Em Blu-ray/DVD: 72 Horas

O problema de 72 Horas (The Next Three Days, 2010) é que Russell Crowe não é Liam Neeson. Mas a culpa não é do astro. Explico: Na série de TV Prison Break, que fez um sucesso danado, o protagonista não era policial nem militar. Era simplesmente um gênio. Em Duro de Matar (1988), Bruce Willis se vê cercado por terroristas dentro de um gigantesco prédio comercial. Qual é a probabilidade do cara sair vivo dali e ainda por cima como herói? Poucas, eu diria. Mas, ei, ele é um policial. Bom, então, a gente já pode começar a conversar, não? Em 72 Horas, remake do francês Tudo por Ela (2008), Russell Crowe é um policial? Não. Um veterano do Vietnã? Não. Ele é um pacato professor de inglês que precisa tirar a mulher (Elizabeth Banks) da prisão. Ah, tá. Me engana que eu gosto. Mas aí você pode me desafiar e dizer algo como “Che Guevara foi médico e construiu uma revolução armada.”
Mas admita: Fica difícil acreditar num thriller de ação protagonizado por um professor. Ainda mais quando Russell Crowe não tem o currículo “bate e arrebenta” de Chuck Norris, Mel Gibson, Charles Bronson, Steve McQueen, Bruce Willis e, recentemente, Liam Neeson. Aliás, o Sr. Neeson aparece lá pelo meio de 72 Horas, como um sujeito carrancudo que fugiu de sete prisões (SETE) e ensina o caminho das pedras ao inexperiente Crowe. Ah, tá. Quer dizer então que a verossimilhança está no fato de Neeson ter ensinado tudo ao protagonista? Ok. Neeson é hoje maior que Chuck Norris. Mas Russell Crowe não é Liam Neeson.
Falo em verossimilhança porque 72 Horas se apresenta como suspense. A correria, a ação propriamente dita, acontece só no final. Se Paul Haggis, que dirigiu Crash (2005) e No Vale das Sombras (2007), não tornou a transformação do personagem de Crowe convincente, o astro vencedor do Oscar por Gladiador (2000), sabe o que faz e dá conta do recado. Se você se pegar torcendo por Crowe e sua esposa no final do filme, a culpa é toda deste extraordinário ator. Quando a correria começar, você nem vai pensar se uma simples troca de jaquetas durante uma perseguição é mesmo a estratégia mais fácil para despistar a polícia. Apenas coloque na conta de Russell Crowe e aproveite a viagem.
De qualquer forma, as intenções de Haggis são ótimas: O filme não é sobre a fuga. É sobre a humanidade sendo sugada de um homem comum, que não tem mais onde nem a quem recorrer. Há três questões interessantes levantadas pelo diretor. Uma delas é a relação do personagem de Crowe com seu pai, interpretado pelo veterano Brian Dennehy. Os dois mal se falam. Mas quando o velho descobre o que seu filho pretende fazer para tirar a esposa da prisão, ele o abraça calorosamente em silêncio. É como se Crowe fosse abençoado pelo pai, que viu no filho, enfim (e do seu jeito), um homem fazendo coisa de homem.
A outra questão envolve o casal principal. Vendo no que John (Russell Crowe) se tornou, será que Lara (Elizabeth Banks) conseguirá viver feliz ao lado do marido? Seria este o homem que ela aprendeu a amar? Ele vai ao inferno para tirá-la da prisão e fará isso nem que seja o último de seus atos. Não seria uma atitude de um homem desesperadamente apaixonado? Ou teria ele perdido completamente a sua alma? A terceira (e polêmica) questão é a exposição em detalhes do planejamento de um crime, sem diversão embutida. Haggis acompanha Crowe arquitetando um crime de forma séria – diferentemente de Steven Soderbergh, por exemplo, em Onze Homens e um Segredo (2001), que é entretenimento puro. Aliás, falta senso de humor em 72 Horas, o que é (com o perdão do trocadilho) um crime para um exemplar do gênero. Mas se isso é ou não perigoso, acho bom lembrar que Paul Haggis fez apenas um filme. São discussões interessantes, que não estão em qualquer Desejo de Matar ou Braddock. - Otavio Almeida
72 Horas (The Next Three Days, 2010)
Direção e roteiro: Paul Haggis
Elenco: Russell Crowe, Elizabeth Banks, Olivia Wilde, Brian Dennehy e Liam Neeson



Perfeito


Boa, Otávio!
Eu disse, na minha análise do filme: “falta a 72 Horas o mesmo tesão pela imagem e pela fluidez dela de No Vale das Sombras e menos a pasteurização de um olhar blasé e inoperante de Crash, e o filme acaba mesmo preso a “prazeres instantâneos” (toda a sequência de fuga final). 72 Horas deixa a entender que, para Paul Haggis, no sexo, o que importa é só o gozo.
PEDRO: Brilhante tua colocação! Mas é isso mesmo. Agora se era pra curtir o gozo pelo gozo, “72 Horas” deveria ter Liam Neeson no papel principal pra fechar sua trilogia sobre o indivíduo, digamos assim – “Busca Implacável”, “Desconhecido” e “72 Horas”. Mas acho que Haggis quis levar tudo muito a sério. Então, o sexo precisava ter sido a consequência de um belo romance. Abs!
O maior problema desse filme é o roteiro.Explico.Paul Haggis sempre teve tendencia a manipular o expectador.Crash-No Limite era bem maniqueísta(o policial racista tem sua redenção ao salvar uma negra,já o negro que sofreu racismo não pensa duas vezes antes de prejudicar um negro).No Vale das Sombras nem parecia filme de Paul Haggis(talvez por isso foi escrito pelo jornalista Mark Boal roteirista de Guerra ao Terror).Esse filme tem toda a formula da carreira de Haggis:boas interpretações+roteiro bem manipulado=redenção na ultima cena.Concordo contigo,um professor jamais faria um plano daquele,mas o tom do filme é carregado demais.A policial invandiria a casa de uma pessoa daquele jeito?,só acredito que a personagem de Elizabeth Banks não cometeu aquele crime se o papai noel existisse e se Stevie Wonder fosse goleiro da seleção rss.Porque nas história de Haggis sempre tem uma redenção?.E os 2 filmaços que ele escreveu(Cartas de Iwo Jima e Menina de Ouro)foi mérito da direção precisa de Clint Eastwood.Não gosto de cineastas “pretenciosos”.72 Horas é filme de ação,filme pipoca pra sala duplex e não filme de arte.Pode acreditar que Haggis filmou 72 horas com esse objetivo.Abs.
PAULO RICARDO: Ele é melhor roteirista que diretor. Mas filmes de ação também podem ser bons filmes. Lembre-se disso. Tenha fé. Abs!
Porra …
Além de jedi, micheal collins, o manolo matador de taken, o hannibal smith … ainda Lian Nesson conseguiu escapar de 7 prisões …
CHUPA ESSA NORRIS!
ehehehehe
Já o filme … eeeeh … ainda tava passando por aqui … mas cadê a coragem?
Eu gostei muito desse filme, Otavio! Acho que a obra constroi muito bem o personagem do Russell e faz o conflito emocional dele ficar mais interessante a partir do instante em que o plano dele é colocado em prática. Achei um típico filme do Paul Haggis e talvez, por isso mesmo, tenha adorado a obra.
Beijos!
Gostei do filme, Russel Crowe consegue ser um bom ator, mesmo quando não se perfila como eterno Gladiador, como sempre cobram de atores que perdem a forma física. Crowe é um ator de primeira linha e sinceramente acho que Liam tem interpretação limitada, não acho tão bom ator assim. Sorte dele que depois dos 50 se revelou em filmes de ação. Mas continuando com Crowe, meu receio é que em busca de bilheteria ele enverede pela ação deixando de lado sua capacidade camaleonica como foi em L.A Confidencial, Uma mente brilhante, O informante… Gostaria de ve-lo novamente num filmão de grandes textos,quase teatral, “duelando” performances com outros atores tão brilhantes quanto ele.
Quanto a Paul Haggis é o roteirista mais contemporaneo do cinema e trata temas com maniqueismo sim, mas é preciso ter talento até para o óbvio.
Esse filme é um lixo, nem mesmo Crowe dá conta do recado diante de um roteiro tão banal e uma direção fraca de Haggis!
Elizabeth Banks, coitada, é ruim de doer…péssima atriz, inexpressiva, nossa.
Só vale pra ver a beleza de Olivia Wilde, ainda que esta também seja desperdiçada pelo papel que nada cresce na trama…
Abs!
JOÃO PAULO
Ainda tá passando?? Abs!
KAMILA
Sei que gostou. Eu passei perto, hehe… Mas não engoli essa do “professor”. Bjs!
EDEN
Russell Crowe é um grande ator mesmo. Tem uma ótima carreira. Espero que não seja esquecido por Hollywood. Abs!
CRISTIANO
Olivia Wilde = Deusa. Abs!