fevereiro 20th, 2011

Scott Rudin Vs. Bob & Harvey Weinstein

Harvey & Bob Weinstein

Harvey & Bob Weinstein

A briga pelo Oscar 2011 está polarizada entre os produtores Scott Rudin e os Irmãos Weinstein (Harvey & Bob). Os Weinstein entram fortes com as 12 indicações de O Discurso do Rei, enquanto Rudin assina a produção de dois pesos-pesados: A Rede Social (oito indicações) e Bravura Indômita (10 indicações).

Em termos de premiações, andam papando tudo. Em 2007, Scott Rudin levou os reclusos Irmãos Coen à badalação dos prêmios, inclusive ao Oscar de Melhor Filme e Direção, por Onde os Fracos Não Têm Vez, que, convenhamos, não tem cara de um vencedor clássico da festa da Academia. Mas deu certo. Os Weinstein dispensam apresentações, afinal estiveram à frente da Miramax, que sempre emplacou seus filmes entre os finalistas do Oscar de Melhor Filme, ganhando por O Paciente Inglês e inacreditavelmente por Shakespeare Apaixonado e Chicago.

Com o recente fim da Miramax, Harvey e Bob passaram a comer pelas beiradas com a nova The Weinstein Company, que já emplacou O Leitor e Bastardos Inglórios nas últimas edições do Oscar. Agora, com O Discurso do Rei , nunca tiveram tanta chance de voltar a vencer.

Os três produtores estão entre a nata de Hollywood. Se Spielberg, Cameron, Scorsese, Fincher, Aronofsky e os Coen estão sob a mira dos holofotes, eles preferem ficar na surdina, no cantinho com sombra, de onde observam atentamente seus diretores, atores, atrizes, roteiristas. Enquanto seus “empregados” sorriem no tapete vermelho de premiações e premiéres, Harvey & Bob Weinstein + Scott Rudin estão apertando as mãos das pessoas certas, colecionando os talentos ideais para seus próximos filmes.

Diferente da maioria, não pensam só no que podem render nas bilheterias, mas como podem seduzir os votantes das premiações mais importantes da indústria, principalmente o Oscar.

Scott Rudin
Scott Rudin

Ambos preferem investir muito dinheiro quase o ano inteiro em campanhas que habilitam seus filmes no caminho certo para o prêmio da Academia. Não que seus filmes sejam “pequenos”, mas nunca são “gigantescos” como os de outro megaprodutor, Jerry Bruckheimer (Armageddon, Piratas do Caribe, Príncipe da Pérsia, etc etc e boom).

Gastar menos e produzir mais. No fundo, esse é o sonho de Hollywood. De preferência, lucrando. Até que é uma estratégia inteligente. Um filme de orçamento astronômico nem sempre rende o esperado. Alguns mal se pagam.  Harvey, Bob e Scott sabem que um orçamento reduzido – comparado aos épicos cifrões na hora de levantar os blockbusters -, tem mais chance de se pagar. E com as indicações ao Globo de Ouro e, especialmente, ao Oscar, a bilheteria vai lá em cima. Que o diga Bravura Indômita, o filme mais beneficiado pelas indicações deste ano. É, de longe, o maior sucesso de bilheteria da carreira dos Irmãos Coen. No verão americano – disputando com Toy Story 3, A Origem, Fúria de Titãs, ou qualquer blockbuster estreando sexta após sexta -, será que Bravura Indômita teria rendido o mesmo? Provavelmente não.

É bom prestar atenção e ficar de olho nos próximos filmes bancados por Scott Rudin e os Irmãos Weinstein. No domingo, dia 27, noite do Oscar,  mesmo que Rudin ganhe a estatueta por A Rede Social (ou Bravura Indômita), não seria exagero dizer que Harvey e Bob Weinsten estão mesmo de volta. Se eles ganharem por O Discurso do Rei, não duvide que Scott Rudin já tem uma carta na manga para o ano que vem.

Ah, claro, os Weinstein não assinam como produtores de O Discurso do Rei. Um detalhe curioso que demonstra a força da dupla: Eles são os “produtores executivos”. Mas tenha certeza que são os dois que mandam. Mais que os produtores oficiais do filme. - Otavio Almeida

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