Sucker Punch


Em O Mágico de Oz (1939), o diretor Victor Fleming celebrou a imaginação vinda do sonho. Dormir e entrar num mundo fantástico onde tudo é possível sempre foi um artifício representante de uma das diretrizes da sétima arte. Sonhar acordado é ir ao cinema inocentemente e permitir que o filme capture livremente a nossa atenção. Uma proposta que continuou por muito, muito tempo, sendo naturalmente renovada, retocada por cineastas visionários, preocupados em adaptar o cinema para os conceitos de cada época.
Em Sucker Punch: Mundo Surreal (Sucker Punch, 2011), o diretor Zack Snyder ilustrou profundamente a imaginação de quem deixa o cérebro do lado de fora do cinema. Ser lobotomizado e entrar num mundo fantástico onde tudo é possível parece mais um convite para o público experimentar uma das diretrizes do cinema atual, em que sonhar virou sinônimo de alienação. A inocência deu lugar ao cinismo. E Sucker Punch é perfeito nesta proposta.
Snyder é mesmo visionário. Talvez um gênio, seja lá o que isso quer dizer hoje em dia. Seu Sucker Punch é O Mágico de Oz daqueles que nunca viram O Mágico de Oz. Ou daqueles que não reconhecem a importância e o legado do clássico de Victor Fleming de mais de 70 anos. Daqueles que acham que o cinema começou há cinco, dez, 15 anos. Daqueles que entenderam somente o fascínio pela tecnologia de Steven Spielberg e George Lucas desde a década de 70 e não compreenderam o espírito de seus filmes. Sucker Punch é a celebração máxima da falta de cérebro. Grande sacada de Snyder, já que é um filme sobre lobotomia.
A Dorothy atual atende pelo nome de Babydoll (Emily Browning), arrastada pelo padrasto até um manicômio, onde será lobotomizada e passará o resto de seus dias com o cérebro reduzido a zero vezes zero. Até chegar neste ponto, Zack Snyder explora a narrativa cinematográfica somente com imagem, som e música. Mas ao contrário do que aprendemos em filmes como 2001 – Uma Odisseia no Espaço (1968) e Blade Runner – O Caçador de Andróides (1982), o silêncio e a paciência não têm vez como contrastes perfeitos. Não é uma reclamação pessoal. É só observar o cinema de hoje. Snyder prefere o excesso do excesso com cortes rápidos, closes velozes e exagerados, câmera lenta e muito, mas muito barulho. Não culpo o adulto nem mesmo crianças e jovens com QIs consideráveis que fiquem exaustos com 10 minutos de filme.

Sem saída, a monossilábica Babydoll começa a sonhar a sua Oz. Seu delírio, que domina o filme a partir daqui, é a fração de segundo que leva para o martelinho completar a lobotomia. Tudo muito bem calculado por Snyder – o que explica a protagonista de poucas palavras: Ela não tem cérebro.
A criatividade do cineasta para ilustrar o público do cinema na atualidade não tem fim: Babydoll projeta em seu sonho as outras (lindas) meninas do manicômio – agora transformado em bordel (!). Para fugir do lugar, Babydoll, Rocket (Jena Malone), Blondie (Vanessa Hudgens), Sweet Pea (Abbie Cornish) e Amber (Jamie Chung) precisam encontrar um mapa (!), uma faca (!!) uma chave (!!!) e o fogo (!!!!). Em cada etapa, enquanto Babydoll entrega uma dança sexy, elas viajam no sonho dentro do sonho (Opa, A Origem?).
Ainda aqui? Ok, cada aventura traz inimigos que incluem zumbis nazistas, orcs, dragões, robôs e samurais godzillas de pedra. Para ilustrar tudo isso, Snyder capricha nas cenas de ação, mas, quando a primeira delas surge na tela, duvido que 90% do público esteja concentrado no que está vendo. Até mesmo aqueles que não leem Machado de Assis para a prova e tentam passar no chute.
Snyder também capricha na trilha rock n’ roll, na fotografia, nos efeitos visuais, no figurino e na direção de arte – os cenários são impressionantes, mas lembram o estilo da revista e da animação Heavy Metal (1981) e até (descaradamente) O Senhor dos Anéis (2001/2002/2003). Não, não é falta de criatividade. Snyder é antenado. Pelo menos no visual dos filmes de sua preferência.
Snyder quer celebrar o cinema (o de hoje, claro), busca novas formas para se contar uma história e homenageia o público que não gosta de pensar. O que você quer mais? Zack Snyder é o diretor de 300 (2006), Watchmen (2009) e A Lenda dos Guardiões (2010). Em Sucker Punch, ele se superou pela autocrítica. Fez o filme que define uma geração que vai ao cinema e é sim culpada pela avalanche de produções horrendas que infestam as salas de exibição do mundo inteiro. Ora, o tráfico de drogas existe porque há consumidor. Gênio esse Zack Snyder.
Quem mais poderia arriscar a carreira fazendo propositalmente um péssimo filme para representar e criticar uma época, uma geração? Veja bem: Hollywood deixou o cineasta filmar um roteiro original e sabemos muito bem que isso é raridade. Mais: Entregou a reinvenção de Superman em suas mãos. Isso é status ou não? Tenho certeza que após Sucker Punch, pelo atual cenário, estão todos satisfeitos e tranquilos quanto ao destino do Homem de Aço, que já esteve na pele de Christopher Reeve numa época mais romântica, dominada por roteiristas, diretores e produtores que viram e entenderam O Mágico de Oz. Mas isso é passado. Acabou. A referência, agora, é Sucker Punch. Zack Snyder só pode ser um gênio. Segure sua mão, ouça com atenção Where’s My Mind?, do Pixies, e admita que o futuro do cinema chegou. - Otavio Almeida
Sucker Punch: Mundo Surreal (Sucker Punch, 2011)
Direção: Zack Snyder
Roteiro: Zack Snyder e Steve Shibuya
Elenco: Emily Browning, Jena Malone, Vanessa Hudgens, Abbie Cornish, Jamie Chung, Scott Glenn, Carla Gugino, Oscar Isaac e Jon Hamm



Perfeito


Pode até se dizer que para quem venera o cinema clássico, o cinema que transgide gerações e ainda continua a impressionar … vê Sucker Punch como o mais próximo de um projeto qualquer de cinema …
Mas para aqueles que se acham que cinema ainda é um apelo visual … bem … os pontos dizem tudo …
E ESSAS MINITAS DESSE FILME CHAMPS????
Abraços!
JOÃO PAULO
Claro que gostei das meninas. Principalmente Abbie Cornish. Mas um filme não deveria existir somente pela inspiração do diretor em matéria de visual. Abs!
Quem dera cineastas que tem um talento incrivel ter a mesma oportunidade de Snyder … talento … sem duvida ele tem … o problema é que se ele ficasse só com roteiros adaptados … ficaríamos felizes …
Esperamos que o roteiro de Superman seja mindblowing para que pelo menos essa mesma técnica impecavel chegasse a niveis extremos de fodacidade …
E por falar em fodacidade … e o filme do Cage mano … preparado? ehehehe
Ainda não assisti a esse filme, mas, pra ser bem sincera, não espero muita coisa. Me parece ser uma obra vazia, vazia!!! rsrsrsrs
Beijos!
Este futuro do cinema me preocupa bastante…
E ai, Otavio? “Invasão do Mundo” ainda é o melhor filme ruim do ano? Hahuahuaha
Esse para mim bateu o recorde!
Já esperava que o Sr. desse essa nota e concordo plenamente pq foi a mesma que dei.
“Fez o filme que define uma geração que vai ao cinema e é sim culpada pela avalanche de produções horrendas que infestam as salas de exibição do mundo inteiro.” – o difícil é ver essa (inclusive minha) geração proclamar com todo o ar de seus pulmões que este filme é gênial, complexo, um “mind blow” de nossa época. Aí quando confrontamos eles, só vem a mesma desculpa:
-Você que é burro e não entendeu o filme… mimimimi…
Ótima resenha, Otavio!
Abraços
Sem mais, o filme realmente é g”ê”nial!
Otávio eu fico de queixo caído quando vejo um filme de Zack Snyder.Mas uso essa expressão no pior sentido.Visualmente 300 e Watchmen são belissimos.Lembro que quando vi 300 no cinema eu fiquei tão embriagado com o visual do filme que nem comi pipoca(e olha que sou do tipo que como a pipoca antes da metade do filme,quando não acaba nos trailers hehehe).Mas em 300 achei a história fraca e muito sem graça e Rodrigo Santoro como Xerxes me lembrou o lendário Jorge Lafond que interpretou o folclorico Vera Verão.O Xerxes ficou mais para Lafond do que para um rei rss,minha cotação em 300 foram 3 estrelas.Aí meu amigo veio Watchmen.Confesso que nem sabia o que era isso,e quando o filme foi lançado saiu uma matéria excepcional na revista Set sobre o filme.E fiz uma pesquisa louca na internet sobre esse quadrinho e fiquei fascinado com o universo de Alan Moore.Aí foi seu amigo rubro negro nos cinemas acompanhar Watchmen e o resultado foi…decepção.Watchmen é mais lindo que 300.As cenas são belissimas e a trilha sonora pop é muito boa,mas a história é ruim.E depois que Christopher Nolan entregou Batman-O Cavaleiro das Trevas qualquer adaptação de HQ tem que ter um nível alto.Vou dar uma chance a Sucker Punch(eu procuro ver todos os filmes,mas alguns eu deixo pra DVD).E no final de semana vou saber se o filme mostrou um amadurecimento de Snyder como cineasta ou se ele continua dirigindo videoclipes disfarçados de filme.Acho que a segunda opção é a mais provavel.Em um post antigo do seu blog(quando a Warner confirmou ele como diretor de superman)você falou uma frase otima:O que falta a Zack Snyder é direção.E quando ele pegar a camêra para dirigir Superman,o produtor Christopher Nolan vai ensinar ele a dirigir um filme e contar uma história.Se eu quero ver um videoclip eu ligo na MTV.Abraço e a já tradicional saudação rubro negra.
JOÃO PAULO: Quer dizer que o filme do Cage bate esse ruindade? Tá feia a coisa, hein! Abs!
KAMILA: “Sucker Punch” sucks! Bjs!
MATHEUS: O filme é uma droga! Não perca tempo discutindo com xiitas. A gente discute, por exemplo, “A Rede Social”, que acho bom, não genial. Mas tem gente que acha. No caso de um filme como “A Rede Social”, a discussão existe, afinal David Fincher tem algo a dizer. Já Snyder… Abs!
PAULO RICARDO: Xerxes/Lafond foi demais! É uma comparação que dispensa uma resenha crítica. Você já disse tudo. Abs!
Estava feliz em saber que Amy Adams seria a nova Lois Lane… mas depois deste texto estou com medo… muito medo
WELLINGTON: Zack Snyder testou Emily Browning, Jena Malone, Vanessa Hudgens, Abbie Cornish e Jamie Chung. Quando viu o resultado de “Sucker Punch”, ele escolheu Amy Adams. Mais garantido, não? Abs!
Nunca levei fé em Zack Snyder. Esse filme é horrível! Só faltou a Cher aparecer neste filme. Não acho que Snyder tenha feito isso de propósito como vc colocou. Ele é ruim mesmo! E é gay! Pq acha que as mulheres são machas, gosta de pênis azul e espartanos com tanquinhos. Ah, adora uma coruja em câmera lenta.
Bom texto, mas, sinceramente, esse filme me parece ser uma tentativa de Robert Rodriguezação do Zack Snyder! rsrsrsrsrs
Beijos!
JADÍLSON: Se Snyder é gay, isso diz respeito a ele e mais ninguém. Mas que ele tem péssimo gosto, ah, tem. Abs!
KAMILA: Hahahhahaha, “nicolascagenização”? Bjs!
Otávio, cada vez mais eu prefiro ficar em casa a assistir esses filmes mer** americanos. Pior é que agora só tem sala multiplex e os filmes mais inteligentes cada vez mais restritos devido a morte de vários cinemas como o Belas Artes.
Sabe acho que você deveria rever suas avaliações e colocar sem estrela=péssimo.
Abração e obrigado por me ajudar a economizar meu suado dinheirinho
FERNANDO: Eu cheguei a usar uma bolinha na cotação pra indicar “péssimo”. Mas tirei. Vou pensar no caso, porque a coisa tá feia, não? E o fim do Belas Artes é o símbolo dessa ruindade do cinema atual. Abs!
É… mas vi uma entrevista com a Abbie em que ela dizia que se sentia mais uma dublê do que uma atriz enquanto fazia o filme.Espero que ele não faça o mesmo com a Lois.
Otavio, não consigo me identificar com a sua opinião, bem como todas as referências apontadas. Sim, a forma como muitos cineastas visualizam o cinema de ação do futuro é um tanto distorcida, mas não acho Zack Snyder um cineasta tão histérico e sem personalidade quando, por exemplo, Michael Bay e Roland Emmerich. Não gosto de “300″ e “Madrugada dos Mortos”, mas desde “Watchmen” vejo um cineasta que anda se aprimorando. “Sucher Punch” é um filme com narrativa vazia? Talvez, especialmente pela falta de cuidado ao encerrar a história. Mas há algumas ocasiões que o cinema pode ser moldado apenas pelas imagens. E as de “Sucker Punch” são sensacionais.
WELLINGTON: Eu confesso que não estou nem aí pra esse Superman novo. Claro que vou ver. E torço para que Zack Snyder faça um belo filme. Mas nem quero pensar muito… Vamos deixar acontecer… Abs!
ALEX: Concordo com você que o cinema pode ser moldado apenas pelas imagens. E “Sucker Punch” tem belas imagens, sem dúvida. Na minha opinião, por exemplo, as garotas já representam belas imagens. Mas sei do que você está falando. Snyder, de fato, tem uma imaginação incrível para desenhar e pintar a tela toda. Só que nem todo cineasta é Fellini e Kubrick, gente que sabia “narrar” pelas imagens. E não só jogá-las na tela. Abs!
As MINITAS não me deixam refletir sobre o filme rapaz … DAMN IT!
Ainda não li a crítica mas já outras falando e outras falando muito bem (e de crítico que gosto muitod o que eles escrevem – assim comom vc). Então minha decisão: vou ver o filme (se conseguir, to meio corrido esses dias) e depois leio a critica e escrevo aqui.
JOÃO PAULO
Eu entendo, manolo. Juro que te entendo. Abs!
ROBSON
Blz. Volte depois então, flamenguista. Abs!
Ótimo texto, Otávio. Disse tudo sobre esse filme. Fraco d+! As lolitas sensuais não foram o bastante p segurar essa produção ruim e idiota. Tava c saudades do blog! Tô sumida por conta de estudos mesmo. sempre q der, dou pitaco aki rsrrsrs
Abçs
RAQUEL
Obrigado! E também estava sentindo falta de você aqui… Bjs!
Pessímo filme. Trama coreografia e tudo mais. Parece que foi escrito por uma criança de 10 anos de idade viciada em video game.
É o mestrado q faz isso c/ a gente. Mas não esqueci os amigos não viu Otávio!!!1 E nem as salas de cinema!
Bjs
Sem falar na infantil ideia de que Babydoll tenha que dançar para entrar em seu “mundo fantástico”. O roteiro também não explora suas coadjuvantes; dá para contar quantas vezes Vanessa Hudgens e Jamie Chung abrem a boca.
criticar é muito facil se vcs entendessem tanto assim de cinema não estariam aqui,já teriam sido descobertos,o papo é ninguem entende nada a grande maioria do povo só quer saber quem vai ser a ”menina semi nua no filme” ninguem ta interessado na estoria no roteiro quem produziu ou deixou de produzir a gente tem que começar a pensar que a sociedade não tem slow motion ta tudo no grande consumo de massa.
Ps:Depois da segunda vez que eu vi o filme não achei tão ruim
MILLA: E se você fosse inteligente, como sugere, não estaria aqui lendo um blog. Mas estaria vendo o “Manhattan Connection”, por exemplo. De forma alguma estaria defendendo um filme tão estúpido como “Sucker Punch”.
as meninas tem um ponto em comum no filme, apesar delas serem talentosas atrizes, devem guardar algum talento secreto. a minha preferida é a Emily Browning, porque além de atuar bem, canta MUITO!!!