Deixe-me Entrar

O que são remakes?
1) Filmes em língua estrangeira refeitos em inglês para o público americano que tem preguiça de ler legendas. Ou um clássico de Hollywood refilmado por Hollywood para apresentá-lo a uma geração que não sabe que esses filmes estão disponíveis em DVD ou Blu-ray. Quase sempre são copiados sem concessões. Não quadro a quadro, como o Psicose de Gus Van Sant, porque seria ridículo alguém fazer isso de novo. Mas são filmes que não acrescentam nada ao original. O objetivo é o dinheiro fácil daqueles que adoram o original e o recomendam aos amigos preguiçosos, que finalmente podem conhecer a história na língua que o mundo aprovou.
2) O filme refeito por um diretor apaixonado, com intenção de acrescentar algo à trama original. Geralmente, esses cineastas procuram resgatar ideias do material original que não foram filmadas por falta de recursos (King Kong, de Peter Jackson), ou contribuem com seus estilos inconfundíveis num território em que se sentem a vontade (Os Infiltrados, de Martin Scorsese), ou se baseiam muito mais na fonte inspiradora (livros etc) que no longa em si (Bravura Indômita, dos Irmãos Coen). Esse tipo de remake tem mais chance de dar certo.
Americanos dizem ao mundo: “Somos melhores que vocês”
Infelizmente, Deixe-me Entrar (Let Me In, 2010), remake americano do sueco Deixa Ela Entrar se encaixa no primeiro exemplo. O longa original é baseado no livro de John Ajvide Lindqvist, mas o diretor Matt Reeves (Cloverfield) preferiu beber na fonte do filme de 2008. Quem viu o maravilhoso Deixa Ela Entrar não terá qualquer surpresa (positiva) em Deixe-me Entrar. Essa é a dura verdade. Ainda assim, a versão hollywoodiana não faz feio. Longe disso. Até merece aplausos por manter o ritmo lento, a melancolia e a violência do original. E isso numa história protagonizada por crianças voltada para uma plateia mil vezes mais puritana. But… WHY?
Pra quê refazer o mesmo filme? Será que somos tão burros assim? Será que nascemos programados a receber o que nos empurraram com os enlatados dos USA de nove às seis? O filme de Matt Reeves obviamente tem mais recursos que o original de Tomas Alfredson. Tem uma cena de capotamento filmada de dentro do carro que é impressionante. But… WHY?

Prós e contras
Pelo menos, Matt Reeves acertou na escolha do elenco. O menino Owen (o olhudo Kodi Smit-McPhee, de A Estrada) é ótimo e é a cara do guri de Um Grande Garoto. O protagonista solitário conhece sua vizinha que tem 12 anos eternamente, a vampirinha Abby, interpretada pela extraordinária Chloe Moretz, de Kick-Ass. O Mr. Coadjuvante Richard Jenkins é o padrasto/mordomo/ex Owen, que sai à noite em busca de “comida” fresca para a garotinha. Todos sabem de sua competência como ator. Destaque também para a trilha meio Lost do talentoso Michael Giacchino.
Mesmo que siga à risca o filme original, Matt Reeves dilui algo ambíguo em Deixa Ela Entrar, que é a sexualidade da vampirinha. Quando ela diz “Eu não sou uma garota”, acho que isso não se deve apenas aos dentes afiados. A vampira do filme original tem um rosto andrógino. Em Deixe-me Entrar, não há como duvidar da carinha bonitinha de Chloe Moretz. Mas, ei, essa é a adaptação de Matt Reeves para o público americano.
Pego no pé também da cena da piscina, que perde feio para Deixa Ela Entrar. Reeves filma no escuro, enquanto Alfredson não tem medo da claridade e alcança um resultado muito mais impressionante pela sutileza. Sem falar que não há a famosa cena do olhar da vampira levando tranquilidade ao garoto.
Mas Reeves traz uma proposta interessante nas partes em que Owen e Abby estão juntos: ele privilegia a narrativa do ponto de vista do menino. Isso fica claro na cena em que a vampira ataca um policial. Quando Owen fecha a porta, não vemos mais nada.
Talvez o filme acerte em cheio aqueles que ainda não conhecem a história. Mas aviso aos navegantes: Não existe essa de “Team Jacob/Team Edward” em Deixe-me Entrar. Se você não viu o original e é fã dos filmes que saíram da obra de Stephenie Meyer, seja bem-vindo ao mundo adulto. – Otavio Almeida
Deixe-me Entrar (Let Me In, 2010)
Direção e roteiro: Matt Reeves
Elenco: Kodi Smit-McPhee, Chloe Moretz, Richard Jenkins, Cara Buono e Elias Koteas



Perfeito


Ei, gostei do texto. Também fico meio assim com algumas refilmagens. Se for para não acrescentar coisa alguma, será que vale mesmo a pena?
Assisti esses dias ao Quarentena, refilmagem do REC. Achei bem absurdo, é tudo tão igual.
Lembro que fiquei fascinado pelo Deixe ela Entrar, e ainda tenho interesse em assistir ao americano (mais pela Hit-Girl do que tudo).
Queria assistir ao original antes de ver este remake! Beijos!
CARA DA LOCADORA
O original é maravilhoso, cara! Mas esse é… igual. Ou quase igual. Pra quê, né? Mas adoro a Chloe Moretz. Acho ela incrível. Abs!
KAMILA
É, sugiro que veja o original antes. Vai por mim. Bjs!
Acreditas que tenho mais chance de gostar do remake já que o original para mim não foi essas coisas todas. me venderam um ouro, mas vi foi prata. Mas não dá para negar que é um projeto poderoso.
Mas não reclame, poderia ter sido pior.
Abraços champs
JOÃO PAULO
Ah, sim. Sempre poderia ter sido pior. Abs!
Desisit de ver 2 filmes etrangeiros:o romeno 4 meses,3 semanas e 2 dias e o sueco Deixe-Me Entrar.Procurei em locadora,em sites pra baixar e não encontrei de jeito nenhum.Vou procurar esse remake americano e concordo contigo que o público americano tem preguiça de legendas,veja o caso do espanhol REC que era muito original(um filme simples que me deu mt medo)e nos EUA teve o vergonhoso remake chamado quarentena.Otávio,até o final de quarentena é parecido com o de REC,isso que é plágio né.Dúvido que Chloe Moretz é criança,pq a atuação dela em Kick-Ass é de adulto e merecia uma indicação ao Oscar(to de saco cheio de oscar,é só REDE SOCIAL!).Me responda 2 perguntas:
Qual o pior Remake já produzido em Hollywood?
Vc tem informações de quando a revista Preview vai ser publicada?estou cansado de ir na banca e receber um não do jornaleiro hehe,aí lembrei que vc escreve lá.
Abraço Otávio e domingão tem pós SAG no hollywoodiano?
Assisti ao original de Alfredson e concordo c/ seu texto:é um filme maravilhoso! Vou conferir esse remake c/ uma certa reserva. Sempre tenho medo de remakes!
Abçs
PAULO RICARDO
Quis dizer que não há dúvidas de que ela é uma menina. Sobre o pior remake, cravo “Psicose”, pelo “quadro a quadro”, sem o mesmo impacto do original. Eu não escrevi mais pra Preview, porque eles estão se estruturando, sabe? Espero que dê certo, porque o pessoal lá é competente e gosta do que faz. Quando souber de algo, eu te aviso. Ok? E estarei no Twitter, que reproduz tudo no Facebook do Hollywoodiano, durante a transmissão do SAG. Aparece lá. Abs!
RAQUEL
Também gosto muito do filme original. Mas assista ao americano sem medo, porque é igualzinho. Não há surpresas. Bjs!
A desculpa de “apresentar um filme estrangeiro sob o olhar norte-americano” simplesmente destrói obras quase perfeitas. Eu detesto os remakes não por causa da nacionalidade, mas porque atentam justamente contra aquilo que tornaram os originais tão bons: as peculiaridades de uma cultura diferente, um idioma diferente, atores diferentes.
Me recuso a assistir essa versão de “Deixa Ela Entrar” porque o original foi excepcional. Sincero, adulto e reflexivo. Se esse remake não acrescenta nada à história, por que deveria me contentar em rever algo que, em minha opinião, é inferior?
Claro que a indústria do cinema norte-americano tem a intenção de tirar o máximo proveito dos destaques internacionais. Não foi isso que aconteceu com o também recente “Os homens que não amavam as mulheres”? De novo, é um absurdo fazerem uma versão quando a anterior, a original, tem menos de três anos.
Gosto de filmes como “Adeus, Lenin”, “A vida dos outros”, “As invasões bárbaras” e “Medos privados em lugares públicos” porque, além de serem fantásticos, bebem tanto da cultura onde foram produzidos que é quase impossível Hollywood se apossar deles. Um alento para os fãs.
Enfim. Só me resta torcer para que remakes como esse sejam fracassos de bilheteria. Pelo menos assim o ego dos novos profutores fica abalado e eles percebem que não podem mexer, em vão, com coisas que ja são boas.
THIAGO
Você foi perfeito em seu comentário. Não tenho nada a acrescentar. Como “Deixe-me Entrar”. Abs!
Eu ainda não vi o primeiro e por isso não verei esse agora. Odeio remakes, quase nunca funcionam para mim principalmente esses de fimes tão recentes (o que acontecerá novamente com O Homem que não amava as mulheres).
Também preciso conferir o original, mas confesso que esse me deixou interessado – gosto de Chloe Moretz, acho ela tão boa atriz, linda e cativante…creio que daqui a 10 anos, se assumir bons papéis em bons filmes, tem tudo a prosperar. É bem talentosa mesmo. E o tal “olhudo”(você, hein? rs) me emocionou demais no “A Estrada”, então acho que esse remake tem muitos pontos positivos…
Vou ver e depois te falo!
Ótimo texto, como sempre.
Abraço, amigo!
FAEL
Concordo com você. Mas por David Fincher estar no comando do novo “Os Homens que Não Amavam as Mulheres”, tem gente que acha que o remake é desde já imperdível. Abs!
CRISTIANO
Valeu! E além de olhudo, ele não é a cara do menino que canta “Killing Me Softly” em “Um Grande Garoto”? Abs!
Cara! Primeiro, como invariavelmente, seu texto ficou incrível! Ainda chego lá! Hehe…
Como ainda nem assisti ao original, nem vou procurar por esse agora. Mas logo que for possível, assisto aos dois! Pelos textos (li também o de Deixa Ela Entrar) fiquei interessadíssimo!
Amplexos…
MAGNO
Obrigado! E, sim, veja o original primeiro. Ou só ele. Abs!
Baixei (já que não existe em DVD até onde sei) o original há um tempo mas ainda não coloquei legendas e por isso não vi. Fui ver a a versão americana e achei….UM FILMAÇO. Putz, que filme, poderia falar horas dele aqui. Quero ver o original com urgência. E a Chloe realmente tem tudo pra ser uma grande atriz, ela é nota mil. Mas…vcs acham que ela usa o menino (e o amor é falso) assim como ela usou o outro cara desde criança (como mostra a foto)?
ROBSON
Depois você me conta o que achou do original, porque tenho a impressão que a experiência de ver o americano antes é algo que tem tudo para estragar sua visão em relação ao original. Ainda não tive essa opinião de alguém, portanto estou curioso.. hehe…
Agora, eu acho que eles se apaixonam sim. Não necessariamente a vampira o usa. Mas é natural, não? Afinal, a cena da janela do hospital mostra que, em algum momento da vida, ela se apaixonou pelo “cara”. Então, o mesmo deve acontecer com Owen. Fazer o quê? Ela é imortal. Eles, não.
Abs!