De Volta Para o Futuro: 25 Anos

Você pensa no termo “viagem no tempo” e tem um segundo para ligá-lo a algum artista ou obra de ficção. O que vem em sua mente? H.G. Wells e De Volta Para o Futuro devem dominar as respostas. O escritor britânico, no entanto, assinou A Máquina do Tempo, que, ironicamente, desde os últimos 25 anos não é mais a história favorita sobre o tema da esmagadora maioria que vive neste Planeta. Não foi a primeira nem a última produção sobre viagens no tempo. Mas o título pertence – e assim sempre será – a De Volta Para o Futuro (Back to the Future, 1985), clássico moderno do cinema dirigido e escrito por Robert Zemeckis – roteiro em parceria com Bob Gale -, com produção de Steven Spielberg no auge de sua síndrome de Peter Pan.
Engraçado como Spielberg se irritava com tal rótulo na época: “o diretor que não queria crescer”. Quis fazer filmes (maravilhosos) como A Cor Púrpura, Império do Sol e A Lista de Schindler para provar a Deus e ao mundo que deveria ser levado a sério. Não precisava. Eu e tantos outros fãs já sabíamos o quanto Spielberg sempre foi um gênio na arte de fazer filmes, com o entretenimento na ponta da chuteira e a câmera agindo como uma bola de futebol rumo ao gol, representado pela tela de uma sala escura de cinema lotada por uma plateia vibrando com suas jogadas de mestre. Nos anos 80, inclusive, Spielberg foi padrinho de diretores que também sabiam como entreter o público. Produziu filmes divertidíssimos para Joe Dante (Gremlins, Viagem Insólita), Richard Donner (Os Goonies) e Robert Zemeckis (De Volta Para o Futuro I, II e III, além de Uma Cilada Para Roger Rabbit). E de todas as suas produções nesta gloriosa época, De Volta Para o Futuro é certamente o melhor filme de todos os tempos com o famoso crédito inicial que apareceu bastante na década de 80 no lugar do nome do estúdio: “Steven Spielberg Presents”
A máquina do tempo de Robert Zemeckis e Bob Gale nasceu como uma geladeira no roteiro original. Foi transformada no carro esporte DeLorean, de cor prata, para o bem da humanidade. No filme, precisa ser acelerado a 140 Km/h para viajar a algum lugar do passado ou futuro determinado no painel do veículo pelo próprio motorista. Tratado como personagem pelo roteiro, o carro foi criado pelo cientista louco mais famoso do cinema, o Dr. Emmett Brown (o grande momento do fantástico Christopher Lloyd), ou apenas “Doc”, como é chamado por seu melhor amigo, o jovem Marty McFly, que seria interpretado por Eric Stoltz. Mas Zemeckis não viu no projeto de astro o timing cômico necessário para o papel. Michael J. Fox, da série Family Ties (exibida no Brasil como Caras & Caretas), entrou em seu lugar e foi obrigado a refilmar o que já estava pronto. Eric Stoltz deve a Robert Zemeckis o fim de sua carreira, enquanto todos nós precisamos agradecer aos dois pela presença de Michael J. Fox, que se tornou uma lenda.

Por que De Volta Para o Futuro é o melhor filme já feito sobre viagens no tempo? Bom, em grande parte por não ser somente sobre isso. O que importa no roteiro é a construção da personalidade de Marty. Como este jovem fã de rock pode ser aprovado e reconhecido como um talentoso músico do gênero se sua criação vem de pais nerds e losers, como Lorraine (Lea Thompson) e George McFly (Crispin Glover)? Uma solução impossível seria voltar no tempo, antes de sua data de nascimento, e mudar seus próprios pais. Mas quando se tem um amigo como Doc Brown, que constroi a máquina do tempo mais legal que um garoto com pouca experiência no volante poderia sonhar, bem, as coisas ficam um pouco mais fáceis.
A aventura de Marty acontece por acaso, afinal Doc teria sido o primeiro viajante do tempo se não fosse assassinado por terroristas líbios (!) que resolveram cobrá-lo pelo roubo de um carregamento de plutônio, que age como combustível do DeLorean. Além de testemunhar a morte do amigo, Marty precisa fugir dos líbios no carrão. Só que ele acelera demais e acaba viajando para três décadas atrás, quando seus pais nem haviam se conhecido. Neste passado, Marty encontra um Doc mais jovem, que irá ajudá-lo a colocar a máquina do tempo para funcionar. Mas antes de “voltar para o futuro”, Marty precisa fazer com que seus pais se apaixonem e deem o primeiro beijo ou ele será apagado de sua própria existência, como alerta Doc. Só que sua mãe está mais interessada nele do que em seu futuro pai. Como se não bastasse, ainda precisa dar um jeito de avisar Doc sobre seu assassinato, que acontecerá em 30 anos. Ufa. Coisa demais para um filme? Que nada. De Volta Para o Futuro se sai muito bem sem precisar de duas horas de duração.

Uma das sacadas do filme, além do inverso do complexo de Édipo é certamente nos colocar na pele de Marty, realizando aquele desejo de ser uma mosca para observar a juventude dos pais, esses seres experientes, puros, que querem colocar todos nós na linha. Não é verdade que a maioria aqui cresce acreditando que os pais nunca fizeram nada de errado quando tinham a minha e a sua idade? Se os nossos problemas são herdados dos pais, Marty tem a chance de consertar seus “velhos” para que ele próprio se torne um homem melhor no futuro.
Tudo funciona perfeitamente. Há até uma lição de como se fazer merchandising – DeLorean, Calvin Klein – no cinema. Robert Zemeckis ainda brinca com a história dos EUA, como faria quase 10 anos depois em Forrest Gump, de forma inteligente, jamais adotando o patriotismo exacerbado. É só reparar nas menções discretas e divertidas a Ronald Reagan e Chuck Berry. É para aplaudir também a escolha do elenco coadjuvante, com destaque para o excepcional Crispin Glover, como George McFly, que sabe-se lá o motivo pelo qual a Academia não o indicou ao Oscar, e Thomas F. Wilson, como Biff, um dos maiores – e mais engraçados – vilões da história. O que dizer então da trilha sonora eterna de Alan Silvestri, que dá saudade dos bons e velhos temas do cinema, atualmente esquecidos por Hollywood, e a canção The Power of Love, de Huey Lewis & The News, que marcou uma geração? E a pergunta mais misteriosa de todas: Como é possível situar um filme nos anos 80 e não torná-lo datado? Marty McFly fala o tempo inteiro que veio de 1985, portanto não há como separar o filme daquela década. Como Zemeckis conseguiu?

O FINAL E O GANCHO
Na época, o final em aberto me deu a ideia de que Doc e Marty assumiam seus postos de novos super-heróis do tempo. Essa conclusão seria decepcionante se o filme existisse sozinho até hoje, afinal os problemas enfrentados e superados por Marty nasceram do acaso. Desde a cena de abertura, a proposta não era a admiração pelo poder de mudar as coisas. As sequências deste clássico moderno, felizmente, demonstraram que eu estava errado. Zemeckis, Spielberg e Gale disseram que não dá para mudar tudo o que já aconteceu. Com a conclusão da trilogia, o final do primeiro filme sofreu uma transformação. Virou aquilo que vemos hoje em nove entre dez franquias: um simples, na época “surpreendente”, gancho para uma continuação. E De Volta Para o Futuro II e III foram rodados de uma só vez, uma iniciativa ousada nos anos 80, que Hollywood aprova atualmente, tendo feito o mesmo com produções recentes como O Senhor dos Anéis, Matrix e Piratas do Caribe. Hoje é impossível não ver De Volta Para o Futuro I como parte de uma trilogia.

ROBERT ZEMECKIS DE CARNE E OSSO VS. ROBERT ZEMECKIS DE CGI
Zemeckis sempre pensou à frente de seu tempo. Alguns anos depois, testou efeitos visuais impressionantes a serviço da história, em Forrest Gump. Hollywood começou a aprender com ele (e Spielberg, claro) como o entretenimento pode ser levado a sério. O resultado está em filmes respeitados por crítica e público como (novamente) O Senhor dos Anéis, Batman – O Cavaleiro das Trevas, A Origem e Avatar, sem falar nas maravilhas da Pixar. O problema é que hoje, Zemeckis elevou sua aposta a um nível que ainda não ganhou o respeito que ele deseja. Atualmente, o diretor de De Volta Para o Futuro faz filmes ou animações? Bom, ele mesmo diz que O Expresso Polar, A Lenda de Beowulf e Os Fantasmas de Scrooge são filmes. Eu discordo, porque James Cameron, com Avatar, mostrou que a linha de raciocínio de Zemeckis está correta, mas a execução ainda é equivocada. Mas estamos entrando em outra discussão, que é inevitável. Porque sentimos falta do tempo em que o visionário Robert Zameckis fazia filmes de verdade, como De Volta Para o Futuro e suas sequências.
De Volta Para o Futuro (Back to the Future, 1985)
Direção: Robert Zemeckis
Roteiro: Robert Zemeckis e Bob Gale
Elenco: Michael J. Fox, Christopher Lloyd, Lea Thompson, Crispin Glover e Thomas F. Wilson



Perfeito


Saudades do tempo em que Zemeckis fazia filmes como Forrest Gump e De Volta Para o Futuro.
PAULO RICARDO
E pensar que Zemeckis quer fazer “Roger Rabbit 2″ com desenhos contracenando com atores cobertos de pixels…
Que saudade dos tempos em que as produções casavam muito bem diversão e qualidade nos demais quesitos como roteiro, elenco, fotografia, etc. Zemeckis teve uma sacada de mestre!De volta para o futuro foi(é) um dos grandes marcos do cinema.
Abçs
Adoro a trilogia, até o segunda, do qual, na época, não gostei muito, ficou melhor com o tempo. Agora, acho Crispin Glover um dos atores mais caricatos que já vi.
Quanto as animações de Zemeckis, são horríves, ele prima pelos efeitos especiais e esquece do roteiro, emoção e de todo o resto.
RAQUEL
Saudade dos tempos em que Robert Zemeckis fazia filmes… Bjs!
RUI
Crispin Glover é extraordinário em “De Volta Para o Futuro”. Neste filme, eu acho ele fantástico! Abs!
Gosto do Zemeckis em praticamente tudo, até no filme “Revelação” que, ao meu ver, é um filme subestimado…e é muito bom mesmo. Até na técnica ele surpreende ali.
De Volta Para O Futuro representa toda minha infância…e gosto da trilogia em si.
Abraço!
CRISTIANO
Não acho “Revelação” um dos melhores. Vale pela correria do final. Mas quem dera se ele continuasse fazendo “filmes de verdade” como “Revelação”… Abs!
Eu prefiro mil vezes o Eric Stoltz do que o Michael J.Fox.Ele(Eric)aleém de ser gatissímo,ele também é muito talentoso.
FERNANDA
Ooooooooooiiii????? Quer dizer então que você não gosta do filme, certo? Bjs!
de volta p futuro 25 anos dublado
http://www.youtube.com/watch?v=gPSAN3YT7AE
Amo esse filme. Tem a capacidade de me prender até hoje…
Michael J. Fox muito mais bonito hoje maduro…