março 11th, 2011

Indiana Jones: 30 anos

Otavio Almeida

Indy I
Antes de filmar Guerra nas Estrelas, George Lucas havia imaginado o perfil de um arqueólogo envolvido nas mais fantásticas aventuras. Sua ideia era fazer uma homenagem às clássicas matinês que dominaram os cinemas na época em que o diretor, produtor e roteirista ainda era um menino.

Nos anos 30, as atitudes corretas dos heróis das matinês serviam de exemplo para a garotada. Atores como Gene Autry, Roy Rogers, William Boyd, Charles Starret, Tim Holt e Rocky Lane encantaram o pequeno George Lucas.

As matinês apresentavam filmes de médio e baixo orçamento, produzidos para exibições duplas e estrelados, geralmente, por campeões de rodeios e cantores de música country. No fim de cada episódio, o herói costumava estar prestes a morrer nas garras do vilão (ou de uma armadilha) e surgia na tela algumas chamadas clássicas como “Será que ele conseguirá escapar?”, “Não perca a conclusão na próxima semana…”.

Com esses conceitos em mente, George Lucas começou a discutir o argumento com o diretor Philip Kaufman. Mas quando o amigo se envolveu com o roteiro de Josey Wales, o Fora-da-Lei, de Clint Eastwood, George deixou as aventuras do arqueólogo de chapéu, jaqueta e chicote (figurinos comuns em heróis dos anos 1930) para uma outra oportunidade e se dedicou a Guerra nas Estrelas.

No verão de 1977, enquanto esperava pelo resultado da bilheteria do primeiro final de semana de Guerra nas Estrelas, George curtia as praias do Havaí, longe do tumulto da estreia, ao lado do amigo Steven Spielberg. Numa conversa aleatória, o cineasta recém-saído de sucessos como Tubarão e Contatos Imediatos do Terceiro Grau confessou que gostaria de dirigir um filme de James Bond. George respondeu: “Esqueça. Eu tenho algo melhor pra você.” Naquele exato momento, a aventura imaginada por George Lucas antes das filmagens de Guerra nas Estrelas ganhava vida.

Na verdade, o protagonista era chamado de Indiana Smith. George pegou o primeiro nome emprestado de seu próprio cachorro na época. Steven só não gostou do sobrenome. Então, George sugeriu: “Ok. Que tal Indiana Jones?”. Steven concordou na hora: “Ok. Vamos em frente.”

Indy II
Steven tinha algumas ideias. George tinha outras. E o Indiana Jones imaginado pelos dois carregava uma aura de Humphrey Bogart, no clássico O Tesouro de Sierra Madre. Mas quando ambos conversaram com o cineasta Lawrence Kasdan, que aceitou escrever o roteiro, Indiana Jones ganhou características mais vibrantes e as ideias de Steven e George finalmente se encaixaram dentro de uma história chamada Os Caçadores da Arca Perdida.

Para interpretar Indy, Steven sugeriu Harrison Ford, que trabalhou com George em Guerra nas Estrelas, como o anti-herói Han Solo. Mas George disse que não queria que Harrison fosse o seu “Robert De Niro” (uma alusão à famosa parceria do ator com Martin Scorsese). A dupla, então, chegou ao nome de Tom Selleck, que fez vários testes para o papel. Mas uma intervenção de um canal de TV, que afirmou ter contrato assinado com o ator para protagonizar a séria Magnum, fez Steven sugerir novamente Harrison Ford. George aceitou.

A namorada de Indy, Marion Ravenwood, quase ficou com a atriz Sean Young (que depois faria Blade Runner com Ford). Mas Steven ficou encantado por Karen Allen, quando viu a comédia Clube dos Cafajestes, de John Landis. Alguns testes depois e Karen agarrou o papel.

Indy III
Como quase todo grande sucesso, muitos estúdios recusaram bancar uma aventura à moda antiga, que sairia muito cara no início dos anos 80. O que era compreensível, afinal Hollywood acabara de deixar um terrível período de fracassos de bilheterias para trás graças justamente a Guerra nas Estrelas e Tubarão.

Steven e George eram minas de ouro, mas os estúdios também não queriam abusar. Somente após diversas reuniões, George convenceu a Paramount com o argumento de que o filme seria rodado em pouco tempo, com takes econômicos e truques rápidos usados em séries de TV – nada de efeitos visuais complicados. O filme estreou em 1981 e o resto é História.

Alguns acreditam que um grande filme é aquele que fica na memória do espectador. Simples assim. Os Caçadores da Arca Perdida tem duas ou três cenas clássicas. Posso citar Indy correndo daquela pedra gigantesca no início do filme e a cena do herói derrotando um ás das espadas com um único tiro – quando todos esperavam por uma luta de encher os olhos. E o que dizer de Indy sendo arrastado por um caminhão, enquanto persegue a Arca da Aliança? Talvez você prefira outras cenas deste filme que definiu o gênero da aventura para sempre, porém é apenas mais um aspecto da diversão ter de escolher suas sequências prediletas.

Indy IV
O próprio Steven Spielberg diz que assiste aos seus filmes e sempre encontra uma ou outra cena que ele gostaria de ter feito diferente. Ou seja, sempre com um olhar crítico. Mas quando revê Caçadores, Steven confessa que esquece quem foi o diretor e senta para assisti-lo como se fosse qualquer outra pessoa com o prazer de um mero espectador.

Essa magia proporcionada por Caçadores atingiu a Academia, que sempre foi muito rigorosa com “filmes de entretenimento”. Caçadores recebeu nove indicações ao Oscar, incluindo Melhor Filme e Melhor Diretor. Ganhou quatro estatuetas: Melhor Direção de Arte, Melhores Efeitos Visuais, Melhor Som e Melhor Montagem. E abriu caminho para duas sequências ainda nos anos 1980. O quarto longa viria somente em 2008.

Um olhar mais atento sabe que essa primeira aventura de Indiana Jones foi um marco na história do cinema. A música de John Williams virou significado universal da palavra “aventura”. A montagem de Michael Kahn definiu o ritmo da ação para os próximos anos. Os efeitos sonoros da série são únicos. Tente reparar no som dos tiros e no impacto de cada soco desferido nos filmes de Indiana Jones. São marcas registradas. Não é para qualquer um, afinal já se passaram 30 anos. Deste filme em diante, a aventura ganhou um nome: Indiana Jones.

VEJA ABAIXO AS CRÍTICAS DOS 4 FILMES DA SÉRIE

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