Jackie Chan como o mestre do Kung Fu que treina o filho de Will Smith. Chan, digamos, está ótimo no filme. Talvez seja a sua melhor atuação, mas o ator tem uma bagagem muito grande de caretas e gracinhas em filmes bobos de ação. Jackie Chan é um personagem. Será muito mais lembrado por sua contribuição em A Hora do Rush, por exemplo. Diferente de Pat Morita, que após Karatê Kid, entrou para a eternidade. Não tem jeito, ele será lembrado pela figura do Sr. Miyagi. Pelo menos tiveram a decência de trocar os nomes dos protagonistas – nada de Daniel San e Sr. Miyagi aqui. Agora, pense um pouco: Antigo ou novo, qual Karatê Kid você deixará para o seu filho?
E só pra ficar claro: KUNG FU NÃO É KARATÊ! E VICE-VERSA!
Karatê Kid (The Karate Kid, 2010)
Direção: Harald Zwart
Roteiro: Christopher Murphey
Elenco: Jaden Smith, Jackie Chan, Taraji P. Henson, Han Wenwen, Rongguang Yu, Zhensu Wu, Zhiheng Wang e Zhenwei Wang



Perfeito


Eu deixo o Karatê Kid dos anos 80 pros meus futuros filhos. E seu texto não tá parecido com o meu!
Beijo!
Só espero q/ esse “remake” possa sublimar boas recordações adolescentes as novas gerações como eu tive c/ o original dos anos 80, embora, até aonde saiba, através de algumas opiniões de adolescentes q/ converso, essa versão c/ Jackie Chan não está lá agradando muito.
Bom,o Sr. Miyagi continua sendo meu exemplo de velho sábio nas artes marciais e creio q/ se as novas gerações conhecerem a velha versão, também o enxergarão.
O filme não é tão ruim assim.É apenas uma singela produção que papai Will Smith produziu pro seu rebento Jaden Smith.E tem a música do Justin Beer que gruda que nem chiclete no ouvido.Deixa a mulecada ser feliz.Karate Kid não é bom,mas também não chega a ser ofensivo,mas fico com o original é claro,abraço Otávio.
KAMILA
Ora, também elogiei o Jackie Chan e comentei sobre as frases prontas… Bjs!
RAQUEL
Eu acho que o DVD do “Karatê Kid” original é capaz de resgatar boas recordações. Não esse filme novo. Bjs!
PAULO RICARDO
Eu fiquei ofendido porque o filme se chama “Karatê Kid” e os caras lutam Kung Fu. Imagine se em “Kung Fu Panda” os bichinhos lutassem karatê… Abs!
Eu não entendi nada quando vi o trailer do filme e os personagen s falavam em Kung Fu e aparecia o nome de Karate na tela. O pior de tudo é que não aguento essa história de atores que andam com problemas de bilheteria apelar para o público infantil com filmes fracotes, qualquer roteiro que Jackie Chan aceita atualmente dá vontade de sair correndo… nesse pelo menos ele levou a coisa a sério.Sem falar que essa produção caça-níqueis de Will Smith usa o nome do original apenas para garantir as verdinhas ao redor do mundo. E ainda temos que aguentar a música do Justin Beeber…
Todos os Karatê Kid anteriores (até o com a Hillary Swank, são melhores do que esse aí).
Até pela duração (tem que ter paciência para acompanhar 140 minutos de um filme como este), vejo só em DVD.
Porra … Se o Po aparecesse … iria ser EPIC WIN …
Já o filme … fica dificil ter algum aprecio a ver essa nova versão … sério mesmo …
Não assisti o filme, mas queria saber se o Jaden Smith pinta a cerca do Jackie Chan, encera o carro e faz a clássica pose em um pé só com as mãozinhas pra cima, coisa q todo cara na faixa dos 35 fez qdo era criança…
Eu não acho o filme tão ruim assim. Claro que há uma narrativa que nos deixa com a sensação de que já vimos esse filme antes (mas não por ser um remake, mas sim por ser reacionário mesmo, narrativamente “antiquado”, apesar da opção um tanto quanto careta de colocar musiquinhas da hora), mas também há uma sensiblidade cativante transmitada pelo Jaden, que é um bom ator.
WELLINGTON
Bem lembrado. Tem aquela bomba com a Hilary Swank também… Tinha até esquecido… Abs!
WALLY
Você não perde nada esperando pelo DVD, meu caro! Abs!
JOÃO PAULO
Melhor rever “Kung Fu Panda”. Abs!
MARIO
As lutas são muito plásticas, coreografadas. O golpe final não tem o impacto do chute da garça, afinal Daniel San se prepara o filme todo. Aqui nem se faz menção ao tal “golpe final”. Não é esperado. E o menino não encera nem faz nada com carro algum. Ele só tira e coloca uma jaqueta. Mas a ideia é a mesma. Abs!
PEDRO
Jaden Smith bom ator? Ah, ele é OK. Bom mesmo nessa idade, digno de elogios era o Haley Joel Osment. Abs!
Concordo em tudo que foi comentado pelo grande Otávio,amigo de longa data.
Era inevitável um remake de KK, bem como um dia ainda teremos remakes de Back to the Future, por exemplo.
O Filme não é ruim, mas ao assiti-lo,cada cena te faz lembrar o filme original.inevitável,vale a pena assitir pelas paisagens,a trilha sonora orquestrada(não pelo justin bieber), pelas cenas de lutas mais elaboradas, mas é tudo cuspido e escarrado igual ao filme original,e como bem falou Otávio, por mais que este filme emocione e tenha seus pontos fortes, ele é sem alma.é um remake bom pra kem n viu o filme com pat morita e ralph macchio,mas a comparação é inevitável.mesmo assim, gostei muito!
RAFAEL
Valeu, meu amigo! E cadê o Fluminense? A flor murchou? Abs, irmão!
prefiro esse karate kid de 2010 do que os dos anos 80… Apesar do jaden lutar kung fu wushu moderno…. mas a historia e linda, tem uma moral, jackie chan o homem das artes marcias tem participação, quam nunka assistiu um filme em q o jackie participava? vc’s podem ate q preferirem o antigo, td bem cada tem uma opiniao… mas num precisa sair por ai critikando o filme… mt mt gnt gostou dele, e eu sou uma das milhares de pessoas q gostaram