junho 7th, 2011

Se Beber, Não Case: Parte II

The Hangover II_2
“Eu não acredito que isso está acontecendo de novo!”

É o que os protagonistas (e o público) de Se Beber, Não Case: Parte II (The Hangover: Part II, 2011) repetem exaustivamente ao longo do filme. A estrutura do roteiro é basicamente a mesma do original de 2009. É como Esqueceram de Mim 2 (1990), que é uma cópia fiel e descarada do primeiro, mudando apenas de cenário. Em Se Beber, Não Case: Parte II, sai Las Vegas, entra Bangcoc.

Começo, meio e fim. Tudo igual. Você definitivamente já viu esse filme. Claro, as piadas são recicladas. Há coisa nova para preencher o miolo. A diferença é que, estranhamente, o diretor Todd Phillips não fez um filme engraçado. Pois é. Os Irmãos Farrelly, por outro lado, devem ter achado melhor que o primeiro. Se Beber, Não Case (o 1) tinha suas grosseriazinhas. Mas acho que tirar graça disso é, sem dúvida, pra quem talento. Foi o que Todd Phillips conseguiu na melhor comédia de 2009. Mas caímos no conto do vigário, afinal ele errou a mão no enfadonho Um Parto de Viagem (2010) e novamente em Se Beber, Não Case: Parte II. O que é pra arrancar gargalhada da plateia, constrange. Desta vez, as risadas são mais nervosas, como uma reação natural ao mesmo tempo da decepção e do constrangimento. É o riso engasgado de quem criou expectativa e pagou por isso. Não é todo mundo que consegue tornar engraçado o que seria logicamente desagradável de se ver. Os Irmãos Farrely, por exemplo, conseguiram em Quem Vai Ficar Com Mary? (1998). E nunca mais.

Há uma confusão atual sobre o que é comédia. O que é realmente engraçado, divertido. Phillips achou que sustentaria seu filme seguindo a fórmula bem-sucedida do primeiro longa. Pior: acredita que situações de gostos duvidosos, pelo simples fato de acontecerem diante de nossos olhos, são motivos para estimular risadas sinceras em todos nós. Bom, não se engane, é sim possível rir em Se Beber, Não Case: Parte II. 90% de risadas nervosas. 5% como consequência da verdadeira diversão. Os 5% restantes ficam por conta das ânsias de vômito.

Longe do gênero, Quentin Tarantino soube fazer seu público rir numa cena que era para causar asco ou certa revolta em Pulp Fiction (1994): John Travolta estoura sem querer a cabeça de um sujeito no banco de trás do carro. Estranho, não? Mas engraçado. Veja e comprove. Mas, ei, estamos falando de um contador de histórias, uma bíblia cinematográfica, como Quentin Tarantino.

The Hangover II_1
Pelo menos, Se Beber, Não Case: Parte II não é uma tragédia. É decepcionante, digamos assim. O que me leva ao elenco. Bradley Cooper, Ed Helms e Zach Galifianakis são ótimos. Principalmente os dois últimos. Todd Phillips é esperto e confia seu filme na química perfeita do trio. É a amizade dos personagens, que, de certa forma, encanta, e segura a onda. Também é legal ver mais tempo em cena para Ken Jeong, que teve uma pequena participação hilária no primeiro filme. O cara é demais.

Se Beber, Não Case vai virar uma franquia repetitiva e previsível como Jogos Mortais ou Premonição? Ou já que estamos falando de comédia, a tendência está para a eternidade sem graça da série American Pie? Ainda não podemos afirmar isso. Mas, olha, hoje em dia, é melhor comemorar. Porque poderia ter sido pior. Poderia ter sido um remake com as mulheres de Sex and the City encontrando a Julia Roberts de Comer, Rezar, Amar na Índia. - Otavio Almeida

Se Beber, Não Case: Parte II (The Hangover: Part II, 2011)
Direção: Todd Phillips
Roteiro: Craig Mazin, Scott Armstrong e Todd Phillips
Elenco: Bradley Cooper, Zach Galifianakis, Ed Helms, Justin Bartha, Ken Jeong, Paul Giamatti, Mike Tyson, Jeffrey Tambor, Mason Lee, Jamie Chung, Yasmin Lee, Aroon Seeboonruang e Nick Cassavetes

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