Tron: O Legado

Em 1982, Tron: Uma Odisseia Eletrônica pegou carona na onda crescente dos games, que tomou conta da garotada (e dos nerds) naquela década, principalmente com os arcades e o Atari. A curiosidade em torno da computação da idade da pedra também contribuiu para o sucesso do filme da Disney. O estúdio ousou ao utilizar computação gráfica para criar um mundo virtual, de design arrojado (para a época), que vislumbrava o futuro do cinema e da tecnologia a serviço do homem no dia a dia. A história criada e dirigida por Steven Lisberger, no entanto, era tão inocente quanto estúpida. Estava na cara que a saga de Kevin Flynn (Jeff Bridges), que entrava neste mundo eletrônico para enfrentar tanques, naves e vilões fluorescentes, era menos importante que os efeitos visuais e a intenção de contribuir para a evolução tecnológica do cinema.
18 anos mais tarde, a Disney decidiu voltar a este universo. Em vez de refilmar (como de praxe), felizmente, o estúdio resolveu dar sequência à história. Em Tron: O Legado (Tron Legacy, 2010), dirigido por Joseph Kosinski e produzido por Steven Lisberger, os efeitos visuais foram atualizados, Jeff Bridges envelheceu e melhorou muito como ator, mas ao contrário do filme original, não há aqui nenhum pensamento vislumbrando o futuro. Isso quer dizer que Tron: O Legado foi feito somente para faturar uma grana preta, com a ajuda do caríssimo ingresso das sessões em 3-D e conquistar uma nova geração com uma possível franquia. Se Uma Odisseia Eletrônica olhava para frente, Legado é o presente. E no pior dos sentidos.
Começando pelo novo protagonista, Sam Flynn (Garrett Hedlund), filho de Kevin, inexpressivo como um poste de luz, que brilha somente por causa dos figurinos extravagantes. É uma vergonha como representante de um fictício herdeiro de Jeff Bridges. O roteiro canastra lhe dá diversas frases de efeito deslocadas e horripilantes, que o ator parece adorar dizê-las. Sylvester Stallone escreve melhor e sabe expressar esses momentos com mais classe e dignidade. Não é o fim da linha para Garrett Hedlund, claro. Esse é o futuro de Hollywood. Portanto, não culpe o menino. Michael Bay, Stephen Sommers, esse povo vai adorar trabalhar com ele.
Pelo menos, Legado honra o original em termos de roteiro, história. A trama e os diálogos são tão toscos e esquecíveis quanto o que vimos no filme de 82. Mas Uma Odisseia Eletrônica ousou visualmente em sua época. Já Legado, simplesmente aproveita os efeitos visuais desenvolvidos, aperfeiçoados nos últimos anos por James Cameron, Peter Jackson, George Lucas e tantos outros grandes nomes. Isso mesmo: não há novidade alguma neste quesito. Aqueles que ficam deslumbrados facilmente ficarão de queixo caído por alguns minutos assim que Sam Flynn entrar no universo eletrônico, onde reencontrará seu pai e um novo inimigo, que ameaça dominar não somente esse mundo colorido, mas também a nossa realidade. Porém, aposto que, logo após a sequência das motos, até o espectador nerd começará a olhar no relógio, sentindo um pouco de cansaço de tanto azul fluorescente no meio da escuridão. É impressionante como o filme tem a capacidade de arregalar os nossos olhos num primeiro instante e, em pouco tempo, encher o saco. Outro exemplo é a trilha dançante do Daft Punk, que soa “legal” logo de cara, mas que rapidamente transforma o filme numa balada ambulante. Aliás, o filme merece inúmeras exibições em baladas madrugada adentro, no volume máximo. Esse seria o seu legado.

Mas até que não é um desastre, afinal temos Jeff Bridges, que dá fôlego ao filme. Quando ele entra em cena, não diria que o filme cresce, mas resiste bravamente. O mesmo serve para a bela e talentosa Olivia Wilde, que encanta em todas as suas cenas como Quorra, peça fundamental na guerra contra o vilão do filme. Já Michael Sheen, propositalmente caracterizado de forma ridícula, dá um jeito miraculoso de injetar alguma diversão ao filme. E a história, embora sofrível, não é contada em ritmo de videoclipe, com cortes rapidíssimos, por incrível que pareça. O que é bom. Nem mesmo nas cenas de ação. Nem mesmo com a música do Daft Punk para dar um empurrãozinho nessa área. O diretor Joseph Kosinski, pelo menos, tem calma para narrar os acontecimentos e explicar seu filme. Mesmo que os intervalos na ação causem um certo incômodo numa geração acostumada com poucos diálogos em filmes do gênero.
Tron: O Legado é um exemplo que gosto de citar àqueles que têm preconceito contra filmes como Avatar. Muitos acham que a aventura de James Cameron tem roteiro fraco, história boba e só vale pelos efeitos (aquele discurso básico ou padrão). Mas filmes como Transformers 2, Tron: O Legado e Sharkboy & Lava Girl estão aí pra mostrar a esse tipo de opinião que há vida inteligente em Hollywood, que deve ser valorizada. Em qualquer gênero.
Não é o caso de Tron: Uma Odisseia Eletrônica, de 1982, que, no mínimo, imaginou o futuro. E contribuiu para a evolução do cinema.
(Otavio Almeida)
Tron: O Legado (Tron Legacy, 2010)
Direção: Joseph Kosinski
Roteiro: Edward Kitsis e Adam Horowitz
Elenco: Jeff Bridges, Garrett Hedlund, Olivia Wilde, Bruce Boxleitner, James Frain, Beau Garrett e Michael Sheen



Perfeito


Oi pessoal!
Desculpe-me pela falta de posts nesta semana. Mas é que estou em férias (uma semana, mas OK).
Abs!
Tentei observar o quanto a história do filme dá vazão para discussões acerca do criacionismo, evolucionismo, e religião. E sim, vi muito de religião no filme. Não é à toa que Jeff Bridges caminha por um clube noturno e as pessoas se jogam aos seus pés rezando. Ou que Quorra se diz resgatada por seu “criador”. Ou que Clu vê seu reflexo – feito à imagem e semelhança de Flynn – na maçã – olha que interessante – e arremessa-a na parede, percebendo o quanto ele é imperfeito como projeção.
Apesar de não ir muito a fundo, ao menos ele nos permite “imaginar” isso. No mais, adorei o visual, os efeitos sonoros, e a trilha eletrônica-instrumental com toques oitentistas, além de um visual retrô-futurista, e uma direção de arte muito bacana.
Taí, eu curti muito “Tron”. Curti nele o que não curti em “Avatar”. Curti aquele mundo como não curti o de “Avatar”. E repito aqui o discurso básico ou padrão: Avatar tem uma história boba, personagens inócuos – em sua maioria -, um roteiro fraco, um protagonista terrível e uma trilha que é pautada em reciclagens; esse sim, superestimado.
ps: é uma boa que Tron seja tema de baladas, e apresentado no volume máximo. rs
Parece valer mesmo pelos efeitos, mas acho que irei atrás do antigo primeiro. rsrs.
Beijos e aproveite bem suas férias!
Concordo TOTALMENTE contigo.
Só acho que Garrett Hedlund não é tão péssimo assim, mas se fosse um outro ator – o personagem seria até mais interessante e o filme menos chatinho.
Acho que a trilha sonora é um primor, a única beleza do filme, pois nem os efeitos visuais me impactaram assim.
Olivia Wilde é ótimo, desde “The OC” eu gosto dela…espero que faça melhores filmes!
Abraço
Ontem eu ia ver… Acabei indo na sessão ver Harry Potter pela terceira vez. Pelo menos não vi só neon e vi algo que realmente faça sentido pra mim.
Será que perdi muita coisa? rsrsrs
Verei o original e talvez encare este nos cinemas (por causa do visual).
AMENAR
Não tenho nada contra a trilha. Aliás, gosto do Daft Punk. Só acho que foi utilizada no filme de forma extremamente exagerada. Quase que de maneira ininterrupta. E… adoro “Avatar”, hehe… Abs!
MAYARA
Obrigado! E veja o original. É melhor, apesar de tudo… Bjs!
CRISTIANO
Caramba! Não sabia que Olivia Wilde fez “The O.C.”. Eu a acompanho desde “House”, minha série favorita de “médicos”. Abs!
DOUGLAS
Acho que não perdeu muita coisa. Mas, bem ou mal, TRON é filme pra ser visto no cinema. Melhor arriscar logo na tela grande (e em 3-D) do que esperar para ver em casa numa tela menor. Abs!
WALLY
Sim, veja o original primeiro. Mas não é obrigatório para acompanhar TRON: O LEGADO. Abs!
Legal seu texto, Otávio. Assisti ao filme c/ meu sobrinho de 11 anos, q/ viu o original de 82 também p/ entender a história e até ele quis sair antes de terminar(ele também não gostou da produção de 82, mas achou engraçada). Essa versão de Tron realmente não tem perspectiva nem para um futuro, digamos, anos 3000.Quanto a opinião do roteiro de Avatar, bem,apesar de não se comparar nem de longe aos três maus exemplos q/ vc deu no penúltimo parágrafo, ainda fico c/ meu ponto de vista:roteiro fraco eo velho discurso q/ vale mais pelos efeitos mesmos, ok?
Abçs
O ilme é muito bom, supera muito o avatar, pois com poucos recursos consegue fazer algo parecido. O filme mostrou ossibilidades de continuação, evidenciando um futuro para a consagrada saga.
SHAN
Poucos recursos? Você se refere a recursos dramáticos? Bom, mas sem dúvida há potencial para mais filmes. Tomara que sejam ainda melhores. Abs!
RAQUEL
Ok, você pode tudo aqui. Bjs!
Assisti-lo no cinema foi uma experiência feliz – digo isso unicamente por conta dos efeitos visuais, realmente ótimos. De resto, tire Michael Sheen da salada e atire-a no lixo.
WEINER
Michael Sheen está mesmo ridículo hehe… Abs!
Galera… Achei muito massa esse filme assisti várias vezes e ao contrario da crítica… gostei do Diálago e principalmente da interpretação de Jeff Bridges.