127 Horas

Todo mundo sabe que Danny Boyle é um diretor elétrico, que não se contenta em filmar o roteiro e deixar seus atores dominarem a situação. Ele tem esse estilo frenético, buscando criatividade na hora de contar histórias simples com imagens que impressionam pela sincronia perfeita entre a rapidez no movimento de câmera e a agilidade na montagem das cenas. Então por que o cineasta escolheu justamente contar a história real do aventureiro Aron Ralston (James Franco), que ficou cinco dias com o braço direito preso a uma rocha em um canyon sem uma alma viva por perto?
Mas quem disse que um diretor precisa mudar ou abdicar de seu estilo em nome de uma situação que fatalmente renderia um tédio de filme? Se você conseguir chegar ao final de 127 Horas (127 Hours, 2010), agradeça a Danny Boyle.
Não que o filme seja ruim. Pelo contrário. Mas há tempos que o cinemão não mostrava algo tão forte. Talvez nunca tenha ido tão longe em termos de tortura. No caso de 127 Horas, pensamos inicialmente em escatologia, mas a tortura e sua consequente dor estão muito mais ligadas ao lado psicológico. Ao término deste filme, pergunte-se: “Por que membros decepados em filmes de ação à moda Schwarzenegger e Stallone não causam náuseas à plateia?” Isso é definitivamente um mistério do cinema. Mas, ao mesmo tempo, um milagre. E não seria justo com Ralston se a dor de sua história fosse amenizada.
Sabendo que a tragédia de Aron Ralston é tão pessoal, solitária e intimista, o filme merece aplausos por não ser chato de se ver. Como diabos Danny Boyle conseguiu colocar a gente ali no canyon, ao lado de James Franco? Bom, 127 Horas aposta na narrativa em primeira pessoa, que traduz em imagens a jornada interior do protagonista. O resultado é imersivo. É como se estivéssemos lá, dando apoio total a Aron, para que ele consiga de alguma forma deixar aquele lugar. Boyle é tão habilidoso no ato dessa condução que, no momento mais difícil do protagonista, fechar os olhos ou deixar o cinema são atitudes que soam como traição. A solução e o drama inteiro não são apelativos. Tudo acontece da maneira como tem de ser, com a razão naturalmente dando lugar ao instinto.

O esforço de Danny Boyle é visível inclusive no controle da duração do longa, que realmente não precisava se estender por mais de uma hora e meia. Sua coragem também reside na fuga do sucesso fácil, afinal nem se preocupou em tentar repetir ou até mesmo superar Quem Quer Ser um Milionário? (2008) no imaginário coletivo.
Boyle e seu roteirista Simon Beaufoy também não impõem mudanças radicais na história real de Ralston em nome da dramaticidade. Ele não fez nada errado. Não renegou a família nem mesmo a sociedade, como o Christopher McCandless de Na Natureza Selvagem (2007). O filme não é tendencioso. Foi um acidente. E isso pode acontecer na vida de qualquer um. Sem aviso prévio. Faz parte da aventura que é viver. E ele não é um herói, mas um sobrevivente. Se bem que Ralston poderia ter dito a alguém aonde ia, mas como mostra a poderosa abertura, ilustrando o mundo agitado, cheio de gente fazendo várias coisas ao mesmo tempo, o aventureiro vive em outro ritmo, dono de horas, minutos e segundos de seu universo particular.
127 Horas é um triunfo cinematográfico em termos de história contada por meio da junção harmoniosa de imagem, som, música, fotografia, montagem e atuação. O que nos leva ao tour de force de James Franco, que praticamente segura a onda sozinho. Difícil imaginar que aquele amigo do Homem-Aranha se transformaria num grande ator. É só reparar que conhecemos Aron Ralston de verdade a partir do momento em que começa seu sofrimento – se o ator estivesse mal, os planos de Boyle iriam por água abaixo. Os méritos pertencem a James Franco. Se 127 Horas foi um teste para a sua carreira, esse cara pode fazer o que quiser daqui pra frente.
É um filme de sensações – destacando a sede, a fome, a aventura (o fantástico mergulho na piscina natural), os sonhos e a dor –, que pode buscar comparação neste ponto com Cisne Negro, outro belo filme da temporada. Mas enquanto Darren Aronofsky abraça o onírico, Danny Boyle se entrega à realidade. Por isso, a dor e o sofrimento parecem maiores. Mas é bom ser forte para aguentar o tranco, meu amigo. Isso não é uma ode que deixa pensamentos reflexivos do tipo “como é bom viver”. 127 Horas está mais para um desabafo como “graças a Deus que estou vivo.”
Impossível é ficar indiferente a este filme, que é uma bela homenagem a um dos homens mais corajosos que já andaram por este Planeta. – Otavio Almeida
127 Horas (127 Hours, 2010)
Direção: Danny Boyle
Roteiro: Danny Boyle e Simon Beaufoy
Elenco: James Franco, Kate Mara, Amber Tamblyn, Treat Williams e Kate Burton



Perfeito


Tenho uma relação de amor e ódio com Boyle. Esse filme não poderia ser diferente, gosto e desgosto.
No começo do filme, ele lá preso, menos de 20m de começado e já sabiamos q iria ser assim sempre, teve uma hora q parei e pensei, pqp, tem tudo para ser um filmão, mas ai vem Boyle com seu videoclipe…
CASSIANO
Hahahahaha… Bom, não é um filme fácil. Eu gostei, mas entendo perfeitamente quem não curtiu. Por isso que eu disse que o equilíbrio perfeito entre o que é arte e o que é comercial está em “Bravura Indômita”. Abs!
Mais vez, excelente texto, Otávio!
Estou doida pra ver esse filme.
Uma colega assistiu e parou numa cena porque não aguentou ver o sofrimento do personagem. Espero que isso não aconteça comigo. Quero viver seu drama assim como vivi o de Nina em Cisne Negro.
Assistirei sábado e depois passo aqui para comentar.
Bjs!
PÂMELA
Obrigado! Veja e me conte se conseguiu chegar até os créditos finais, hehe… Bjs!
Qual seria o proximo trabalho de um diretor que no seu ultimo filme ganhou 8 Oscars,vários prêmios(Bafta,Globo de Ouro…)e reconhecimento da critica e público.Dirigir um blockbuster de verão e entregar a alma “a maquina de milhões de Hollywood”?.Ledo engano.Esse diretor continua sua carreira independente.Estou falando de Danny Boyle.Antes de falar de 127 Horas,confesso que sou fã do estilo de filmar do diretor inglês.Gosto de cineastas que inovam na maneira de dirigir.Steven Soderbergh com a fotografia com diferentes cores a cada núcleo em Traffic,Fernando Meirelles e sua camera inquieta,Michael Mann que é adepto do digital,Inãrritü e seu estilo realista de filmar e Gus Van Sant adepto do experimental.Quando vi Trainspotting achei o filme muito bom,agil,bem montando e com um roteiro caprichado.Depois do sucesso com o filme inglês,Boyle migrou pra Hollywood e naufragou em A Praia.Boa parte disso se deve ao “Fenômeno Dicaprio pós Titanic”.Alguns filmes de ficção cientifica marcaram sua carreira no inicio dos anos 2000(Exterminio é muito bom).E aí veio o filme que o faria ser reconhecido pelo grande público que é Quem quer ser Um Milionário.Lembra do artigo sobre filmes que usam da “Cosmética da Fome” (não digo no plural,pq foi Ivana Bentes que se promoveu com esse termo) que Meirelles sofreu com a obra prima Cidade de Deus?pois bem,o filme de Boyle era isso.Olha que vi,revi e a cada revisão o filme piora no meu conceito.Como pode ter ganho 8 Oscars?um filme que glorifica a miséria e crianças pobres pedindo esmola e rindo nas ruas de Mumbai.Sem contar na fotografia identica de Charlone,que não vou entrar no mérito porque a copia é descarada(tem até uma cena de galinha).Mas Boyle dirigiu o filme no primeiro ano da Era Obama e isso acertou em cheio o público e a critica. Como faço parte de uma Minoria que não gostou de Slumdog Millionaire,vamos falar de 127 Horas.Como contar uma história em que um sujeito passa a maior parte do tempo com a mão presa em uma pedra.Confesso que eu não saberia contar uma história dessa.Desde de já aos 15 minutos e 33 segundos o alpinista Aron Ralston(James Franco)prende as mãos em uma pedra.Danny Boyle não quer criar uma trama e sim jogar o público para o pesadelo que Aron Ralston passara por dias.Naquele momento eu arrepiei,parece que as minhas mãos estavam presas naquela pedra.É uma agonia saber que o tempo passa e Aron Ralston(James Franco) fica impossibilitado de sair dali.E mais da metade da história é assim e Danny Boyle consegue segurar o público até o fim.Mérito da montagem de Jon Harris.Destaque para uma cena em que ele esta com muita sede e aparece um clip de pessoas se refrescando(seja uma coca-cola até uma agua bem geladinha).Danny Boyle conseguiu fazer eu sentir sede só de ver o drama do jovem personagem.James Franco interpretando o alpinista Aron Ralston(o melhor papel da carreira dele)merece destaque.Outro mérito do filme é sentir o drama do protagonista e na ultima cena que ele nada em uma piscina e olha para todas as pessoas que fazem parte da sua vida o público fica satisfeito com a vitória pessoal dele.Depois de ser o vilão da trilogia Homem Aranha e participar de outros projetos,ele finalmente tem seu talento reconhecido e a oportunidade de mostrar seu talento.Já desconfiava que ele era bom ator em Milk-A Voz da Igualdade na qual ele faz o namorado de Milk.Em um ano que a academia nomeou direções extremamentes academicas como a de Tom Hooper,eu prefiro direções inovadoras como a de Danny Boyle.As 6 indicações ao Oscar foram merecidas e ouçam a música “IF I Rise” que é muito boa. 127 Horas é um filme de um diretor que após a consagração com o Oscar continua fincado nas suas origens:do cinema independente.
Paulo Ricardo
Cotação:4 Estrelas
Abraço Otávio
PAULO RICARDO
O filme é muito bom pelo esforço de Danny Boyle e James Franco. E eu gosto muito de “Quem Quer Ser um Milionário?”. E daí que lembra “Cidade de Deus” em alguns momentos, principalmente no visual? Ora, “Cidade de Deus” também bebe na fonte de Martin Scorsese em seu “Os Bons Companheiros” ao utilizar diversos narradores, cada um guiando a história com seus pontos de vista. Todos os roteiros originais já foram feitos. Não gosto de cópias, mas influência é algo bem-vindo. Ou então teríamos de comparar “127 Horas”, por exemplo, com “Na Natureza Selvagem”, ou “Ray” com “Johnny & June”. Abs, flamenguista!
Eu ainda não assisti o filme, e estou mto afim de ver, mas na sua opnião, pra quem dariao premio de melhor ator? James Franco ou Colin Firth?
JESSICA
Jeff Bridges, em “Bravura Indômita”. Hehe… Mas James Franco e Colin Firth merecem suas indicações. Só que Firth vai ganhar. Bjs!
HEHE ainda não vi nenhum dos três infelizmente, faculdade e trabalho estragam tudo kkk , mas eh ctz msm q o oscar é do Colin Firth .
Me convenceu, irei ver o mais rápido possivel, aqui estreou … mas ainda tenho outros filmes para ver.
Abraços!
Eu nunca fui fã do James Franco. Sempre o achei “meninão” demais e eu odiava as caretas que ele fazia em Homem-Aranha. O filme que tinha melhorado minha birra com ele foi Annapolis, mas mesmo assim eu ainda não o via como um ator “de verdade”.
Só que esse filme me mostrou do quanto um ator pode se superar. Amei a atuação dele nesse filme, principalmente a cena do “talk show”.
O filme é fantástico. E eu não posso esquecer de dizer que senti muita agonia,MUITA mesmo. Pensei em tirar o filme, mas fui até o fim.
bjo
FILME É FANTÁSTICO….
EDIÇÃO,DIREÇÃO, TRILHA SONORA E PARTE SONORA PERFEITOSSSSS….
JAMES FRANCO É UMA PÉROLA NESSE FILME.
PENA QUE A ACADEMIA NÃO DEU O MERECIDO RECONHECIMENTO A ESSE FILME.
FALTOU A INDICAÇÃO DO DANNY, E A PARTE SONORA TB.
TORÇO PARA A CANÇÃO LEVAR O PREMIO.
Tenho lido bons comentários sobre o filme. Normalmente, não gosto de longas que são claustrofóbicos e agoniantes, mas eu pretendo dar uma chance à “127 Horas”.
Beijos!
JÉSSICA
Quando tiver um tempinho, vá ao cinema. Os 3 filmes são fantásticos. Bjs!
JOÃO PAULO
Vá logo ao cinema, cara! Abs!
SOPHIA
É, a cena do talk show é muito boa mesmo. Comprova que há um ator em James Franco. Bjs!
KADU
Também acho que Danny Boyle merecia uma indicação. Enfim… Abs!
KAMILA
Dê uma chance sim. Respire fundo e entre no cinema. E não leve nada pra comer. Ok? Bjs!
Otávio, uma pergunta: a cena da decepação é crua a que ponto? Porque disseram que Irreversível tinha uma das sequências mais pesadas e indigestas do cinema e, sinceramente, eu não fiquei tão chocado quando a vi. Pelo jeito que a definiam, eu esperava mais.
Mas acho que não vou ver 127 Horas só pela parte “visceral”. Não gosto daquela sujeira, sangue e sensação de vômito… rsrs. Mas qual sequência é pior: Ireversível ou 127?
E uma última pergunta: você já postou uma crítica sobre Biutiful?
Acho que vejo essa semana, e como sou sensível, penso em ir preparadíssima para a sessão, pela fama que o filme tem em deixar a platéia sem fôlego. rsrs.
Beijos!
THIAGO
Acho que “127 Horas” é mais punk neste ponto. Até porque o filme inteiro guia você para esta parte. E ainda não vi “Biutiful”. Abs!
MAYARA
Hehe, não compre pipoca. Ok? Bjs!
Otávio, eu ainda não sei como consegui assistir à cena relatada por você e todo mundo.
Mas ainda bem que isso aconteceu, porque pra mim, dela até o final foi o ápice do filme e da atuação de James Franco. Parabéns elevado à décima potência pra ele e também, é lógico, a Danny Boyle pelo belíssimo trabalho.
Ele conseguiu nos prender num filme que tinha tudo pra ser monótono. Porque eu relamente vivi as agonias de Aron.
Bjos!
Fique angustiada ao assistir o q/ Aron Ralston passou em sua tragédia pessoal. Boyle conseguiu passar muito bem isso p/ as telas.
Muito bom filme, James Franco tá foda.
A cena da amputação é tensa, mas desmaiar ou ter convulsão nela já é exagero né?
abrax
PÂMELA
Ei, mas eu não contei o que é. O Hollywoodiano não conta final de filme. Mesmo baseado em fatos reais. Bjs!
RAQUEL
Eu também acho que ele conseguiu. Bjs!
LUCAS
É só tomar um Engov antes e outro depois. Abs!
Otavio, “127 Horas” é um filme atordoante, mas o achei bem criativo com uma fotografia que me surpreendeu muito – gosto de relevar este quesito porque quero me tornar diretor de fotografia no futuro próximo.
Eu acesso o Hollywoodiano há alguns tempos e acho o site muito bem desenhado e cheio de conteúdo que gosto de ler.
Eu mantenho um blog no wordpress e ficaria honrado se você desse uma pulada lá e lesse a crítica que escrevi sobre “127 Horas”.
Ah, gostei muito da comparação com Aranofsky, pensei isso também após assistir algumas vezes esta obra de Boyle que possui um monstruoso erro de continuidade bem no fim do longa hahaha.
Abçs
MATHEUS
Muito obrigado! Vou lá sim dar uma olhada no seu blog. Será uma honra! Abs!
Alguem sabe qual o blog do Vinicius Pereira??? Formatei meu pc e perdi todos os Favoritos!
Quem souber diz aÊ blz
Me segue no twitter, se quiser, @tulinhobeat
Cara, o Vinícius escreve aqui no Hollywoodiano sobre séries de TV. E comanda o site da Sociedade Brasileira de Blogueiros Cinéfilos (www.blogueiroscinefilos.wordpress.com)