dezembro 7th, 2011

Os Muppets

muppets 1
Não sou contra Hollywood “atualizar” histórias e personagens clássicos que marcaram uma geração. Desde que respeite o espírito do material original. E que essa “atualização” esteja focada somente em aspectos sociais, econômicos e culturais. Nada de mudar radicalmente personagens em função do dinheiro fácil para andar no compasso do que faz sucesso – por exemplo, o Bond de Craig está mais para o Bourne de Damon que para o 007 de Connery. Mas estamos aqui para falar de Os Muppets (The Muppets, 2011), os bonecos de feltro de Jim Henson que chegam ao novo milênio com fôlego renovado. O mais importante: exatamente do jeito que sempre foram. Para o bem ou para o mal.

Os fãs vão adorar, afinal está tudo lá: as músicas, as piadas, as cores e os bonecos. E quem não estava aqui quando os Muppets tinham filmes e programas de TV também não terá dificuldade para entrar no clima. Graças a um roteiro nostálgico, que acerta em cheio qualquer um que tenha se envolvido com uma obra de ficção de determinada época da vida – não necessariamente Os Muppets. A trama simples, escrita pelo fã Jason Segel (astro de comédias como Eu te Amo, Cara), ao lado de Nicholas Stoller, brinca com a linha do tempo real e imagina o que teria acontecido com Kermit (é, esqueça “Caco”), Miss Piggy, Gonzo, Fozzie, Animal & Cia. se vivessem os dias de hoje. Obviamente, com o show de TV cancelado e fazendo bicos aqui e ali enquanto o público anda mais interessado em explosões e efeitos criados por computador. A única personagem que faz sucesso longe da turma é Miss Piggy, posando de Miranda Pristly com direito a Emily Blunt como secretária. O elenco humano encabeçado pelo próprio Jason Segel (e a graciosa Amy Adams) se junta aos fantoches num teleton para levantar fundos em prol do grande retorno dos Muppets às telas. Ou, mais especificamente, à cultura pop.

muppets 2
O tom metalinguístico transcende – brincadeiras com o processo de edição no cinema estão entre as melhores –, sendo motivo para piadas com o mundo do entretenimento e ao american way of life, com diversas participações especiais e números musicais propositalmente bregas. Porém, com ótimas letras, como Man or Muppet?, canção que curiosamente reflete sobre diferenças, aceitação e a difícil missão de crescer, amadurecer.

Interessante é constatar que tudo isso venha de um longa, digamos, infantil. Principalmente numa época em que não se faz mais filme do gênero como antigamente. Aliás, Os Muppets mostra como se faz, e dá um pé na bunda nas “atualizações” desleixadas (e caça-níqueis) de vovôs como Zé Colmeia e Os Smurfs. Divertido, com mensagens edificantes, o novo Os Muppets também traz um ar de falsa inocência que vai acertar em cheio a criançada esperta de hoje, algo que casa perfeitamente com a ironia clássica dos heróis criados por Jim Henson. Por isso mesmo, fala diretamente aos adultos – fã dos Muppets ou de Bob Esponja.

Ironia, que, por vezes, é até genial. Como na sequência musical com o hit Fuck You. É, os Muppets conseguiram colocar a polêmica música de Cee Lo Green num filme censura livre. Fica a impressão que os personagens nasceram para aproveitar (e avacalhar) o novo milênio. Ironia que cai como uma luva nesses tempos cínicos, afinal Kermit, Miss Piggy e toda a turma são fantoches, mas apresentam falhas como qualquer ser humano. Também conseguem ser ácidos quando querem. Só comprova o quanto Jim Henson era um visionário.

Os Muppets (2011)
Direção: James Bobin
Roteiro: Jason Sege e Nicholas Stoller
Elenco: Jason Segel, Amy Adams, Chris Cooper, Rashida Jones, Steve Whitmire, Eric Jacobson, Dave Goelz, Bill Barretta, David Rudman, Matt Vogel, Peter Linz, Zach Galifianakis, Jack Black, Donald Glover e Emily Blunt

Críticas . Posts