junho 14th, 2011

Kung Fu Panda 2

Little Panda
Eu disse que Kung Fu Panda não merecia uma franquia, mas estava enganado. Na verdade, o primeiro filme começou errado – como mais uma história de malandro, exatamente como a DreamWorks adora contar ano após ano, com exceção do maravilhoso Como Treinar o Seu Dragão. Mas, cortando o papo furado, todo o treinamento do herói dublado por Jack Black e a apresentação de todos os personagens principais, Kung Fu Panda 2 (2011) acerta em tocar a bola pra frente. Não é uma repetição do primeiro filme. O universo de Kung Fu Panda foi expandido.

Um das razões vem de uma questão interessante. Estamos diante de uma animação, certo? O pai de Po era um ganso, não? Tratando-se da DreamWorks Animation, nós aceitamos e entramos na brincadeira. Faz parte da diversão. Mas, macacos me mordam, eis que Kung Fu Panda 2 começa do óbvio que não deixa de ser surpreendente. É, hmm, eu sabia que um ganso não poderia ser o pai de um panda nem aqui nem na China. Claro que eu sabia. Você não? Hmm…

Pensando em desenvolver uma mitologia para a série, a parte 2 busca as verdadeiras origens do herói, que cruza o caminho de um vilão que, queira ou não, moldou o ser humano que ele é hoje. Humano, não. Panda. Força do destino ou obra do acaso? Bom, Kung Fu Panda 2 não vai tão fundo assim nessa questão. Mas torna a franquia mais grandiosa, épica, inclusive nas emoções.

Kung Fu Panda
Mas Po continua o mesmo. Ainda é gordo – mesmo com tantas atividades físicas – come muito, mas é praticamente imbatível no kung fu. Seus amigos também não mudaram suas características. É fiel ao espírito do primeiro, mas apresenta um senso de humor na medida certa – sem muitos exageros de Jack Black. Afinal, não há tempo para muita brincadeira.

Isso porque Kung Fu Panda 2 tem cara de clímax de blockbuster o tempo inteiro. Na primeira cena de ação, a pancadaria, os voos, os saltos, os giros, os movimentos, tudo é muito rápido, intenso. Nada de cortes de videoclipes. A ação tirada da correria e das lutas é a melhor montagem que o filme poderia ter. Quando esta primeira sequência de pancadaria termina, obviamente ainda há muito filme pela frente. Há um tempinho para a plateia respirar, poucos minutos, eu diria. Porque logo Po e seus amigos localizam o vilão e a ação volta mais vertiginosa ainda. Dá-lhe porrada. Mas o filme não acaba. Há um belo momento Bambi (o clássico Disney, não o time) lá pela metade. Dura uns cinco minutos mais ou menos. E então vem mais POW! SOC! TUM! CRASH! Só que, numa hora, o filme finalmente termina. Não sem deixar um gancho curioso e emocionante para uma terceira parte.

Mas é isso. Você queria mais? Bom, como o primeiro Kung Fu Panda foi um veículo para Jack Black, que casou direitinho com a necessidade da DreamWorks em contar histórias de animais malandros, o 2 se assumiu como pura dinamite, acentuou o carinho pelos personagens e aumentou a importância da amizade entre eles. Destaque também para o visual da animação, que em alguns momentos pode deixar o espectador de queixo caído. Mas elogiar este quesito em filmes do gênero vem sendo redundante. De qualquer maneira, chamo a atenção para as sequências de flashbacks, pintadas em animação tradicional, clássica. Afinal, estamos falando de passado. Isso foi genial.

Então pra quê perder tempo com o que já era ruim no longa anterior? Pra quê repetir? Pra quê regredir? O novo Kung Fu Panda tem 95% de ação sim, mas tem curta duração e incrivelmente não cansa. Aliada à motivação de Po – quando ele descobre sua origem – a pancadaria intensifica a emoção. Aqui, pelo menos, funciona. Deve ser por isso que a garotada gosta de Clone Wars. Não que eu esteja dizendo para as crianças saírem por aí batendo nos outros quando uma coisa estiver errada, mas no cinema é divertido ver os nossos heróis fazendo isso.

Kung Fu Panda 2 (2011)
Direção: Jennifer Yuh
Roteiro: Jonathan Aibel e Glenn Berger
Com as vozes de Jack Black, Dustin Hoffman, Angelina Jolie, Lucy Liu, David Cross, Jackie Chan, Seth Rogen, Gary Oldman, James Hong, Michelle Yeoh, Danny McBride e Jean-Claude Van Damme

Críticas . Posts