Se Beber, Não Case: Parte II

“Eu não acredito que isso está acontecendo de novo!”
É o que os protagonistas (e o público) de Se Beber, Não Case: Parte II (The Hangover: Part II, 2011) repetem exaustivamente ao longo do filme. A estrutura do roteiro é basicamente a mesma do original de 2009. É como Esqueceram de Mim 2 (1990), que é uma cópia fiel e descarada do primeiro, mudando apenas de cenário. Em Se Beber, Não Case: Parte II, sai Las Vegas, entra Bangcoc.
Começo, meio e fim. Tudo igual. Você definitivamente já viu esse filme. Claro, as piadas são recicladas. Há coisa nova para preencher o miolo. A diferença é que, estranhamente, o diretor Todd Phillips não fez um filme engraçado. Pois é. Os Irmãos Farrelly, por outro lado, devem ter achado melhor que o primeiro. Se Beber, Não Case (o 1) tinha suas grosseriazinhas. Mas acho que tirar graça disso é, sem dúvida, pra quem talento. Foi o que Todd Phillips conseguiu na melhor comédia de 2009. Mas caímos no conto do vigário, afinal ele errou a mão no enfadonho Um Parto de Viagem (2010) e novamente em Se Beber, Não Case: Parte II. O que é pra arrancar gargalhada da plateia, constrange. Desta vez, as risadas são mais nervosas, como uma reação natural ao mesmo tempo da decepção e do constrangimento. É o riso engasgado de quem criou expectativa e pagou por isso. Não é todo mundo que consegue tornar engraçado o que seria logicamente desagradável de se ver. Os Irmãos Farrely, por exemplo, conseguiram em Quem Vai Ficar Com Mary? (1998). E nunca mais.
Há uma confusão atual sobre o que é comédia. O que é realmente engraçado, divertido. Phillips achou que sustentaria seu filme seguindo a fórmula bem-sucedida do primeiro longa. Pior: acredita que situações de gostos duvidosos, pelo simples fato de acontecerem diante de nossos olhos, são motivos para estimular risadas sinceras em todos nós. Bom, não se engane, é sim possível rir em Se Beber, Não Case: Parte II. 90% de risadas nervosas. 5% como consequência da verdadeira diversão. Os 5% restantes ficam por conta das ânsias de vômito.
Longe do gênero, Quentin Tarantino soube fazer seu público rir numa cena que era para causar asco ou certa revolta em Pulp Fiction (1994): John Travolta estoura sem querer a cabeça de um sujeito no banco de trás do carro. Estranho, não? Mas engraçado. Veja e comprove. Mas, ei, estamos falando de um contador de histórias, uma bíblia cinematográfica, como Quentin Tarantino.

Pelo menos, Se Beber, Não Case: Parte II não é uma tragédia. É decepcionante, digamos assim. O que me leva ao elenco. Bradley Cooper, Ed Helms e Zach Galifianakis são ótimos. Principalmente os dois últimos. Todd Phillips é esperto e confia seu filme na química perfeita do trio. É a amizade dos personagens, que, de certa forma, encanta, e segura a onda. Também é legal ver mais tempo em cena para Ken Jeong, que teve uma pequena participação hilária no primeiro filme. O cara é demais.
Se Beber, Não Case vai virar uma franquia repetitiva e previsível como Jogos Mortais ou Premonição? Ou já que estamos falando de comédia, a tendência está para a eternidade sem graça da série American Pie? Ainda não podemos afirmar isso. Mas, olha, hoje em dia, é melhor comemorar. Porque poderia ter sido pior. Poderia ter sido um remake com as mulheres de Sex and the City encontrando a Julia Roberts de Comer, Rezar, Amar na Índia. - Otavio Almeida
Se Beber, Não Case: Parte II (The Hangover: Part II, 2011)
Direção: Todd Phillips
Roteiro: Craig Mazin, Scott Armstrong e Todd Phillips
Elenco: Bradley Cooper, Zach Galifianakis, Ed Helms, Justin Bartha, Ken Jeong, Paul Giamatti, Mike Tyson, Jeffrey Tambor, Mason Lee, Jamie Chung, Yasmin Lee, Aroon Seeboonruang e Nick Cassavetes



Perfeito


Esse tipo de riso que o filme oferece é a famosa “Piada Visual”.Explico.Se alguem estiver com um neném do no colo e fechar a porta do carro e a porta bater na cabeça da criança,automaticamente qlqr pessoa vai rir.Mas na verdade ninguem acha graça em uma cena dessas,é algo que em um instante é engraçado.Não é o contexto que tem graça,mas sim a cena.Essa cena esta no primeiro Se Beber,Não Case e eu ri com um “peso na consciencia” rss.Otávio eu não esqueço do sucesso do primeiro filme.Era 2009 e o ano estava fraco de blockbusters.Exterminador do Futuro não me agradou,2012 tbm não e eu doido para ir no cinema ver um bom “filme pipoca”.Lembro que a primeira vez que li sobre o filme de Todd Philipps foi na revista Set!(que revista boa,junto com a Placar era a minha favorita).A matéria era completa e descrevia o sucesso surpresa do filme no verão americano e achei a premissa bem estranha.Até Mike Tayson estava no elenco?e lá vai seu amigo nos cinema.Otávio Almeida eu nunca ri tanto no cinema.Se Beber,Não Case,Trovão Tropical e Borat me proporcionaram os maiores risos em uma sala de projeção.Tudo no filme era engraçado e o roteiro usava um clichê(amigos na despedida de solteiro bebem a mais…)e transforma aquilo em um filme mt engraçado e com uma narrativa agil(primeira cena eles na estrada ligando para noiva e aí temos o decorrer da história até voltar a mesma cena).Zach Galifianakis otimo(tem um bordão que ele usa “Isso é clássico” que não tem na dublagem brasileira,recomendo quem nunca viu o primeiro,ver com legendas).E depois comprei um dvd e revi o filme várias vezes,confesso que ao contrário das comédias de Judd Apattow,o filme de Philips enjoa assistindo repetidas vezes.Pq Todd Philips não agrada algumas pessoas?pq o pai de Galifianakis é “bebido”em Um Parto de Viagem e Jamie Foxx que serve esse inusitado “Café de cinzas” rss,pq um dente é arrancado a força no primeiro filme,pq uma criança se masturba,pq uma sujeito vomita no café da manhã.Agora tem que embarcar na história.E eu gostei do primeiro filme.Li sua critica,mas não quero ir pro cinema com uma opinião formada.Só digo uma coisa:Depois que os irmãos Farrelly perderam o rumo da carreira,Todd Philips e Judd Apatow são os “reis da comédia americana”.E chega do politicamente correto.
*Segunda-feira assisti Um Lugar Qualquer de Sofia Coppola.E só digo uma coisa Otávio:Tarantino tinha razão,o filme é ótimo,lindo e não sai da minha mente.Um dos melhores filmes q eu vi esse ano.
Abraço
PAULO RICARDO
O problema não é ser politicamente incorreto. O problema é não ser engraçado. Abs!
É, o “remake” fez grana pra caramba nos EUA…
O que nos leva à PARTE III
Aposto que será em Amsterdam hehe
Abrax
LUCAS
Ou quem sabe no Rio? Abs!
Concordo com todo o texto, e que Deus nos ajude se houver continuações!
Ah, Otavio, estaria mentindo se escrevesse que não gostei do filme.
Ele conseguiu tirar uma risada pavorosa deste cidadão aqui – coisa que não acontecia há muito tempo.
Devo ter problemas psicológicos seríssimos, pois acho graça de praticamente todas piadas politicamente incorretas. Nunca as assumo pro lado pessoal – tem muita gente que acaba odiando os filmes porque saem ofendidos deles.
Tbm não é hipocrisia da minha parte. Escrevi na resenha de “Fast Five” que o filme é um lixo, mas a cena do “This is Brasiú” não me incomodou, me divertiu.
Achei engraçada. O que realmente me irrita é a falta de consideração com a população geral do País.Também não suporto a falta de decência destes roteiristas em não fazer o minímo de pesquisas.
“The Hangover 2″ se passa na Tailândia e consegue cumprir perfeitamente seu tempo sem ofender um tailandes ou desrespeitar o país, excluindo os monges. E aquilo que muitos acharam extremamente ofensivo faz parte do senso-comum. Já o outro “aquilo” é um retrato da sociedade tailandesa. Não é preciso ser um gênio para saber que Bangcoc é a cidade com o maior número de Eles-Elas dentro de uma população – parametros mundiais. Então já era esperado desde o início que os roteiristas iriam tirar proveito disto, afinal são piadas prontas e eficientes.
Não considero esta sequencia melhor que o original (um dos meus filmes favoritos), mas ela consegue ser um bom entretenimento. Eu assumo – tenho um fraco por besteiróis, mas não aturo aquelas anomalias lançadas em DVD que se dizem sequencia de “American Pie”.
Bom texto, Otavio, mas fico triste por vc não ter gostado tanto do filme como eu.
Abraços – espero atenciosamente seu aval. de “X-Men: First Class”.
O filme é igual o Programa Zorra Total, as mesmas piadas contadas de forma diferente. O problema é que eu ri muito com o filme, do início ao fim, ou seja, mesmo a piada sendo repetida achei muito divertido. E achei estranho eu gostar tanto de uma piada repetida rsrsrs.
Pois é. O grande problema desse filme é que ele é uma grande repetição do primeiro filme, sendo que estamos em Bangcoc e não em Las Vegas. O roteiro não evoluiu, os conflitos são os mesmos e isso cansa. Beijos!
DENIS
God help us! Abs!
MATHEUS
Não fique triste. Vejo “X-Men” amanhã. Abs!
ROBSON
Hahaha, é assim mesmo. Eu até ri em algumas cenas. Mas não achei bom, não. Abs!
KAMILA
O pior é que a gente paga pra ver a mesma coisa. Bjs!
Vi X-Men hoje, achei um filmaco. ESpero a critica.
Muito bom, Otávio!
Assim como o primeiro, que não gosto, acredito que esse filme só tem o personagem do Zach Galifianakis de realmente engraçado. O resto é impressão (tipo, você ri porque todo mundo no cinema riu). Nesse segundo filme, só ele funciona, estapafurdiamente – porque ele é um ator ilimitado, fora de série. Mais: esse segundo filmes têm coisas bem bestas (e coisas bestas costumam ser engraçadas, como a cena do Pulp Fiction que você apontou). O que é essa historinha do macaco? E o Paul Giamatti? E o guri genial de 16 anos que toca Bach? E o tal do Chow – puta personagem chato, aborrecido -?
Esse negócio do politicamente incorreto já morreu faz tempo. Hoje em dia é clichê ser politicamente incorreto, e o cineasta que usa essa desculpa para criar humor ou o que quer que seja, está se condenando a boçalidade.
nem vou perder meu tempo e dinheiro p ver pastelãozinho machista e redundante!!!!!!!