janeiro 28th, 2011

Deixe-me Entrar

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O que são remakes?

1) Filmes em língua estrangeira refeitos em inglês para o público americano que tem preguiça de ler legendas. Ou um clássico de Hollywood refilmado por Hollywood para apresentá-lo a uma geração que não sabe que esses filmes estão disponíveis em DVD ou Blu-ray. Quase sempre são copiados sem concessões. Não quadro a quadro, como o Psicose de Gus Van Sant, porque seria ridículo alguém fazer isso de novo. Mas são filmes que não acrescentam nada ao original. O objetivo é o dinheiro fácil daqueles que adoram o original e o recomendam aos amigos preguiçosos, que finalmente podem conhecer a história na língua que o mundo aprovou.

2) O filme refeito por um diretor apaixonado, com intenção de acrescentar algo à trama original. Geralmente, esses cineastas procuram resgatar ideias do material original que não foram filmadas por falta de recursos (King Kong, de Peter Jackson), ou contribuem com seus estilos inconfundíveis num território em que se sentem a vontade (Os Infiltrados, de Martin Scorsese), ou se baseiam muito mais na fonte inspiradora (livros etc) que no longa em si (Bravura Indômita, dos Irmãos Coen). Esse tipo de remake tem mais chance de dar certo.

Americanos dizem ao mundo: “Somos melhores que vocês”

Infelizmente, Deixe-me Entrar (Let Me In, 2010), remake americano do sueco Deixa Ela Entrar se encaixa no primeiro exemplo. O longa original é baseado no livro de John Ajvide Lindqvist, mas o diretor Matt Reeves (Cloverfield) preferiu beber na fonte do filme de 2008. Quem viu o maravilhoso Deixa Ela Entrar não terá qualquer surpresa (positiva) em Deixe-me Entrar. Essa é a dura verdade. Ainda assim, a versão hollywoodiana não faz feio. Longe disso. Até merece aplausos por manter o ritmo lento, a melancolia e a violência do original. E isso numa história protagonizada por crianças voltada para uma plateia mil vezes mais puritana. But… WHY?

Pra quê refazer o mesmo filme? Será que somos tão burros assim? Será que nascemos programados a receber o que nos empurraram com os enlatados dos USA de nove às seis? O filme de Matt Reeves obviamente tem mais recursos que o original de Tomas Alfredson. Tem uma cena de capotamento filmada de dentro do carro que é impressionante. But… WHY?


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Prós e contras

Pelo menos, Matt Reeves acertou na escolha do elenco. O menino Owen (o olhudo Kodi Smit-McPhee, de A Estrada) é ótimo e é a cara do guri de Um Grande Garoto. O protagonista solitário conhece sua vizinha que tem 12 anos eternamente, a vampirinha Abby, interpretada pela extraordinária Chloe Moretz, de Kick-Ass. O Mr. Coadjuvante Richard Jenkins é o padrasto/mordomo/ex Owen, que sai à noite em busca de “comida” fresca para a garotinha. Todos sabem de sua competência como ator. Destaque também para a trilha meio Lost do talentoso Michael Giacchino.

Mesmo que siga à risca o filme original, Matt Reeves dilui algo ambíguo em Deixa Ela Entrar, que é a sexualidade da vampirinha. Quando ela diz “Eu não sou uma garota”, acho que isso não se deve apenas aos dentes afiados. A vampira do filme original tem um rosto andrógino. Em Deixe-me Entrar, não há como duvidar da carinha bonitinha de Chloe Moretz. Mas, ei, essa é a adaptação de Matt Reeves para o público americano.

Pego no pé também da cena da piscina, que perde feio para Deixa Ela Entrar. Reeves filma no escuro, enquanto Alfredson não tem medo da claridade e alcança um resultado muito mais impressionante pela sutileza. Sem falar que não há a famosa cena do olhar da vampira levando tranquilidade ao garoto.

Mas Reeves traz uma proposta interessante nas partes em que Owen e Abby estão juntos: ele privilegia a narrativa do ponto de vista do menino. Isso fica claro na cena em que a vampira ataca um policial. Quando Owen fecha a porta, não vemos mais nada.

Talvez o filme acerte em cheio aqueles que ainda não conhecem a história. Mas aviso aos navegantes: Não existe essa de “Team Jacob/Team Edward” em Deixe-me Entrar. Se você não viu o original e é fã dos filmes que saíram da obra de Stephenie Meyer, seja bem-vindo ao mundo adulto. – Otavio Almeida

Deixe-me Entrar (Let Me In, 2010)
Direção e roteiro: Matt Reeves
Elenco: Kodi Smit-McPhee, Chloe Moretz, Richard Jenkins, Cara Buono e Elias Koteas

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