janeiro 3rd, 2012

Há 10 anos…

LOTR
Há 10 anos, eu vi O Senhor dos Anéis: A Sociedade do Anel pela primeira vez. Sei exatamente onde estava. E com quem eu estava. Lembro da expectativa e dos debates pós-sessão. Sem Twitter ou Facebook. Apenas pessoas. Olhos nos olhos.

Lembro da raiva de muitos que não conheciam a história ao descobrirem que o filme não tinha fim. Pior: que tudo continuaria só no ano seguinte. Parecia novidade, mas o povo tem memória curta. Cerca de outros dez anos antes, Robert Zemeckis filmou De Volta Para o Futuro II e III numa tacada só. Terminou o segundo filme sem um final. Sei que muitos que viram O Senhor dos Anéis no cinema não tiveram a chance de assistir a De Volta Para o Futuro na tela grande. Mas havia muito marmanjo naquela sessão de A Sociedade do Anel que reclamou mesmo assim.

Confesso que eu havia lido os livros de J.R.R. Tolkien. Muitos acham sua leitura chata, cansativa. Eu entendo. Afinal, Tolkien fazia literatura e não o que lemos hoje. Era outra época. Outro tipo de leitura. Não acreditava, porém, que o não muito conhecido Peter Jackson, que se dizia fã do autor, conseguiria levar a saga em toda a sua glória ao cinema. Só que, em seus livros, Tolkien é tão minuciosamente detalhista que o diretor soube exatamente como erguer a história e seus personagens, principalmente seus significados. Sem falar que Jackson provou ser um ótimo contador de histórias. E contou A Sociedade do Anel no cinema com a ajuda de tradicionais ilustradores de Tolkien, que desenharam os monumentos da Terra-Média, enquanto sua natureza foi representada pelas belas locações vivas da Nova Zelândia. Com um pouco de CGI, é verdade. A jogada de mestre foi unir o melhor da tecnologia com a velha escola de efeitos especiais.

O elenco foi um achado. Especialmente Ian McKellen, como Gandalf, e Viggo Mortensen, como Aragorn. Sean Astin, como Sam, ainda daria seu show em As Duas Torres e O Retorno do Rei. Mas voltando ao primeiro filme, Jackson deve ter visto muitos faroestes para filmar a sequência maravilhosa da cavalgada da elfa Arwen (Liv Tyler) e estudado diversos longas de aventura e as técnicas de Ray Harryhausen para orquestrar a grandiosa parte das Minas de Moria, que rende um dos momentos mais dramáticos – em todos os sentidos – que eu vi na década passada numa sala de cinema. A música de Howard Shore era linda também. E empolgante, por vezes assustadora quando necessária.

Mais que um filme, A Sociedade do Anel foi um evento. Deixou cinéfilos com o queixo no chão.  Fez muita gente que não levava a sério filme de aventura e fantasia repensar suas convicções. Conquistou velhos e novos devotos de Tolkien. Propôs uma aventura  de estrutura simples, porém épica, permeada de emoções genuínas, valorizando a amizade, o companheirismo. Exatamente quando o mundo se tornava cada vez mais cínico, condição ajudada pela perda da ilusão de muitos num ano em que as torres gêmeas foram destruídas. Trouxe de volta a capacidade de sonhar em cada um de nós. E, sem As Duas Torres e O Retorno do Rei, ainda não tínhamos visto nada. Absolutamente nada.

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